segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sobre "Espiritualidade"...



Há muitos e muitos anos atrás - na verdade, há tanto tempo, quase um ontem longínquo - a Terra estava em trevas e o homem tentava em vão buscar a luz. Alguns a haviam encontrado e decidiram mostrar aos outros seu reflexo e, por isso, foram ansiosamente procurados. Entre estes, estava um que havia estado na cidade da luz por algum tempo e conseguiu absorver um pouco do seu brilho. Imediatamente homens e mulheres, vindos do país da escuridão, foram procurá-lo. Andaram milhares de milhas por terem ouvido falar dessa luz; e quando ele soube que um grande grupo se dirigia para a sua casa, começou a trabalhar e preparou-se para dar-lhes o melhor que pudesse. Fincou estacas ao redor de sua casa e colocou luzes sobre elas para que os visitantes não se machucassem na escuridão. Ele e seus familiares proveram as suas necessidades e ele ensinou-lhes o melhor que sabia.
Entretanto, alguns visitantes começaram a murmurar. Esperavam encontrá-lo num pedestal radiante de luz celestial. Imaginavam-se venerando seu santuário; mas, em vez da luz espiritual que esperavam, apanharam-no no momento em que estendia fios com lâmpadas elétricas para iluminar o local. Nem mesmo usava um turbante ou um manto, porque a ordem à qual pertencia, tinha como uma de suas regras fundamentais que seus membros deveriam usar as vestes do país onde vivessem. 20
Então, os visitantes chegaram à conclusão de que haviam sido enganados, logrados, e que ele não tinha nenhuma luz. A seguir, eles o apedrejaram e também aos seus familiares; tê-lo-iam matado se não fosse por medo da lei que imperava nessa região e que requeria olho por olho, dente por dente. Voltaram, então, para o país das trevas, e sempre que viam uma alma dirigindo-se para a luz, levantavam os braços e aconselhavam: "Não vás para lá; essa não é a luz verdadeira, é como uma lanterna de bruxa que vai levar-te para o mau caminho. Sabemos que não há espiritualidade naquilo". Muitos acreditaram neles e repetia-se nessa ocasião o que foi dito muito tempo antes, e que estava escrito num dos velhos livros: "É esta a condenação: que a luz tenha vindo ao mundo, mas que os homens tenham preferido as trevas à luz".
Como era nesse ontem distante, assim é ainda hoje. Os homens correm de cá para lá procurando a luz. Muitas vezes, como Sir Launfal, viajam para os confins da Terra desperdiçando toda sua vida à procura de uma coisa que chamam "Espiritualidade", mas só encontram desapontamentos atrás de desapontamentos. Sir Launfal passou toda sua vida em vã busca, longe do seu lar, e finalmente encontrou o Santo Graal exatamente às portas do seu próprio castelo. Portanto, qualquer um que honestamente esteja em busca da espiritualidade, com certeza deverá encontrá-la em seu próprio coração. O único perigo é que, como o grupo de viajantes mencionado, ele possa perdê-la por não saber reconhecê-la. Ninguém poderá reconhecer a verdadeira espiritualidade nos outros, enquanto não a tiver desenvolvido em si mesmo.
Portanto, será interessante tentar estabelecer definitivamente: "O que é Espiritualidade?" para termos uma indicação pela qual possamos identificar esta grande característica de Cristo. Para consegui-lo, devemos abandonar nossas idéias preconcebidas ou do contrário falharemos. A idéia mais comumente aceita é que a espiritualidade se manifesta pela prece e pela meditação; mas, se observarmos a vida de nosso Salvador, veremos que não foi uma vida ociosa. Ele não foi um recluso, Ele não Se afastou nem Se escondeu do mundo. Ele andava entre as pessoas, Ele proveu-lhes as necessidades diárias; Ele alimentou-as quando foi necessário; Ele curou-as quando teve a oportunidade e também as ensinou. Portanto, Ele era, no verdadeiro sentido da palavra, um SERVIDOR DA HUMANIDADE.

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