sexta-feira, 26 de julho de 2013

COMO OBTER AQUILO QUE SE DESEJA


Vamos falar das nossas três colunas, ou as três energias-inteligência na lâmpada. A da esquerda é receber. A da direita é dar. E qual a força do meio? É a restrição — o poder de resistir ao fluxo imediato de energia que vai do mais para o menos. É por aí que se revela a Luz.

De acordo com a Cabala, o único caminho para a satisfação é ser parte deste sistema de três colunas, no qual você tem uma oportunidade de transformar seu Desejo de Receber Somente para Si Mesmo a atração gravitacional do “eu, eu, eu” — em Desejo de Receber com a Intenção de Compartilhar.

As leis do universo são simples. Toda vez que você recebe energia somente para si mesmo — toda vez que gananciosamente obtém energia sem aplicar restrição, sem dominar seu Desejo de Receber, sem dar algo em troca —, você recebe o Pão da Vergonha.

 Você receberá a energia e ela lhe dará satisfação por um momento, criando a sensação que deseja — mas depois vem o curto-circuito e, em vez de alegria, terá negatividade e caos na sua vida.

Esta é uma lei básica da natureza, assim como a lei da gravidade. Este mundo foi projetado para que compartilhemos tudo que recebemos. BilI Cates e sua mulher, por exemplo, colocaram este compartilhar em ação em larga escala estabelecendo uma fundação filantrópica para distribuir sua grande riqueza, em escala menor criando um lar e tendo filhos.

Em termos cabalísticos, fazer restrição significa receber com a intenção de compartilhar com outros e não somente para si mesmo. E ser espiritual significa estar ali para outros seres humanos quando eles precisam de você. Você está pronto para sair de sua zona de conforto para ajudá-los. É então que a Luz do Criador pode fluir através de você e criar milagres na sua vida.

O que isto significa em termos práticos, do dia-a-dia?
“Quero alguma coisa, então primeiro tenho que dar.”
“Quero que me ouçam, então preciso ouvir os outros.”
“Quero ser respeitado, então preciso respeitar.”
“Quero ser amado, então preciso dar amor.”

Quando você se preocupa somente consigo mesmo, o Criador não pode entrar. Afinal, você já tem quem cuide de você. É somente quando você se preocupa com os outros que o Criador enxerga as suas necessidades.

No Mundo Infinito, o Receptor original tinha tudo, exceto a oportunidade de fazer por merecer a Luz que recebia. Estava atolado no Pão da Vergonha, e por isso, como o filamento da lâmpada descrito anteriormente, ele resistiu ao fluxo de Luz e recuou.

Ele disse para a Força da Luz do Criador: “Pare. Não quero mais nada até que eu possa dar alguma coisa de volta.”

Quando você é proativo — quando repele e resiste ao Desejo de Receber Somente para Si Mesmo —, imita este processo da criação.

Mas podem acontecer determinadas situações na vida que colocam você sob pressão, levando-o a dizer: “Ah, é assim? E eu, como é que fico?” No momento em que você começa a se sentir no direito de alguma coisa, deixa de ser a causa, deixa de ser parte da Luz e passa a ser reativo a ela — um efeito.

Pense na sua vida. Quando você cede à gratificação instantânea e ao egoísmo, quando deixa de se esforçar, quando não liga o motor de arranque, ou não assume responsabilidade;

 quando simplesmente segue sua tendência natural e seus desejos imediatos, quando você tem preguiça ou procrastina — neste momento está agindo como a Luz?

 É óbvio que não. Em momentos assim, na Cabala, diríamos que você está desconectado da Luz. Você está agindo a partir do Desejo de Receber Somente para Si Mesmo — o centro de tudo é o “eu, eu, eu”.
O que isto traz para sua vida? Caos e escuridão.

O propósito deste mundo físico é o de retirá-lo do sistema das duas colunas de dar e receber e, através do livre-arbítrio, criar a terceira coluna.

Esta terceira coluna representa a idéia de ser proativo e não é física. É uma questão de consciência. É como o filamento — a resistência. Sua consciência ajuda a determinar quanta Luz seu Receptor pode receber.


Se sua consciência estiver voltada para o “eu, eu, eu”, sua capacidade de receber a Luz, seu Receptor, será bem pequena. Só cabe um. Mas se você pensar no bem-estar de todo o planeta, imagine o tamanho que seu Receptor pode ter. Este tipo de consciência é transformador. Cura as pessoas e lhes permite que sintam verdadeira plenitude.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

ALQUIMIA


Nigredo, Albedo e Rubedo
Alquimia é a arte e ciência que procura a transformação do corpo e da mente com a finalidade de converter, o indivíduo que a pratica, num canal cristalino para uma nova consciência. Essa consciência, diferentemente daquela que está presente no homem natural, outorga uma percepção do mundo na qual a unidade é a característica fundamental. O alquimista percebe o elo indivisível entre o Criador, o Universo e a Natureza Humana. Esse novo “estado de ser” foi conhecido pelos antigos como a descoberta e desenvolvimento da Pedra Filosofal.
Foi chamado assim, pois em hebraico, pedra é EBEN, sendo que a primeira parte da palavra constituída pelas letras Aleph e Beth formam a expressão AB que se traduz como “pai”. A segunda parte da palavra está constituída pelas letras Beth e Nun, as quais formam a expressão BEN que se traduz como “filho”. Dessa maneira, os antigos alquimistas ocultaram no simbolismo da Pedra Filosofal o conceito místico da união do Pai com o Filho, várias vezes repetido na Bíblia, tanto nas escrituras hebraicas do Antigo Testamento como nas grego-cristãs.
Esta é a Pedra Fundamental que na Bíblia é mencionada como “recusada pelos construtores”. Efetivamente, enquanto o ser humano comum pretende construir sua vida a partir dos efeitos do mundo sensorial, o alquimista reconhece o plano das causas, o nível espiritual profundo: a consciência. Sobre essa “rocha”, a mais sólida de todas, pois a consciência nunca muda nem se vê submetida às mudanças do mundo físico, o Filósofo da Arte trabalha sua personalidade, transformando adversidades em circunstâncias de crescimento favorável em todas as facetas de sua vida.
Uma vez atingida a Pedra Filosofal, isto é, uma vez reconhecido o foco de consciência interna ou o verdadeiro EU SOU em seu interior, o alquimista consegue transmutar o Chumbo em Ouro, isto é, mudar um estado de consciência limitado e pesado, em outro resplandecente e brilhante. Nessa “transmutação metálica”, o chumbo, metal associado ao planeta Saturno, representa o estado inferior, animalizado, no qual a consciência humana se vê limitada às condições de tempo e espaço. O chumbo é o estado de sofrimento produto da ignorância ao respeito de nossa natureza divina. O ouro, um metal solar, tem a conotação de integração, pois o astro central de nosso sistema planetário sempre representou a fonte de vida e regeneração da espécie humana.
Com esse poder renovador funcionando em seu interior, conhecido como a Medicina Universal, o alquimista pode, por meio da força do Amor Incondicional, integrar sua personalidade. Será graças à aplicação dessa força harmônica que chegará no ponto em que atingirá a perfeita saúde física e mental. Nesse estado o alquimista descobre o Elixir da Longa Vida, o reconhecimento de sua essência eterna e infinita, com o qual poderá recodificar seu próprio corpo físico, libertando-o da prisão da carne, isto é, dos resíduos da genética animal que o condena à morte e assim ao renascimento.
O objetivo final, que é a culminação do que se chama Grande Obra, tem lugar no momento em que sua integração com o Cosmos e o Criador é tal que seu corpo chega a um estado de total espiritualização. Em dito momento o alquimista se liberta e ascende, através dos planos de existência, em direção a um estado de ser onde as condições são de plena bem-aventurança em comunhão com o infinito.
Três são as etapas básicas no desenvolvimento alquímico. Neste ponto é importante ressaltar que existem diversas classificações, bem como diversas óticas no uso da Alquimia.
Existe assim, para resumir, uma Alquimia Interna e outra Externa. Neste texto estamos tratando a Alquimia Interna, isto é, aquela que transmuta a personalidade do alquimista. Uma vez realizada a Alquimia Interna se torna fácil entrar na Externa na qual o alquimista é capaz de modificar o “mundo material”. Literalmente, se for necessário, poderá transmutar chumbo físico em ouro. Mas isso nada mais é do que um símbolo da capacidade que o alquimista adquire em seu domínio do plano físico, o qual pode resultar milagroso para aqueles que não compreendem a raiz de seu poder.
Agora, voltando às etapas da Alquimia, podemos dividi-las em três: NIGREDO, ALBEDO e RUBEDO.
A primeira fase é a de ignorância e a do crítico acordar. É pela qual todos nós, em momentos importantes de transformação biológica, passamos de maneira natural. Nesta forma vem como nascimento e morte, ou bem aparece nas transformações que o corpo sofre na transição entre menino e adolescente, ou deste a jovem e daí à clássica crise dos quarenta ou à velhice.
Não obstante, o alquimista ativa, por seus próprios meios o processo de transformação mais importante: a morte do ego ilusório. Durante vidas nos identificamos a uma infinidade de conceitos e intentamos faze-los rígidos, estáticos. Refugiamo-nos numa torre de apegos que em vão tentamos defender dos estragos da mudança perpétua ao que se vê submetido o mundo material.
Durante essa fase, de autêntica putrefação de antigos padrões habituais de comportamento, perfila-se pouco a pouco o alvorecer de um novo estado, no qual nossa verdadeira natureza se revela.
Este é ALBEDO, palavra que provém do termo latino “Alba”. Saindo da escuridão das nossas próprias sombras, entramos na dimensão da plena objetividade, em que o momento presente surge como a única realidade na qual vivemos. Vivendo nesse estado o corpo se transforma gradualmente até chegar a uma completa regeneração que ocorre paralela à purificação da alma que nos leva a ALBEDO, pois mente e corpo são partes de uma realidade indivisível e o que sucede em um, tem seu reflexo no outro.
A regeneração, em seu momento definitivo, nos leva ao estado de RUBEDO, o “vermelho”. Neste estado a iluminação se faz patente, um mundo novo se abre ante o “olho interior” e o estado de consciência cósmica se estabelece definitivamente. É a fase de contato pleno com a eternidade e a retificação total da alma. A Grande Obra se vê cumprida e o alquimista, cheio de amor por todos os seres, dedica-se a emanar luz a seus colegas, contemplando-os compassivamente desde as alturas da mais alta realização.
Texto do frater Juan Carlos Romera