domingo, 14 de abril de 2013

Hipácia, uma grande Filósofa!



Disse o historiador Sócrates, o Escolástico em História Eclesiástica, escrita no século 15: "Havia em Alexandria uma mulher chamada Hipácia, filha do filósofo Theón, que fez tantas realizações em literatura e ciência que ultrapassou todos os filósofos da época. Tendo progredido na escola de Platão e Plotino, ela explicava os princípios da Filosofia a quem a ouvisse, e muitos vinhas de longe receber seus ensinamentos".
Não só a admiração do historiador Sócrates despertou esta mulher, mas de muitos outros... Nascida em meados do ano 30 DC,  foi filha de Theón, um grande matemático e diretor do Museu de Alexandria e foi neste ambiente que ela cresceu e se desenvolveu como um expoente do pensamento filosófico neoplatônico, considerada a ultima intelectual de destaque da capital egípcia, centro da cultura grega no antigo mundo helênico.
Ela ensinava em cursos fechados mas também fazia conferencias abertas que atraiam homens poderosos dentre eles Orestes, o prefeito da cidade.
Nascida numa cidade em que diversas religiões conviviam, ela era pagã, embora tivesse entre seus alunos, cristãos ilustres como Sinesio de Cirene que seria o futuro bispo de Ptolemaida. O contexto, no entanto, era de tensão politico-religiosa tendo relatos de hostilidades entre judeus e cristãos e entre cristãos e pagãos.
Daí que surge Cirilo, o radical bispo de Alexandria e sua sede de poder e inimigo do prefeito Orestes.
Em 413, o bispo Cirilo radicaliza cada vez mais, expulsando judeus de Alexandria. E aí, volta-se para a pagã Hipácia a quem considerava um empecilho para sua luta por poder, visto que ela tinha grande influência nas decisões de Orestes.
Resolve então lançar boatos sobre Hipácia dizendo ser ela uma bruxa, que usava magia negra para controlar Orestes e o boato foi avançando pelas camadas mais simples da população até que um dia, pessoas do povo, lideradas por um homem conhecido como Pedro, o Leitor, decidiu lincha-la.
E foi assim que surpreenderam Hipácia,  arrastando-a até a igreja de Cesárion (um templo de culto ao imperador romano Cesar) e arrrancando sua pele e carne até a morte, para depois arrancar-lhe braços e pernas e queimar em uma pira.
Assim morreu a primeira mulher matemática da História e que deixou pouco de sua obra escrita e deste pouco, tudo foi destruído posteriormente com o incêndio da Biblioteca de Alexandria.
O pouco que se conhece vem das cartas de Sinésio, ele, um bispo cristão, mas capaz de referir-se a uma pagã como "minha mãe, irmã, mestre e benfeitora".
Embora a idade média tenha passado a História como a Era das Fogueiras, mulheres já eram mortas como bruxas há muitos séculos antes.

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