quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Deusa Mãe


 Segundo muitas crenças, a Deusa Mãe é o nível superior, tudo vem dela desde os homens até os outros deuses. Daí o ditado da Wicca que diz que “Todas as deusas são uma Deusa e todos os deuses são um Deus. A Deusa Mãe é a geratriz de Todo o Universo e de tudo o que ele contém, daí a frase: Tudo vem da Deusa e tudo para ela retorna.

Porque dessa Deusa ser supervalorizada pelos homens? Pois na maioria das crenças, ela é vista como a “Mãe Natureza” ou “Mãe Terra”, onde é um ser sagrado e que para recompesá-la como agradecimento, a fauna e flora são muito bem tratadas. Além da Terra, outro símbolo muito importante da Deusa é a Lua, onde se manifesta de três maneiras, na forma de Deusa Tríplice, sendo a Lua Cheia associada ao seu aspecto de Deusa Mãe.

Baseado no culto da deusa-mãe era mais que óbvio que o movimento feminista se aproxima da doutrina, o que aconteceu no final dos anos 60, à medida que as ativistas se foram apercebendo das novas propostas de valores sociais que se opunham ao caráter masculino das restantes religiões, onde Deus, os Papas, pastores e a maioria dos santos, profetas e iluminados são homens.

As religiões que se seguiram ao Paganismo apresentam, todas, um caráter masculino em que o homem é mesmo indiciado a exercer opressão sobre o que o rodeia, como se lê na Bíblia: “Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra” (Gênesis, 1:28).

Por seu lado, o paganismo, centrado na Natureza, valoriza os ciclos e a geração da vida. Sugere uma aproximação do matriarcalismo das primeiras sociedades humanas. A observação dos ritmos e da fecundidade da terra inspira respeito e propõe uma relação de cumplicidade entre masculino e feminino, simbolizada pela relação entre Deusa e Deus.


A deusa Durga é considerada como a deusa mãe suprema por alguns hindus.
O objetivo da identidade pagã é libertar homens e mulheres dos seus papéis rígidos e estereotipados para que possam viver em comunhão entre si e com o Universo.

O Paganismo é representado pela deusa Sheila-na-gig, deusa da fertilidade na mitologia britânico-celta, que tinha genitais proeminentes, representando a vida nascida da fêmea. Com o advento do Cristianismo, passou a ser descrita como um demônio feminino, e era retratada na parte externa das igrejas inglesas como símbolo do Mal. Algumas outras faces da Deusa são Lilith, Ísis, Deméter e Hécate.

A Deusa é também representada nos aspectos de Donzela, Mãe e Anciã, simbolizados nas fases crescente, cheia e minguante da Lua e o seu consorte é o Sol.

O Feminino Divino foi a imagem sagrada que manteve a humanidade ligada à Natureza e tornou-se sinônimo de fertilidade, sabedoria, harmonia, justiça e beleza. Durante o Neolítico e o Paleolítico, a humanidade viveu em harmonia mágica com o ciclo da vida, mas com o desenvolvimento da civilização, a Natureza passou a ser imaginada como uma força indomada a ser subjugada e controlada.

Foi nesse processo de separação que a unidade da vida se tornou dualidade, Espírito e Natureza, Mente e Matéria, Deus e Deusa. Deus foi identificado com o espírito, a luz, a mente criativa e o bem. À Deusa, foram associados a Natureza, a escuridão, o caos e o mal, associada à mulher pela ligação com os seus ciclos e pelo instinto.

As religiões foram retirando de si mesmas a dimensão feminina e para a doutrina Wicca, este fator veio provocar os problemas de medo, ansiedade, ódio devido à falta da imagem da Mãe.


Adaptado de: Blog Lua Mística