sexta-feira, 25 de maio de 2012

Deusa Isis, dança sagrada dos sete véus




"Vê-la dançar é participar da força criadora que vibra no Cosmos; massa negra e pulsante explícita nos olhos e cabelos de Jhade. (...) Mãos se elevam em serpente e cortantes transformam em som o poder telúrico de seu ventre. Que os sons, manifestos em seu corpo, subam de encontro com o Eterno e sejam ouvidos além do tempo." (por W. Hassan)

A Dança dos Sete Véus tem sua origem em tempos remotos, onde as sacerdotisas dançavam no templo de Isis. É uma dança forte, bela e enigmática. Ela também reverencia à vida, os elementos da natureza, imita os passos dos animais e das divindades numa total integração com o universo. O coração da bailarina é tão leve quanto a pluma da Deusa Maat e é exatamente por isso que os véus são necessários, pois é deles que os deuses se servem para sutilizar o corpo da mulher. Os véus de Ísis, ao serem retirados, nos transmitem ensinamentos. Quando a bailarina usa dois véus, ao retirá-los nos diz que o corpo e espírito devem estar harmonizados. A Dança do Templo, que é usado três véus, homenageia a Trindade dos deuses do Antigo Egito: Ísis, Osíris e Hórus. A Dança do Palácio, com quatro véus, representa a busca da segurança e estabilidade e ao retirá-los a bailarina nos demonstra o quanto nos é benéfico o desapego das coisas materiais. Na Dança dos Sete Véus, cada véu corresponde a um grau de iniciação.

Os sete véus representam os sete chakras em equilíbrio e harmonia, sete cores e sete planetas.Cada planeta possui qualidades e defeitos que influenciam no temperamento das pessoas e a retirada de cada véu representa a dissolução dos aspectos mais nefastos e a exaltação de suas qualidades.
Significado das cores:

Vermelho: libertação das paixões e vitória do amor
Laranja: libertação da raiva e dos sentimentos de ira
Amarelo: libertação da ambição e do materialismo
Verde: saúde e equilíbrio do corpo físico
Azul : encontro da serenidade
Lilás: transmutação da alma, libertação da negatividade
Branco: pureza, encontro da Luz.

Toda mulher deixa transbordar seu essência através da dança. Todas aquelas emoções reprimidas, sentimentos esquecidos, afloram. Toda e qualquer mulher que consegue penetrar nos mistérios e ensinamentos dessa prática, se revelará de forma pura e sublime e alcançará o êxtase ao dançar.

Dançar é minha prece mais pura
Momento em que meu corpo vislumbra o divino,
Em que meus pés tocam o real
Religiosidade despida de exageros,
Desejo lascivo, bordado de plenitude
Através de meus movimentos posso chegar ao inatingível
Posso sentir por todos os corpos,
abraçar com todo
o coração,
E amar com os olhos
Cada gesto significativo desenha no espaço o infinito,
Pairando no ar, compreensão e admiração
Iniciar uma prece é como abrir uma porta
Um convite a você, para entrar em meu universo
O mágico contorna minha silhueta, ao mesmo tempo
Que lhe toco sem tocar
Nada a observar, só a participar
Esta prece ausente de palavras
É codificada pela alma
E faz-nos interagir, de maneira sublime e hipnótica
Quando eu terminar esta dança,
Estarei certa de que não seremos os mesmos.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O Lado Oculto de: A Dança do Ventre



A Dança do ventre foi um nome dado pelos franceses, para os americanos, Belly dance. No oriente chama-se Raqs el Sharke, que quer dizer dança do leste. A origem da dança do ventre é até hoje um mistério. A versão mais aceita entre os profissionais da área e antropólogos são os rituais de fertilidade realizados no Egito. Porém, alguns apontam para a Mesopotâmia o nascimento desta dança:


Deusa Inanna
"A dança do ventre é um ritual sagrado anterior à mais antiga civilização reconhecida históricamente, a dos sumérios em 6.500 a.C. Os sumérios que chegaram por volta de 3.500 anos a.C. às mesmas terras, vindos da Ásia Central - também reverenciavam a Grande Mãe, que se manifestava sob a forma da deusa Inanna."

Estes rituais de fertilidade podem ser encontrados em todas as culturas primitivas. Sabemos, através das pesquisas que a dança surgiu destas manifestações religiosas, porém, não podemos afirmar que dentro de todas estes rituais dos diferentes povos, a coreografia utilizada tenha sido comum e igual a dança do ventre que conhecemos hoje. Devido a isso, é errado dizer que a dança do ventre surgiu destes rituais de fertilidade. Porém, historicamente sabemos da invasão árabe no Egito e, como são eles os responsáveis por sua propagação, podemos afirmar então, que ela surgiu dos rituais de fertilidade realizados no Egito. Aproximadamente no ano 5.000 a.C (segundo papyros e hieroglifos em pedra), a dança era praticada por sacerdotisas nos templos em honra a deusa Mãe Ísis, pedindo fertilidade para as mulheres, animais, solo, etc.

Deusa Isis

As sacerdotisas dançavam para que os sacerdotes entrassem em transe e, na época de plantio, era comum o ato sexual entre eles como um ritual. Encontra-se ainda relatos sobre a origem dança do ventre no Egito criada por um escravo africano chamado Bes em homenagem a Hathor, outra deusa mãe. Esta era associada a fertilidade da terra.

Uma outra versão da dança no Egito é de os fenômenos da natureza terem sido associados a origem divina pelos antigos egípcios. Estes não compreendiam as alternâncias do dia e da noite e acreditavam que, no céu, vivia Nut, uma grande Deusa protegendo a Terra e parindo de seu ventre o Sol todos os dias e a Lua todas as noites. Mais tarde, a crença expandiu-se para as deusas Hathor, a mãe Vaca e Ísis, a deusa da Lua. Nos rituais em homenagem às deusas, nos templos de Ísis, eram praticadas danças que simulavam, através de movimentos e ondulações no ventre, a origem da vida.

Sobre Ísis encontramos hieroglifos gravados em pedra e seu santuário em Dendera e um templo na ilha Filas, onde sacerdotisas ainda resgatam seu culto. A religião da deusa foi a maior e mais antiga religião, praticada por povos primitivos. Segundo relatos de livros sobre este tema, a Deusa foi a divindade suprema durante 30.000 anos, reverenciada e conhecida sob inúmeras manifestações e nomes, em todas as culturas, originando as lendas e os mitos conforme os lugares e períodos de seus cultos.


Deusa Nut
Toda a dança sempre foi em algum momento um ritual religioso e desenvolveu-se para personificar os valores das culturas a que pertencia. Com o enfraquecimento do culto à Ísis a dança do ventre foi perdendo seu caráter sagrado e passou a servir como atração em palácios e festas populares. Por volta do ano 650 d. C. os árabes invadiram o Egito e à dança do ventre eles acrescentaram seu caráter festivo, tomando-a como costume e sinal de celebração e sorte em suas festividades em geral.

Os árabes, povo nômade por sua característica de mercadores, foram os responsáveis pela divulgação da dança do ventre pelo mundo. Logo, a dança do ventre seria confinada em palácios e haréns, este fato segmentou suas praticantes em awalim (mulher versada em artes, apresentavam-se mais cobertas) - bailarinas de elite, apresentavam-se somente em palácios e grandes haréns e as ghawazee (plural de bailarina profissional - ghaziya). Estas eram mulheres exóticas com cabelos tingidos de hena. Segundo Wendy Buonaventura as ghawazeee originais eram ciganas. Pois o significado de ghawazee é " invasoras", ou seja, tribos que não eram do Egito.


Deusa Hathor
Até hoje as bailarinas profissionais são estrangeiras em sua maioria pois, pelo costume , uma mulher de família não deve se expor. As ghawazee dançavam nas ruas, prostiuiam-se para manter os templos à Ísis, e algumas eram até vendidas como escravas pelos árabes.

Em 1799, sob o governo de Muhammad Ali, as bailarinas foram pela primeira vez, proibidas de dançar nas ruas, sob pena de 50 chicotadas. Mais tarde, quando Napoleão invadiu o Egito, as bailarinas dançavam para entreter os soldados franceses, equilibrando suas espadas, em troca de dinheiro para manter os templos. Os generais proibiram suas apresentações, porém muitas bailarinas não obedeceram e quase 400 foram decapitadas.

Outras foram salvas pelos próprios soldados que as levaram para a França. Prova disso é o quadro "Odalisque" de Renoir retratanto uma bailarina.

Quando Napoleão inaugurou a Era Orientalista o interesse do ocidente pelo mundo árabe causou constantes apresentações em eventos para estrangeiros. Em 1893 houve um grande festival em Chicago onde Fahreda Mahzar (Síria) encantou o público com sua dança. A partir daí surgiram várias imitadoras que deturparam a dança do ventre e a propagaram erroneamente.
Logo, várias bailarinas saíram do Oriente em busca de trabalho, muitas de origem simples, algumas expulsas de casa. Porém Armen Oharian (Armênia) foi uma exceção, proveniente de família próspera, culta optou pela dança abandonando seu casamento. Foi uma grande bailarina profissional que trabalhou para manter o estilo da dança do ventre em sua forma original, embora lamentasse que as ocidentais jamais entendessem o sentido real desta dança.

Odalisque
Anos mais tarde, com o surgimento da escola Isadora Duncam, sua aluna Ruth St. Denis foi uma profissional dedicada a criação de uma nova dança.Várias bailarinas americanas diziam-se descendentes de árabes para darem maior credibilidade a seu trabalho, dentre elas Mata Hari, dizia- se descendente de uma dançarina de um templo distante no oriente.

Seu sucesso fez surgir várias imitadoras que acabaram por ultrapassar sua vanguarda. Logo a dança do ventre seria tema de filmes de holywood agregando a seu contexto coreografias e acessórios. Nos filmes de Oscar Willde destaca-se Ali Babá e os 40 ladrões, com a participação da bailarina oriental Samya Gamaal. Sua entrada para o cinema acrescentou a ela influencias de ballet clássico, jazz e dança espanhola e indiana.

Hoje a Dança do Ventre apresenta-se como um caminho para despertar o corpo, a mente e a alma, numa expressão pessoal de sensibilidade, beleza e harmonia que se reflete em cada corpo que dança.

A verdadeira dança do ventre não deve ser confundida com a imagem publicitária que faz da bailarina um objeto sexual. A sensualidade existe, sem dúvida, mas envolta num clima de magia e misticismo sublimes.
Fonte de pesquisa:  Flor de Cabelo


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Meditando com mantras


A palavra mantra, em sânscrito, antigo idioma da Índia, é composta pelas sílabas man (mente) e tra (entrega). Tem origem nos Vedas, livros sagrados indianos compilados pela primeira vez em 3000 a.C.
Entoar mantras é uma forma de meditar. De buscar sintonia e ajuda. Para que qualquer mantra tenha efeito, é necessário que o praticante entre em contato com a proposta vibracional e de sintonia de cada mantra.
A pronúncia correta já pode provocar uma conexão, mas geralmente não é o suficiente. Não adianta ficar rezando uma oração ou entoando um mantra e ficar pensando em outra coisa, ausente, disperso, robótico. É primordial conectar-se, sentir, ESTAR, para ativar a ligação energética que contém cada mantra.
Um mantra específico poderá conectar o praticante com um mestre que esteja na mesma frequência, e colocá-lo em sintonia com os pensamentos e sentimentos gerados durante milhares de anos, por vários mestres e praticantes, etc.
Pronunciados verbalmente, atento aos momentos de inspiração e expiração, funcionam em paralelo como excelentes exercícios respiratórios, que podem nos levar a um estado alterado de relaxamento e consciência. Embora esta seja a forma indicada, os mantras podem ser vivenciados somente com sua audição ou um cantar interno e silencioso. O mais importante é a força mental e o sentimento de respeito e gratidão quando vivenciado.
A seguir encontram-se alguns mantras mais conhecidos para a complementarão com a Alimentação Desintoxicante ou com terapias complementares como a Aromaterapia, a Terapia Floral ou a Terapia do Riso. Portanto, o ideal é que se combine o mantra com outras técnicas terapêuticas, para se extrair o máximo possível dessa prática. Até porque, após  entoar  um mantra a prática de dinâmicas saudáveis se torna mais desejável e prazerosa.
Lembrar que estas palavras - normalmente em sânscrito - têm um significado muito forte, que vem sendo utilizado há milhares de anos, o que nos leva a pensar apenas em sentimentos e pensamentos elevados ao utilizá-las.
Do ponto de vista fisiológico, os harmônicos vocais, criam mudanças no batimento cardíaco, na respiração, e nas ondas cerebrais da pessoa que os entoa, alterando a consciência e fazendo com que o praticante se torne receptivo às viagens espirituais. Pode ser que certas porções do cérebro ressoem e sejam ativadas por estes sons, liberando certos hormônios e ativando processos neuroquímicos que propiciam estados alterados, mais criativos, inteligêntes e saudáveis.

- OMMM ou AAAUUUMMM. O verbo divino, o mantra supremo da criação. Bom para qualquer prática espiritual.
- TELESMA TELESMA. O fogo que traz a vida. Bom para ativar os chacras umbilical e cardíaco.
- BO-YANG BO IANGO. Nome hindu de Lao Tse. Vibrado dentro da testa, aumenta a concentração.
- ARUNDHATI ARUNDHATI. Deusa hindu da estrela da manhã, aquela que inspira boas ações. Traz muita calma, paz e boas inspirações. Entoar no cardíaco.
- OM NAMAH SHIVAYA OOMM NAMA SHIVAYA. Mantra de evocação do Deus Shiva "O transformador". Traz mudanças para a vida.
- HARMONIA HARMONIA. Viver em equilíbrio. Traz clareza mental, acalma, reduz o estresse e equilibra as emoções. Vibrar este nome no centro da cabeça.
- PULASTYA PULASTYA. Grande sábio hindu. Traz a conexão com o mestre e ativa o chacra coronário.
- ATRIATRI. Grande sábio hindu. Traz a conexão com o mestre e ativa o chacra frontal.
- ANGIRA ANGIRA. Grande sábio hindu. Traz a conexão com o mestre e ativa o chacra laríngeo.
- PULAHA PULAHA. Grande sábio hindu. Traz a conexão com o mestre e ativa o chacra cardíaco.
- KRATU KRATU. Grande sábio hindu. Traz a conexão com o mestre e ativa o chacra umbilical.
- MARISHI MARISHI. Grande sábio hindu. Traz a conexão com o mestre, ativa o chacra sexual e remove dificuldades.
- VASHISHITA VASHISHITA. Grande sábio hindu. Traz a conexão com o mestre e ativa o chacra básico.
- SHANTY CHANTI Paz, ou OM SHANTY PAZ DIVINA. Traz calma e paz interior.
- PAZ e LUZ, PAZ e LUZ. Saudação dos planos sutis "PAZ" significa equilíbrio emocional e "LUZ" significa equilíbrio energético. Possui uma egrégora positiva que é evocada e que manifesta em sua essência o desejo de viver em "PAZ" e de brilhar na "LUZ".
- OM GANESHA OOOMMM GANESHA. O filho de Shiva e o Deus do conhecimento espiritual, protetor dos sábios. Traz proteção, firmeza e remove obstáculos pela força do conhecimento.
- DWIDJA DWIDJA. Aquele que é duas vezes nascido. Promove a projeção astral consciente. Entoar no frontal.
- CONSCIÊNCIA CONSCIÊNCIA. Busca da consciência cósmica. Aumenta a lucidez física e extra-física.
- YHWHIOD REI VOD REI. Um dos nomes ocultos de Deus.
- YAHWEH. Bom para qualquer pratica espiritual.
- KODOISH (3X) ADONAI TSEBAYOTH KODOICHE ADONAI. Saudação usada em planos superiores Santo, Santo, Santo é o senhor das Hostes. Traz vibrações elevadas. Ajuda em processos de cura e eleva a consciência.
- AIN SOPHAIN SOF. Luz divina ilimitada. Ativa os corpos sutis.
- ADONAI ADONAI. Senhor, saudação a Deus. Conecta com o EU Superior.
- OM MANI PADME HUM, OM MANI PADME HUM. Salve a jóia que vibra no lótus. Mantra da compaixão divina. Melhora a qualidade dos sentimentos.
Clique aqui e ouça os mantras cantados pela cantora indiana Meeta Ravindra. Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para a alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida.

A saúde depende da respiração


Faz menos de um século que a grande maioria dos chineses veio a conhecer energia elétrica. Eles não tinham muito conhecimento nessa área mas há mais de três mil anos sabiam dos benefícios da respiração correta e da definição da energia universal: Qi, Chi, Ki or prana. Imagine os tibetanos, que desde 1948 estão sob ocupação e ainda vivem com lamparinas à base de óleo animal e vegeral, mas já tinham tratados de medicina, de fitoterapia e de psicologia. Essa informação serve para valorizar ainda mais todo o conhecimento sobre medicina em geral, vindo dessas civilizações antigas, repassado pelos xamãs, monges, monges-médicos, diretamente conectados com a espiritualidade porque não havia ciência do jeito que ela se define hoje no Ocidente. Isso é difícil de ser entendido por algumas camadas da sociedade brasileira, especialmente as elites da medicina oficial por causa de uma falha na nossa cultura, por causa da nossa idade: Temos cerca de 500 anos e não herdamos um conhecimento mais profundo dos nossos antepassados indígenas, que não conheciam a escrita, e já avançamos muito no conhecimento da energia como um todo, até nuclear, sempre importado, e ainda falta muito.
Eles sabiam o que era energia universal e a ela deram o nome de Chi ou Qi em chinês, ki em japonês e prana nas línguas indianas. O estudo do Qi é parte essencial da medicina oriental e de todas as terapias vindas do Oriente como acupuntura, Chi Kung (QiQong), Reiki, massagem medicinal, fitoterapia. Qi é a energia que vem do ar e alimenta a todos os seres vivos, inclusive plantas, minerais, animais. No ser humano, além do Qi que vem do ar e respiramos, existe o Qi herdado dos nossos pais, e o Qi de tudo que comemos ou bebemos – coisas fritas e supercozidas perdem o Qi. Cada órgão humano tem um Qi diferente, que interage com os demais. O Qi do ar e o Qi dos alimentos se misturam e então é chamado de Qi do Fogo (ou Fogo do Qi, o elemento Fogo). É o Qi do Fogo que nos faz viver e esse Qi precisa ter qualidade, tanto do ar que respiramos quando dos alimentos que ingerimos (e a relação com os cinco elementos). Pessoas que respiram mal ou não sabem respirar e ou comem mal produzem baixa qualidade de energia (Qi do Fogo) e assim se candidatam ao enfraquecimento e às doenças. Aqui os praticantes de Reiki logo compreendem porque a terapia precisa de uma iniciação: porque o KI do Rei-Ki é outra corrente eletromagnética de Qi, que só é repassada através da iniciação, feita por um mestre credenciado. Uma pessoa não-iniciada pode transmitir apenas o Qi do ar e dos alimentos, mas não o Qi eletromagnético da cura. Esse eletromagnetismo vem pelo ar e se transforma na mente. É é sutil, isto é, não é material, é transmissível e está relacionado ao espírito (Shen, em chinês). O praticante de Chi Kung, ou uma pessoa não iniciada em Reiki, pode transmitir energia para outra pessoa com a finalidade de equilibrar um órgão físico e essa energia é a que ele treinou através dos exercícios de Chi Kung, isto é, a energia Qi dele mesmo – do ar e dos alimentos. A agulha de acupuntura ativa a energia Qi física.
Quem não sabe respirar? Aquelas pessoas que respiram pelos pulmões! Sim, a respiração correta não é pelos pulmões e sim pelo diafragma. Todos os bebês nascem respirando corretamente pelo diafragma, isto é: quando respiram a barriga aumenta, quando exalam a barriga encolhe. São os pais e educadores que fazem a criança começar a respirar erradamente. Lembro das aulas de educação física, onde os instrutores diziam: respire, encha o pulmão de ar! A respiração pelo pulmão torna esse órgão deficiente nas suas principais funções, entre as quais, misturar o Qi do ar com o Qi dos alimentos e enviar essa energia para o coração (Qi do Fogo do Coração), que a transporta para todo o corpo. Este texto é para o público em geral, então não explicarei com detalhes esse processo que é mais complexo ainda. Basta saber que se a respiração não é realizada corretamente o dióxido de carbono que vem no ar e respiramos não é expelido corretamente pelo sangue e é revestido para o adoecimento. Quando o diafragma faz a respiração, a energia universal vital Qi percorre toda a circulação e alimenta todas as células e órgãos do corpo. Nunca é tarde para re-aprender a respirar usando o diaframa: respira e empurra a barriga para a frente. Expira e empurra a barriga para dentro. Com a prática o corpo reaprende e a diferença na qualidade de vida é enorme, inclusive mental. Deficiência respiratória, herdada ou nos idosos, é exatamente porque o pulmão perdeu a força e o diagrama nunca foi utilizado corretamente. Então, ensine às crianças a respirar. O pulmão é quem ajuda no movimento dos demais órgãos. É Qi quem comanda o sangue. A energia Qi percorre o sangue como se fosse uma aura. Quando Qi é eficientemente trabalhado entre diafragma e pulmão, a pele se renova e a imunidade aumenta. Quando Qi é deficiente afeta todos os líquidos do corpo: incontinência urinária (deficiência do Qi dos Rins), excesso de suor, inclusive noturno (deficiência do Qi do pulmão), corrimento vaginal (deficiência do Qi do Baço), problemas musculares. Depressão, ansiedade e problemas mentais estão diretamente relacionados pela deficiência Qi, por má alimentação e má respiração. Congestionamento das vias respiratórias deve ser tratado com fitoterapia e exercícios físicos ao ar livre, em área livre de poluição, e pode ter outras implicações, quase todas elas emocionais – falta de vontade de viver, medo, angustia prolongada… Má alimentação significa falta de frutas, verduras, legumes, proteínas cozidas. A respiração errada ou o congestionamento dos pulmões por ar impuro, fumaça, fumo, etc., é responsável por doenças degenerativas, envelhecimento, perda de memória,problemas emocionais profundos. Fumantes podem ter longa vida, mas sem qualidade, só vegetam. Daí porque viciados em maconha e em outras drogas são profundamente afetados na saúde mental e física. A emoção está diretamente ligada à respiração porque o nosso corpo foi feito para respirar oxigênio. A má respiração ou a falta de oxigênio gera confusão mental, insônia, pesadelos, sonhos em excesso, falta de clareza nos pensamentos, incapacidade de ver a realidade de si mesmo, dor-de-cabeça e irritação – o Fogo não circula corretamente ou simplesmente pára. A emoção também se relaciona com os órgãos internos, por exemplo: Raiva retira a energia Qi do fígado; Medo retira a energia Qi da Bexiga e dos Rins. Isto é, pessoa que tem infecção constante nessa área pode ter passado por traumas prolongados ligados ao medo. O Dr. Jwing-Ming, autor do livro “As raízes chinesas do Qiqong” diz que “para regular as suas emoções, a equilibrar a mente, e ter uma longa vida com qualidade, você precisa respirar corretamente”. Comece a treinar isso hoje e depois de diga os resultados positivos. 
José Joacir dos Santos

Alquimia Taoísta



 A alquimia taoísta é conhecida por muitos pela expressão "o amarelo e o branco". Longe de ser apenas uma expressão simbólica, ela significa tanto a transmutação dos metais em ouro, quanto o processo da alquimia interna. Por prática definimos aqui o tipo de alquimia que se serve da experimentação, seja com um laboratório equipado para tal, com retortas, fornos, alambiques, seja do tipo que se utiliza do corpo como laboratório. E é justamente deste segundo tipo de alquimia que falaremos aqui.
Esse tipo de alquimia, também é chamado de Yoga Taoísta (Qigong). Nos livros atribuídos à alquimia taoísta, é comum o uso das expressões como fornos e caldeirões. Muitos desconsideram essas alusões, por acreditarem tratarem-se apenas de analogia, descartando o resto como irrelevante. Mas é importante salientar que muitos textos usam tais expressões representando os caminhos dos Meridianos da Acupuntura ou ainda pontos específicos dentro do sistema de meridianos e da teoria dos 5 elementos. Um exemplo claro disso, pode ser visto num trecho de obra antiga: "Seja o Tai Hsu [O Grande Vazio] teu caldeirão; seja o Tai Ji [Princípio Dinâmico da Harmonia da própria Natureza] tua fornalha. Para ingrediente básico, toma a serenidade. Para reagente, toma o wu wei, a não-atividade. Para mercúrio, toma teus dons naturais [de Jing, Qi e Shen], para chumbo, toma tua força vital. Para água, toma contenção. Para fogo, toma meditação. Está escrito que o verdadeiro elixir assim composto, se de qualidade inferior, assegurará longevidade e manutenção do vigor juvenil; se de qualidade superior, habilitará o adepto a 'transcender o mundo dos mortais e atingir a santidade'".
Existem 3 tipos de energia poderosas permeando o universo: Jing, Qi e Shen. Tais energias representam o surgimento do ser no pleno vazio, a ascensão e o desvanecimento das dez mil coisas, como define o Tao Te King. Na sua forma original, tais energias são extremamente poderosas e puras, capazes de provocar transmutações profundas. No homem, no entanto, somente pessoas realmente iluminadas conseguem usar tais energias adequadamente.
O homem, assim como todas as coisas existentes, possui certa parcela de cada um desses 3 tesouros. No entanto, devido ao ritmo de sua existência e seu inerente desequilíbrio, essas energias tornaram-se grosseiras, e precisam antes de serem trabalhadas com propósitos de iluminação espiritual, serem novamente purificadas ou filtradas, de forma a retirar delas toda a ganga existente.
Abaixo, reproduzo uma tabela de John Blofeld, do seu livro "Taoísmo, A Busca da Imortalidade", que permite uma ligeira compreensão dos 3 tesouros a serem recuperados:







Os Três Tesouros
Jing (Essência)
Forma Rudimentar
Não exatamente idêntica, mas intimamente associada aos fluidos sexuais masculino e feminino, que o veiculam.

Forma Sutil
Interior, dá a matéria sua forma tangível e sua substância.

Forma Cósmica (Yang)
Pertinente ao cosmos, dá forma tangível ao que originalmente que era vácuo indiferente.

Qi (Vitalidade)
Forma Rudimentar
Não exatamente idêntica, mas intimamente associada ao ar que flui pelos pulmões, rins e poros, que o veiculam.

Forma Sutil
Vitalidade indistinta (exceto devido à localização temporária) de sua contrapartida cósmica.

Forma Cósmica (Yang)
Vitalidade cósmica vista como tê, virtude do Tao de que todas as coisas estão imbuídas.



Shen (Espírito)

Forma Rudimentar
Espírito ainda não depurado das impurezas dos sentidos e dos pensamentos errôneos.

Forma Sutil
Espírito impoluto, livre da contaminação das paixões e do desejo sensual.

Forma Cósmica (Yang)
Espírito cósmico, vazio puro, indiferente.


Nos textos taoístas, tais termos podem aparecer com um significado devidamente explícito, ou em outras vezes com significados mais nebulosos, sendo que nem sempre se consegue distinguir com clareza qual o sentido mais objetivo a que o texto se refere. Por isso no caminho da Alquimia Taoísta, assim como em outros caminhos da espiritualidade, surge a necessidade de um mestre, sem o qual, todos os textos tornam-se incompletos. As lacunas existentes são passadas oralmente de mestre a discípulo. Existem formas também para cobrir essas lacunas que dispensam um mestre em determinado ponto, porém, não trataremos dessas vias e de sua explicação neste breve ensaio.

A Teoria da Alquimia

Existem inúmeros textos que versam sobre a alquimia taoísta, mas semelhantes aos textos da alquimia ocidental, são textos cujo significado na maioria das vezes não é claro e compreende uma profunda compreensão cultivada anteriormente na longa jornada que conduzirá até a imortalidade. Como já dissemos noutro lugar, o conceito de imortalidade taoísta é um tanto diferente do ocidental, cuja definição de imortalidade é 'viver para sempre'. No taoísmo, define-se a imortalidade como viver plenamente, sem desejo, com qualidade, até o momento da partida. E nesse caso, os textos taoístas defendem que um ser humano consegue atingir a idade de 600 anos através dessas práticas. Logo, a imortalidade taoísta não é um 'viver eternamente', mas sim poder optar pelo momento de morrer. Ou seja, a morte é uma opção e não uma obrigação.
Ainda sobre a imortalidade, creio ser uma citação importante, uma conversa entre Blofeld e um eremita no inverno de 1935: "Tudo o que fazemos é cultivo. Quanto ao Yoga (Yoga Taoísta) e à meditação formais, praticamo-los nas primeiras horas do dia e à noitinha. Não há regras, portanto nada que bloqueie ou prejudique a auto-satisfação. O segredo consiste em sentir quando determinada ação é oportuna e concorde com o Caminho. É uma questão de... como direi?... Ah, sim, de aprender a ser!"
- "Não têm aborrecimentos, angústias?"
- "Senhor, deve estar brincando! Somos apenas humanos. Os males acontecem. Mas aprendemos que eles passam, como tudo passa. Quando estamos doentes ou sem dinheiro para as necessidades mínimas, sentimo-nos ansiosos; entretanto, com a repetição desses incidentes, aprendemos a aceitar o mal e o bem, a vê-los como são: partes do ser, que não se podem dispensar sem prejuízo para o todo".- "E quando fica doente, imortalidade? É difícil imaginar um imortal tossindo! A meu ver..."
- Ele riu: "Pior que isso, jovem. Os imortais não só adoecem, como morrem!Poderia ser diferente? Tornar-se imortal tem pouco a ver com as mudanças físicas, como o embranquecimento de um urso outrora negro; quer dizer, conhecer algo, perceber algo... uma experiência que pode sobrevir num átimo! Ah, quão precioso é esse conhecimento! Quando pela primeira vez o atinge, você sente vontade de cantar e dançar, sente-se à beira da morte, ou de uma grande explosão de riso! Porque, de repente, percebe que nada no mundo pode feri-lo. Rujam os trovões, fluam as torrentes, dêem o bote as víboras, chovam as flechas - você os espera sorrindo! Passa a ver o corpo como uma flor nascida para desabrochar, para dar perfume, para viver e morrer. Quem se importa com a peônia, que parece estar ali para sempre, para milhares de anos? Uma abóbora merece mais atenção. É bom que as coisas terminem por morrer, e não há nenhuma perda nisso, pois a vida é imortal e jamais cresce com os nascimentos nem definha com as mortes. Um objeto gasto é descartado, e a natureza o substitui facilmente. Percebe agora? Você não pode morrer, pois nunca viveu. A vida não morre, pois não tem começo nem fim. Tornar-se imortal significa apenas deixar de se identificar com sombras e reconhecer que o verdadeiro eu é a vida sem termo. Mas que tolice estou dizendo? Esperam-nos para a refeição, venha!" - Blofeld ainda completa: "Pela primeira vez na vida, percebi que um homem pode não ter fé na sobrevivência pessoal e, entretanto, reconhecer que, ao perder-se, nada se perde".
Devemos compreender que nos tornarmos imortais não por nossos esforços, ou como um prêmio, um êxito. Mas tornamo-nos imortais ao alcançar a harmonia - quiçá unidade - com o Tao eterno.
No Livro do Elixir Áureo, temos: "Com a transmutação do Jing (essência) em Qi(vitalidade), a primeira barreira é rompida, sobrevindo a perfeita serenidade do corpo. Com a transmutação do Qi em Shen (espírito), a barreira intermediária cai, sobrevindo a completa serenidade do coração. Com a transmutação de Shen em vazio, a barreira final desmorona, e a mente se une à Mente. Assim se compõe o elixir e se obtém a imortalidade. Tal a verdadeira significação [de tudo quanto foi dito e escrito a esse respeito] da sagrada prática de cultivar e nutrir [jing, qi eshen]; ela não diz respeito de forma alguma à composição de uma pílula concreta".
Num antigo texto esotérico, o autor busca explicar o real sentido de "misturar ingredientes para o elixir", dando outros sentidos para os termos alquímicos: "A serenidade é o principal ingrediente da alquimia, e não deve ser tomada na acepção de suprimir os sentimentos de sorte a tornar o indivíduo semelhante às pedras, às árvores ou à relva; que wu nien (literalmente, "não-pensamento") significa "pensamento real" ou pensamento igual à luz voltada para si mesma, fazendo com que o shen desperte o qi e o transforme em espírito-substância solidificado; que "chumbo" e "mercúrio" na verdade se referem a shen e qi, e que apenas nas formas inferiores do Yoga utilizam ingredientes. Prossegue ainda dizendo que, onde os textos falam em "macerar ervas para o elixir", o significado real é "controlar o corpo e a mente"; pois só quando a mente está calma ficarão completos Shen e Qi, prontos para a composição do elixir no cadinho do corpo".
O Regime: Preliminares para os 8 estágios
Nutrição do Corpo: "O fundamental é moderação em tudo. O alimento deve ser suficiente para aplacar a fome, mas não abundante nem por demais saboroso. Beba-se vinho, mas beba-se numa quantidade que não leve à excitação nem à vontade de cantar! A roupa deve ser adequada para a estação, nem muito leve no verão nem muito pesada no inverno. Quanto ao sono, a falta é tão danosa ao progresso quanto o excesso. Não se deve deitar-se nem levantar-se em horas irregulares, nem adormecer ao relento quando o sereno for forte. Relativamente aos banhos, diferentes escolas tem diferentes regras, mas deve manter-se um equilíbrio entre a higiene descuidada e o excessivo prazer de entrar na água. O exercício, embora bom, não deve ser violento nem conduzir à fadiga". - Ko Hung.
Um outro texto diz: "Os legumes, embora saudáveis, provocam estupidez; a carne, embora fortalecedora, faz engordar; os cereais, embora motivadores de sabedoria [alimento para o cérebro?], bloqueiam a longevidade; mas quem se nutre de Qi irradia luz pelo corpo e não morre nunca".
Existem 5 sacrifícios a fazer: "Apego à saúde e à fama faz mal - dispensa-o! Excessos de alegria ou de cólera perturbam a serenidade - dispensa-os! Forte apego aos prazeres dos sentidos produz desequilíbrio - dispensa-o! Preocupação com o êxito no cultivo do Caminho provoca o fracasso - dispensa-a! O desperdício do precioso estoque pessoal de Jing (sêmen) debilita a mente e o corpo - dispensa-o! Essas 5 formas de abstinência auxiliar-te-ão a viver mais - fica certo disso, mas não sejas tolo a ponto de julgar que te garantirão longevidade".
Respiração: O controle da respiração é fundamental em quase todos os tipos deYoga: chinesa, indiana, tibetana. Existem muitas teorias de como as doenças se instalam no corpo devido à respiração errada. Por exemplo, a respiração torácica leva à ansiedade e ao sentimento de aperto no peito. Deve-se respirar não apenas pelos pulmões, mas pelos poros e pelos rins. Segundo a Medicina Tradicional Chinesa, os rins são o primeiro órgão a se formar durante a gestação e a respiração do bebê no ventre materno se realiza pelos rins, não pelo pulmão, que só começa a funcionar após o nascimento. Para uma prática regular de respiração deve-se manter uma dieta leve, com legumes frescos.
Para os horários das práticas, as horas que medeiam da meia-noite ao meio-dia são favoráveis à prática da respiração; as horas entre o meio-dia e a meia-noite não o são, pois é quando "o qi expira".
Exercícios: Existem muitos exercícios que poderiam entrar nessa classe. Talvez o mais comum seja o Tai Ji Chuan. Mas o Tai Ji seria muito mais aplicado à arte marcial propriamente dita do que especificamente à alquimia taoísta, embora seja também uma técnica de longevidade. E é claro, existe o Qigong, que é a YogaTaoísta em si. Os exercícios podem ser divididos basicamente de dois tipos:Daoyin - exercícios de alongamento dos meridianos, e Neiqi, ou trabalho interno. O segundo, Neiqi, normalmente se caracteriza pela quase ausência de movimentos externos, e representa um tipo poderoso de Qigong, cujo objetivo é o desenvolvimento espiritual, em seu último estágio.

Os 8 Estágios da Alquimia Taoísta

A verdadeira imortalidade: O Qi amplia-se pela interação de Jing, Qi e Shen. No entanto, cabe comentar que essa ampliação implica um processo demorado e grande dedicação por parte do adepto. Mesmo a prática diária dos exercícios (Qigong), não são suficientes para fazer toda essa ampliação. Logo, ter sempre em mente as preliminares descritas acima como parte desse processo. A partir dessa interação e da ampliação do Qi, torna-se em espírito-Yang (Shen cósmico puro), transcendem-se as limitações físicas, e ocorre o mergulho na ilimitada fonte do ser.
"Enquanto a vida permanece, o espírito pode abandonar a carne a seu talente. Após a morte, regressará à fonte, misturar-se-á a ela e viverá para sempre. Se esse estado não for obtido em vida, as almas gêmeas acabarão por se extinguir, embora possam sobreviver em espírito por algum tempo. As folhas amareladas do outono não vivem muito depois de separadas do tronco nutriz, nem pode a árvore durar mais que alguns séculos".
A base: Existem naturalmente 2 seqüências. Conforme o Tao Te King: "O Um [Tao], dá nascimento ao dois [yin e yang], o dois, ao três [shen, qi, jing], o três, às miríades de objetos". Nesse processo, o vazio torna-se espírito. O Espírito torna-se vitalidade e vitalidade torna-se essência. E finalmente, a essência em forma. Ou seja:
VAZIO -> ESPÍRITO -> VITALIDADE -> ESSÊNCIA -> FORMA
ou ainda
TAO -> SHEN -> QI -> JING -> MIRÍADES DE COISAS (OU 10 MIL COISAS)
Quando o Shen é controlado, preserva-se o corpo físico, nutre-se o corpo para transmutá-lo em Jing, acumula-se Jing para transmutá-lo em Qi, e transmutam Qi para gerar o Shen, e transmuta-se o Shen para voltar ao Vazio (Tao), e é quando o elixir está destilado. Logo, é preciso ter essas 3 energias em abundância.
Desde o início o macho e a fêmea devem preservar a vitalidade sexual pela contenção das emissões, de modo que o Jing, tanto grosseiro quanto o sutil, sejam preservados. Dessa forma, o Qi aumentará, e o Shen florescerá.
No processo da alquimia taoísta, podemos dizer que os passos se encaminharão mais ou menos na seguinte seqüência:  à medida em que as energias forem preservadas e cultivadas, o corpo se fortalecerá, desaparecem as doenças, a mente se torna mais clara e atenta, a pele rejuvenescerá e retorna também o vigor para o corpo. Logo, o processo se conduz pela observação dos seguintes pontos: A Conservação assegura a abundância do Jing, Qi e Shen. A Restauração recupera as deficiências e a Transmutação leva ao Vazio. Esta ocorre em 3 estágios -> O Jing, Qi e Shen à contrapartida sutil; do sutil para o puro Yang-Shen; e daí para o Vazio (Tao).
Nos casos em que o processo é iniciado tardiamente, a energia desperdiçada anteriormente pode ser restaurada pelos métodos apropriados.

Vamos agora à descrição detalhada de cada um dos 8 estágios:

1. Conservação do Jing: Torna-se necessário evitar o desperdício do sêmem. Muitos autores ocidentais postulam a necessidade de erradicar o prazer e o desejo, no entanto, depois de muita prática, percebemos que o objetivo na verdade, não é erradicar ou banir o desejo e o prazer, mas evitar o excesso de ambos. Apesar de ser outra corrente filosófica, esse pensamento assemelha-se ao Caminho do Meio do Budismo. A melhor definição que talvez possa descrever isso é: desejar, mas não demais. Ter prazer, mas não demais. Pois o segredo é o equilíbrio e a harmonia, não a ausência, pois seguindo o princípio do Tai Ji (o famoso símbolo do Yin/Yang que mostra a concorrência das energias), tudo busca um equilíbrio. Assim a ausência absoluta do desejo e do prazer, só podem conduzir à busca desenfreada dos mesmos. O intercurso (relação sexual) não é mal ou ruim, mas pode levar ao desequilíbrio se for descontrolado. No texto Instruções Secretas para a Composição do Elixir Áureo é dito que:
"Quando a pessoa está tranqüila e contém seus desejos, Jing e Qi sobem dos três receptáculos [Dan Tien Inferior, Médio e Superior] e correm através de canais psíquicos; o ato sexual, entretanto, suga-os para as 'portas da vida' (entre os rins), de onde são ejaculados. Mesmo na excitação involuntária agita-se o fogo nas 'portas da vida' e o Jing e o Qi transbordam; a menos que sejam forçados a voltar, haverá perda como se a ejaculação realmente acontecesse".
"Só homens de raro talento podem entregar-se ao perigoso ioga do cultivo dual (com parceiro sexual). Pessoas menos bem-aquinhoadas acabam por exaurir sua cota de Jing e Qi, comprometendo a saúde e vendo-se forçadas a abandonar para sempre a tarefa sagrada de criar um corpo imortal. Ao fim, tornam-se meros libertinos, votados à extinção - e a isso chamam cultivo do Caminho! Seria risível, se não fosse lamentável".
Evitando qualquer excesso tanto de um lado como de outro, Sun Szu-Mo aconselha: "Para jovens de vinte anos, uma emissão a cada quatro dias; para homens de trinta, uma a cada oito dias; para homens de quarenta, uma a cada dezesseis dias; aos cinqüenta anos, basta uma emissão a cada vinte e um dias. Evite-se toda emissão após os sessenta anos; não obstante, um homem ainda robusto depois dessa idade pode-se permitir uma mensalmente, apesar de se esperar dele, a essa altura, pensamentos mais tranqüilos e total abstinência".
Aqui devemos fazer uma advertência no entanto, em relação oriente/ocidente e passado/atualidade. Devido à escassez de comida em tempos longínquos, higiene adequada, falta de serviços de saúde pública e água tratada, embora alguns possam defender que a vida era mais 'natural', viver também era mais arriscado, pois muitas enfermidades vinham da péssima condição de vida em geral. E foi justamente isso que levou os chineses a criarem a acupuntura e demais técnicas da Medicina Tradicional Chinesa, para preservação da saúde. E atualmente, apesar de dizermos que a comida moderna é pior para a saúde, existem muito mais opções saudáveis do que jamais houve sobre a terra em qualquer tempo sob qualquer condição. Portanto, algumas das observações sobre evitar emissões, se referem a pessoas que naquele período chegavam raramente aos 60 anos e quase nenhum aos 60 anos com saúde. Portanto, nesses casos, uma emissão associada a uma condição geral de vida ruim, certamente iria debilitar ainda mais o organismo. No entanto, na atualidade, as regras podem ser re-trabalhadas, de forma a se tornarem coerentes com a vida atual. Mas ainda assim convém observar uma coisa.
Nem todas as pessoas levam sua própria saúde a sério. Assim, aqueles que desejam dedicar-se a esta via sagrada, devem observar essas regras com cuidado. Pois se alguém trata seu corpo como um Aterro Sanitário, jogando ali dentro todo lixo que encontra no caminho, é claro que para esta pessoa, o processo de Restauração em si já é quase tão impossível de atingir como a própria imortalidade.
2. Restauração ou Reparação do Jing: Esse processo é necessário caso o praticante tenha tido perdas danosas antes da adesão ao processo alquímico. Logo, a observação contra os excessos de qualquer natureza aqui é de suma importância. Além disso, torna-se necessário 'Colher o Jing' (não confundir com 'Reunir o Jing' que é a mistura das essências do cultivo dual, entre parceiros). Para colher, é necessário evitar o intercurso sexual e bloquear o desejo, assegurando a tranqüilidade. Álcool e alimentos picantes devem ser evitados, porque o Jing (aqui significando sêmen), sendo secretado pelo sangue, deve ser nutrido, evitando-se a super-excitação. A cólera e outras paixões excessivas fazem o fogo Hsing predominar no fígado, afetando também outros órgãos como o coração; o álcool esquenta o sangue. Isso tudo é perigoso, devendo-se evitá-los. Temperos fortes como cebola e alho, devem ser evitados ou usados com parcimônia. Os exercícios adequados devem ser realizados juntos com a respiração, mas deve-se evitar chegar à estafa. Deve ser vigoroso, mas não extenuante.
3. Transmutação do Jing: Mais importante que a conservação e a reparação, a transmutação do Jing em Qi, é essencial para o processo alquímico. Ele torna-se a principal fonte de Qi. Sugerimos aqui a leitura do texto 'O que é Jing?' para uma compreensão dos diversos tipos de Jing. Deve-se evitar desperdiçar o Jing existente, equilibrar o Qi e estimular o Shen para que se torne cada vez mais límpido. Esvaziar a mente de pensamentos provoca o acúmulo de Qi e a produção de Jing. Havendo o suficiente, sua transmutação é fácil.
Quando desejos e sensações são dominados de modo que a mente, livre de pensamento discursivo, se torne semelhante a um lago sereno, então o Yang-Qise consolida e nutre o Jing sutil, produto da transmutação trazida pela perfeita serenidade, pelo vazio perfeito; simultaneamente, a consolidação do Shen deve ocorrer pela contemplação da luz que emana da área conhecida como "preciosa polegada quadrada". Nada de conceitos! Nada de pensamentos! Quando a mente está vazia, o Shen se consolida e a energia Yang do Céu penetra. Eis a base do Qigong. Na ausência da serenidade, todo o resto é inútil!
"Meu pensamento não se volta para fora,
Nem há, por dentro, guarida para ele;
As miríades de coisas se aquietam em repouso
E meu ser inteiro no nada se dissolve!"
Yuan Liao-Fan sugere uma prática que auxilia na transmutação que consiste em levantar-se à meia-noite, sentar-se na cama, segurar o escroto com uma das mãos e espalmar a outra mão sobre o umbigo. Não tendo havido ejaculação recente, o Yang-Qi na parte exterior chega ao ponto máximo entre vinte e três horas e uma hora da madrugada, quando o Qi do corpo e do Céu estão de acordo. Tendo havido emissão recente, esse período é retardado e flutua entre uma e cinco horas da manhã. Mas há casos em que nada ocorre, quando o céu e a terra não estão de acordo.
Em suma: aquiete-se o Qi para que o Shen se torne límpido; apanhe-se o yang-shen externo no momento em que seu fluxo chegou ao ápice; mentalmente, elimine-se o dualismo "eu/outros"; suste-se o fluxo de Jing rudimentar a fim de que o Jing sutil não diminua; obtenha-se a calma mental e contemple-se a radiância interior; então, o Jing rudimentar se transformará em Jing sutil no corpo do praticante, identificando-se com o Jing cósmico exterior. Há outros passos além desses, mas devem ser transmitidos apenas a iniciados.
4. Alimentar o Qi: É o vento que se agita dentro do caos anterior ao nascimento do universo (ver diagrama do Céu Anterior). Alimentar o Qi significa acumular um estoque do Qi sutil. A serenidade é a base de tudo. Além de acalmar a mente, deve-se manter a prática da respiração correta. A agitação da mente prejudica o acúmulo de Qi. A mente deve ser tranqüila e a respiração uniforme.
Existem 4 tipos principais de respiração: a leve, que é tão suave a ponto de tornar-se inaudível para o praticante; a longa, que são séries de respirações lentas, plácidas e contínuas; a profunda, que é orientada ao umbigo, com o ventre contraído e a uniforme, onde inspiração e expiração tem a mesma duração. O Clássico da Longevidade, recomenda: "Sente-se calmamente durante algum tempo. Deixe a mente tornar-se límpida, como na preparação para a meditação Chan (Zen), com os olhos fixos na ponta do nariz, e este alinhado com o umbigo. As expirações e inspirações devem ser tranqüilas, lentas, de duração uniforme, jamais ofegantes. Enquanto se expira, o Qi se eleva; enquanto se inspira, ele baixa. Não deve haver intervalos nem se deve prender a respiração. O ato de respirar deve receber apenas uma ligeira atenção, limitada a uma calma consciência da passagem do ar pelas narinas. Ainda assim, não se deve permitir que o sentido da audição se detenha em nenhum objeto".
Respirar como um bebê no útero significa que o Qi foi devidamente alimentado e transmutado, e que a respiração é tão suave e regular que dá a impressão de haver cessado. Ainda assim, com o tempo, a respiração normal às vezes cessa, sem causar morte ou mesmo desconforto, sendo o ar absorvido um pouco através dos rins e um pouco dos poros.
O Shen é a nossa natureza, o Qi, nossa vida.
5. Transmutar o Qi: Os iniciados aprendem a aumentar o calor interno com o qual se promove a transmutação do Jing, Qi e do Shen. Esse processo deve ser tentado apenas sob orientação de um mestre, dada sua dificuldade. Este estágio só pode ser ultrapassado ou sequer tentado após o acúmulo necessário de Qi exigido no estágio anterior.

"A lua cheia brilha
Na calma do vazio.
Quando o vento agitar
A superfície do lago,
Guarde uma gota no peito.
O parente do rubro sol saberá".

6. Alimentar o Shen: Por ser espírito, o Shen é o 'senhor do corpo', 'a mãe do elixir dourado' e outras denominações exaltadas. Segundo um dos clássicos do Imperador Amarelo, "alimentar o Shen constitui a mais alta tarefa; alimentar o corpo - apesar de importante - é secundário".
Num tratado antigo, atribuído a Hsi Wang Mu, é dito: "O modo de fixar [o shen] e [o] conservar consiste em saber o que é a felicidade [isto é], estar satisfeito com o suficiente, estar além da aflição causada pelo frio e pela fome, estar livre da servidão dos pensamentos ociosos - pois então surge o Qi com o qual a mente é alimentada. Pratique durante a vigília noturna, sem preocupar-se com posturas especiais. Cruze os braços, relaxe os membros, expulse os pensamentos ociosos, deixe que o corpo seja o único objeto da consciência. Então o shen será fixado, o qi corrigido e seu espírito se tornará imune ao envelhecimento e à morte".
7. Transmutar o Shen: O Shen grosseiro transmuta-se em espírito puro (Shen Cósmico).
Os cuidados foram banidos, as preocupações, afastadas; não há um só pensamento a agitar a tranqüilidade da mente - em tudo, apenas a sagrada radiação"!
"O Yang-Shen transcende o mundo tríplice. [Com ele] vossa tarefa estará completa, vossa prática, realizada; e então ascendereis ao rutilante pálio do céu". - Livro do Elixir.
8. Transmutar o Shen esvaziado para torná-lo um com o Vazio (Tao): Tendo purificado e transmutado nosso estoque de Shen de modo a torná-lo idêntico ao vazio em sua natureza, o estágio final consiste em transcender a existência individual, em "voltar à fonte".
Shen esvaziado quer dizer mente ou espírito tão livre da servidão dos sentidos e dos dualismos como 'eu' e 'o outro' que a existência individual foi transcendida, salvo na medida em que o praticante ainda possui uma forma corporal individual (que só será descartada na morte). Por vazio entende-se 'o puro Yang', não o mero vácuo, mas uma plenitude indiferenciada, totalmente intangível, ou yang-shen sem forma. Quando alguns praticantes dizem "dar a luz à uma criança imortal", quer dizer: resumir ou voltar à natureza real e sagrada do ser original; o útero em que essa criança se forma nada mais é que o yang-shen original. Tendo atingido a perfeita serenidade, a mente mergulha no lago, isto é, no esplendor do shen concentrado. Agora de plena posse da natureza pura e sagrada do ser original, tranqüilo e auto-existente, o praticante não vê barreira entre ele e sua gloriosa meta final.
É porque as pessoas comuns não sabem transmutar seu shen que o shen não se congela num espírito-corpo, capaz de retirar-se do corpo carnal durante algum tempo e encontrar glorioso relaxamento na totalidade do ser. Os que disso são capazes constituem os verdadeiros imortais; seu "vôo" significa flutuar de vez em quando para diluir-se na condição primordial que se encontra para lá do universo da forma. Esse "vôo" constitui um estado de consciência no qual o sentimento do "eu" e do "outro", do céu e da terra desapareceu; nada existe senão o puro vazio, um oceano ilimitado de Qi, semelhante a um panorama de nuvens-formas em constante mutação. Tchuang-Tsé descreve esse estado como "diluição do vazio do yang-shen de alguém no vazio do Vazio original".
"Quanto ao estágio final, o objetivo é retornar à fonte através de uma apoteose, que pode apenas ser sugerida por palavras. O ego ilusório desaparece, e não obstante, nada de real é perdido. O espírito, liberto de suas peias, regressa ao Espírito, não como a gota destinada a formar uma insignificante partícula do vasto oceano, mas como o ilimitado retornando ao ilimitado. A consciência, agora livre, expande-se para abarcar - para ser - o universo inteiro! Pode por acaso, haver empresa mais gloriosa?
"A única alternativa é saltar sobre o dragão - há sempre um ao alcance da voz -, fazer a trouxa para uma jornada além do Sol e da Lua, e galopar diretamente para o seio do infinito". - John Blofeld
Por Anderson Rosa

sábado, 12 de maio de 2012

DEUSA SHECHINAH




A Shechinah é considerara como o "aspecto feminino de Deus", ou a "presença" do Deus infinito no mundo. Embora ela não apareça com este nome nos cinco livros de Moisés, os explicadores do Antigo Testamento referem-se a ela na interpretação do texto. Deste modo, quando Moisés encontra a sarça ardente, é dito a ele que retire as sandálias e prepare-se para receber Schechinah. Segundo os rabinos, a escolha do simples arbusto espinhoso como veículo de revelação foi feita para enfatizar a presença de Shechinah, já que nada na natureza pode existir sem ela.
Nos provérbios, somos apresentados à Mãe Divina como Chochmah (Sabedoria), que estava presente no momento da criação como consorte amorosa e co-arquiteta de YHVH, o nome impronunciável de Deus. Nesse retrato salomônio, ela se deleita com a humanidade e nos fornece sua sábia orientação no caminho da verdade e da justiça. Neste forma ela está relacionada com Sofia dos Gnósticos.
Essa associação com a humanidade foi enfatizada pelos talmudistas, que viam sofrendo quando os seres humanos erravam:
-"Atos de derramamento de sangue, incesto, perversão da justiça e falsificação de medidas fazem com que ela nos abandone."
Eles dizem:
-"O humilde fará com que a Shechinah acabe vindo morar na Terra. O maligno torna a Terra impura e provoca a partida de Shechinah." Na visão talmúdica, ações prejudiciais a outro humano fazem com que Shechinah fuja e suba para os Sete Céus.
Outra maneira de atrair a Shechinah para a Terra seria quando as pessoas necessitassem dela como consoladora. Os rabinos dizem que ela paira sobre a cama de todos os doentes e é vista pelos mortos quando saem do mundo e mergulham na grande luz. Segundo a tradição, a Schechinah aparece aos bons e justos na hora da morte, dando-lhes a oportunidade de ir direto ao centro da escada celestial em um momento de pura consciência, em uma fusão com o Divino.
A Shechinah também está ligada a expressões de amor humano, particularmente o êxtase romântico e matrimonial. É ela que abençoa o jovem casal; o brilho dos amantes é considerado reflexo de sua presença.
Dizem os rabinos:
-"Quando um homem e uma mulher são dignos, a Schechinah habita em seu meio. Se são indignos o fogo os consome.".
Existe aqui uma alusão a seu papel de Mãe Destruidora: às vezes ela é apresentada como aquela que pune a humanidade. Embora se faça referência a barreira de fogo e aos dois anjos que a acompanham, o conceito não é tão destacado quanto suas outras qualidades.
A primeira menção de Shechinah em escritos judeus foi durante o Século I da nossa era. Inicialmente, seu significado se referia à manifestação ou aspecto que podia ser aprendida pelos sentidos. No entanto, a extensa mitologia relacionada com a imagem de Shechinah e da Shechinah-Matronit (manifestação mais popular de Shechinah) como deidade feminina não alcançou seu máximo desenvolvimento até a Idade Média.
O texto definitivo da cabala, o Zohar, se escreveu no século XIII, porém certas imagens cabalísticas remontam a Filão de Alexandria, o mesmo filósofo judeu que deu uma nova definição a imagem da sabedoria. Ditas imagens também receberam a influência de textos escritos durante os séculos VII e VII na Babilônia e Bizâncio e durante o século IX em Basora. Esses textos chegaram a Europa. de onde, no início do século XI, se converteram em fundamento da cabala que se desenvolveu nas comunidades judias da Espanha e do sudoeste da França. É interessante que a cabala voltaria ao Oriente Próximo como resultado da expulsão dos judeus da Espanha em 1492, quando grupos cabalistas se assentaram em Safed, Galiléa; a cabala se estendeu até a Ásia e a África, assim como à comunidades judias de outras zonas da Europa.
Este conhecimento recebido, ou Cabala, foi desenvolvido mais tarde pelos "pietistas" alemães dos séculos XII e XIII e alcançou seu auge com a cabalistas da Espanha e de Safed.
Foi este último grupo, que vivia num enclave espiritual no norte de Israel nos séculos XVI e XVII, que esboçou com muitos detalhes as qualidades da Mulher Divina (conhecido como a "árvore da vida" ou "árvore cósmica"), as dez "sefirot"(energias criativas) são igualmente equilibradas nos lados da árvore representando, um, as qualidades femininas e, o outro, as masculinas. Neste mapa da consciência, a Shechinah é muitas vezes identificada com Malchuth (soberania) na base da árvore cósmica, que representa a energia da terra.
O Baal Shem, mestre-escola do movimento do século XVII, acreditava que as preces das mulheres subiam direto a Deus.Reconhecia também a capacidade das mulheres para a profecia e atraiu muitas seguidoras do sexo feminino. Nos primeiros anos, quando o movimento era bastante radical, a abertura ao carisma espiritual das mulheres resultou no surgimento das "rebes", em sua maior parte filhas e esposas de grandes mestres. O carisma é uma das bênçãos da Shechinah, segundo o Talmud.
Os cabalistas identificaram Shechinah com o resplendor do Espírito Santo, o pleroma chamejante de que emana toda criação, incluida a alma humana. Esse Espírito Santo, resplendor ou "glória de Deus", que os cabalistas comparam a um vasta mar, foi a primeira criação ou emanação; dela fluem todas as demais criações ou emanações. A Shechinah é imanente à alma humana, como sua "base" divina ou "corpo" desses últimos, a presença sagrada sa "glória de Deus" que levam em seu interior. Na cabalística, como no misticismo critão e no islã, o matrimônio sagrado consiste na união da alma com este Espírito Santo.Através da luz radiante de Shechinah tudo se enlaça com os demais, como se estivesse conectado por uma madeixa luminosa de ser. Ain-Soph, o mistério inefável e indestrutível da base da vida, é tanto a fonte da madeixa como imanente a cada partícula e aspecto da criação, através de Shechinah. O que se chama natureza é, portanto, a epifanía do divino.
A Shechina se chamava rainha, filha e noiva de Yahvé; era, em conseqüência, a mãe de toda a alma humana, enquanto que na cabala era especificamente a mãe da "comunidade mística de Israel" e, em último instância, de todo o indivíduo judeu. Essas almas são "chispas" de chamejante Shechinah, "espalhadas" durante o exílio, que devem"reunir-se" de novo com sua fonte. A Shechinah era designada como "Éden Místico", uma presença envolvente, não um lugar, e também como "o jardim sagrado da maçã", o "grande mar" e a fonte que transmite a vida desde sua fonte não manifesta até sua manifestação. A vida ou a criação, é concebida na união divina entre Yahvé e Shechinah. Textos e mais textos se utilizam de imagens sexuais e a imagem da luz para mostrar como "o raio que emerge do nada semeia na "mãe celestial"....de cujo ventre as Sefirot (energias criativas) surgem, como rei e rainha, filho e filha.
Um dos textos fundamentais utilizados na Idade Média para contemplação da união da deidade Shechinah era o "Cantar dos Cantares". O bíblico Cantar dos Cantares apresenta uma voz feminina dominante (a esposa) e alude a rituais de fertilidade correntes no Oriente Próximo pré-judaico. A linguagem da época está carregada de imagens sexuais e relacionadas com a terra. O lugar que ele ocupa nas sagradas escrituras judias só se confirmou no ano 100, quando o Concílio de Jamnia concluiu que se tratava de uma alegoria da relação entre Yahvé e Israel.
Como os gnósticos em seu mito de Sofia, a cabala subtraiu o mito de exílio de Shechinah. Parece haver dois tipos de exílios conectados com sua imagem: o primeiro, mitológico, surgiu a partir da expulsão de Adão e Eva, quando Shechinah compartilhou com a humanidade o exílio do jardim. O segundo exílio foi "histórico" e parte específica da história do povo de Israel. No princípio, Shechinah ou "glória de Deus" habitava no tabernáculo; era a presença que cobria com sua sombra a arca da aliança. A precedia por dia embaixo da forma de uma coluna de fumaça e à noite como coluna de fogo. Mais tarde, a arca foi colocada no templo que conStruiu Salomão, e Shechinah habitou ali. No entanto, desapareceu quando se se destruiu o templo (586 a.C.), momento em que se perdeu a arca e os judeus foram aprisionados e levados à Babilônia; ao finalizar seu exílio, no ano de 538 a.C., não se voltou a reunir com eles em Israel. Não voltará até que se produza a vinda do Messias, e não pode voltar até que se reúna com seu divino noivo, restaurando-se assim a unidade rompida da divindade. A imagem do exílio, portanto, não se associa só com o feito de que não retornasse a Terra Santa, mas sim também com seu exílio longe da divindade; é como se o feito de ser imanente a criação a houvesse separado de sua "outra metade", sua fonte transcendente e cônjuge. Em seu exílio se dá o nome de "viúva", e de "pedra do exílio" (lapis exulis), a "pedra preciosa" e "a pérola". Algumas dessas imagens são a referência de deusas anteriores. A Shechinah chora, como chorou Raquel por seus filhos, enquanto aguarda que seu exílio chegue ao fim. A oração rabínica tem por objeto provocar este fim e apressar o momento do retorno. Enquanto dure seu exílio, a criação permanece separada da deidade transcendente.
Se acreditava que a causa de seu exílio cósmico era o pecado de Adão. Scholem explica em que consistia isso:
"As Sefirot (energias criativas de Deus) foram levadas a Adão sob a forma da árvore da vida e da árvore do conhecimento;...em vez de preservar sua unidade original, unificando assim as esferas de "vida" e "conhecimento" e levando a salvação ao mundo, este separou uma da outra e dirigiu sua mente até a adoração de Shechinah, e só dela, sem reconhecer que esta última estava unidas à outras Sefirots. Desta maneira interrompeu o manancial da vida, que flui de esfera em esfera e o trouxe ao mundo a separação e o isolamento. Desse modo se abriu uma fissura misteriosa na vida em ação da Divindade, que não em sua substância...Só através da restauração da harmonia original a através da redenção, quando tudo volta ao lugar que ocupava originalmente no esquema divino das coisas, "Deus será uno e seu nome uno".
Essa fissura separa Shechinah de Yahvé e a mantêm em estado de exílio, ao "romper" a cadeia que vincula a fonte com sua manifestação; quebra, portanto, a unidade da vida. Um dos efeitos foi o de "esparzir" a luz de Shechinah em incontáveis chispas, ou "scintillae", que conformam as almas dos seres humanos. Jung faz referência a esta imagem em sua análise da natureza da psique. A unidade da vida não poderá reestabelecer-se nem a Shechinah por fim a seu exílio até que estas voltem a reunir-se. O esparzimento de Shechinah parece uma condição do espírito em sua manifestação no mundo físico.
O aspecto de Shechinah que permaneceu exilado na terra com seu povo se chama a Matronit,; a própria terra lhe chamou de "a filha". Os membros menos sofisticados das comunidades encontraram na cabala uma figura materna compassiva com que podiam relacionar-se em sua vida diária e podiam pedir socorro em seu sofrimento. Sua profunda devoção era idêntica a da grande maioria dos cristão católicos manifestam pela Vigem Maria. A imagem de Shechinah como "Matronit" voltou a instaurar a antiga iconografia da Deusa Mãe. Aliás, a idéia da "Sagrada Família", isto é, dos quatro aspectos da divindade, se desenvolveu na cabala para incluir as quatro deidades, bem definidas, de pai, mãe, filho e filha. Se outorga assim a cada indivíduo uma imagem arquetípica de sua própria experiência da vida. A sexualidade formava parte das relações entre estas deidades; os seres humanos, ao imitar a união divina, haviam devolvido a estas últimas o sentido de sacralidade que se perdeu, segundo a crença, com a expulsão de Adão e Eva do jardim. Se trata de uma visão extraordinariamente equilibrada.
No lapso de uns poucos séculos, a cabala havia desenvolvido a imagem de uma Deusa que instaurava de novo muitos detalhes próprios da imagem anterior. Se ministrou um contraponto essencial a masculinidade rigorosa da deidade judia.
No entanto, a cabala, para Scholem "continua sendo, tanto do ponto de vista histórico como metafísico, uma doutrina masculina, elaborada por homens e para os homens. A longa história do misticismo judeu não mostra rastro algum de influência feminina. Não há mulheres cabalistas." Apesar disso, a imagem de Shechinah adquiriu uma importância vital para essa tradição, sem dúvida por insistência da alma, em última instância, na inclusão do arquétipo feminino. De maneira que a imagem da consorte de Yahvé e do matrimônio sagrado entre ambos se mantive vivo, a diferença do que ocorreu no judaísmo ortodoxo, que via na sabedoria um mero atributo de Deus.
Tomando os ensinamentos da Cabala e adaptando-os à vida da comunidade de forma mais igualitária, Hasiduth restaurou a crença na capacidade de cada indivíduo de ter acesso à Shechinah e trazê-la de volta à Terra através de ações pessoais. Os elementos principais dessa prática eram a meditação e a oração com "Kavannah" (profunda fé e intenção) e "devekuth" (apego a Deus), acompanhadas de uma vida acostumada a compartilhar em que prevalecessem a justiça, a misericórdia e a caridade. Foi adicionada a essa mistura a "persona" inspirada do "Tsaddik" (santo), que fornecia a inspiração aos devotos, facilitando e afirmando experiências pessoais do divino.
Professores hassídicos viam a Shechinah como a Deusa no exílio e associavam-na à redenção dos judeus.
A obra contemporânea sobre a Deusa Shechinah, chegou até nós através de mulheres judias. Algumas delas, estudaram textos sagrados hebraicos por conta própria, a partir de fontes secundárias. São em sua maioria, musicistas, dançarinas, contadoras de histórias, rabinas, terapeutas e curadoras, que primeiro desenvolveram seus "insights" e avançando sempre, adquiriram informações complementares sobre a energia "Shechinah".
Feministas judias contemporâneas tiveram de enfrentar o sexismo na vida e na linguagem religiosas, incluindo a exclusão das mulheres das profissões sagradas. Como resultado deste ativismo, portas importantes se abriram na última década. De forma cada vez mais intensa, a Deusa está emergindo, como Deusa Múltipla ou Deusa de Mil Faces.
Como esta nova geração está servindo de parteira para o renascimento de Shechinah, temos que nos familiarizar com alguns textos antigos e algumas orações que a invocam.
Embora esteja acontecendo claramente um renascimento da consciência da Shechinah, os conceitos sobre uma Deusa Judaica ainda não influenciaram o judaísmo em sua corrente principal nem o movimento da Nova Era, que tende a considerar o feminismo judaico como um paradoxo. Ainda é cedo para saber como esta consciência contemporânea da Shechinah será absorvida pelo judaímo e pelo crescente movimento da Deusa. Embora ela precisa ser relembrada, pelo menos nossa reconstrução da Shechinah se liga à tradição sagrada. Sua filosofia básica, a que a presença dela é necessária para trazer a totalidade de volta ao Planeta, também fornece ainda, uma filosofia viva para nossos tempos.

Rosane Volpatto