quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Maria Madalena




Lendas sobre cavaleiros templários, antigas vertentes do cristianismo e a vida de Maria Madalena acham-se entrelaçadas no sul da França em regiões como Provença e Camargue. Esses lugares tornaram-se destinos de peregrinação em áreas de fascinante beleza e mistério. Alguns deles foram citados no O Código Da Vinci, livro de Dan Brown, mas outros são ainda pouco conhecidos, como a própria gruta onde teria vivido Maria Madalena, zelosamente guardada por um mosteiro de frades dominicanos (a santa é a padroeira da ordem). Muitas pessoas, depois de subir a montanha por trilhas estreitas, rios transparentes e florestas de faias e carvalhos, caem de joelhos diante da energia amorosa da gruta, chamada Sainte-Baume. “Seja pela fé dos peregrinos que passaram por ali durante 20 séculos ou porque Maria Madalena realmente meditou e orou naquele lugar, o fato é que ali há toda uma atmosfera de amor e recolhimento que preenche o coração”, afirma a jornalista francesa Frédèrique Jourdaa, que escreveu um livro sobre os passos da apóstola de Cristo pelo sul da França (Sur les Pas de Marie Madeleine). Muitos livros foram publicados sobre Maria Madalena nestes últimos anos. A razão desse súbito interesse seria a revelação de sua real história, contada em obras pioneiras como O Código Da Vinci e o Santo Graal e a Linhagem Sagrada. Segundo a maioria dos autores dessa corrente, Maria Madalena nunca teria sido prostituta, e sim uma apóstola muito influente de Cristo, pregadora e líder de uma das primeiras comunidades cristãs.

Mas, se essa história aconteceu realmente, por que ela teria sido encoberta? Existem várias respostas, de acordo com esses pesquisadores. Uma delas afirma que Maria Madalena teve tanta influência nas primeiras comunidades cristãs que seu poder começou a ser visto como ameaça por alguns apóstolos. Durante sua vida, Jesus deu grande espaço às mulheres, que, na Palestina de sua época, eram tidas como seres inferiores. Muitos de seus seguidores eram senhoras maravilhadas com seus ensinamentos de amor e igualdade. Esse grupo feminino sustentava Jesus e seus apóstolos fornecendo recursos para sua alimentação e abrigo. Suas integrantes, Maria Madalena entre elas, eram muito respeitadas. Diz a tradição que a santa era considerada o Apóstolo dos Apóstolos, tal sua influência. Até hoje, esse título é conferido a ela pela Igreja Católica Ortodoxa. Porém, depois da morte de Jesus, os grupos ligados às comunidades dos apóstolos Pedro e Paulo voltaram a seguir novamente os padrões patriarcais tradicionais judaicos e viam reticentes essa influência feminina. “As primeiras comunidades cristãs eram bastantes diferentes umas das outras. Havia diversos cristianismos que competiam entre si”, diz o pesquisador Juan Arias, autor do livro Maria Madalena, o Último Tabu do Cristianismo.

Além disso, segundo os evangelhos apócrifos encontrados em Nag Hammadi, no Egito, o cristianismo de Maria Madalena poderia ter tido uma notável influência gnóstica, corrente de pensamento místico pré-cristão nascida no Egito (em Alexandria). Segundo os gnósticos, Madalena e Jesus viveram o mistério da união sagrada (hieros gamos, em grego) não só integrando internamente seus lados feminino e masculino como unindo-se como casal.

Fonte: Revista Bons Fluidos 

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