terça-feira, 25 de dezembro de 2012


Nem sempre o dia 25 de Dezembro foi dia de Natal. A origem da celebração deste dia parece ser muito antiga mas a filiação mais directa provêm, como tantas outras coisas, dos Romanos. Estes celebraram durante muito tempo uma festa dedicada ao deus Saturno que durava cerca de quatro dias. Nesse período ninguém trabalhava, ofereciam-se presentes, visitavam-se os amigos e, inclusivamente, os escravos recebiam permissão temporária para fazer tudo o que lhes agradasse, sendo servidos pelos amos. Era também coroado um rei que fazia o papel de Saturno. Esta festa era chamada Saturnália e realizava-se no solstício de Inverno.
Convém lembrar aqui que o solstício de Inverno era uma data muito importante para as economias agrícolas – e os Romanos eram um povo de agricultores. Fazia-se tudo para agradar os deuses e pedir-lhes que o Inverno fosse brando e o Sol retornasse ressuscitado no início da Primavera. Como Saturno estava relacionado com a agricultura é fácil perceber a associação do culto do deus ao culto solar.
Mas outros cultos existiam também, como é o caso do deus Apolo, considerado como "Sol invicto", ou ainda de Mitra, adorado como Deus-Sol. Este último, muito popular entre o exército romano, era celebrado nos dias 24 e 25 de Dezembro data que, segundo a lenda, correspondia ao nascimento da divindade. Em 273 o Imperador Aureliano estabeleceu o dia do nascimento do Sol em 25 de Dezembro: Natalis Solis Invicti (nascimento do Sol invencível).
É somente durante o século IV que o nascimento de Cristo começa a ser celebrado pelos cristãos (até aí a sua principal festa era a Páscoa) mas no dia 6 de Janeiro, com a Epifania. Quando, em 313, Constantino se converte e oficializa o Cristianismo, a Igreja Romana procura uma base de apoio ampla, procurando confundir diversos cultos pagãos com os seus. Desistindo de competir com a Saturnália, deslocou um pouco a sua festa e absorveu o festejo pagão do nascimento do Sol transformando-o na celebração do nascimento de Cristo. O Papa Gregório XIII fez o resto: é mais fácil mudar o calendário do que mudar a apetência do povo pelas festas...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A Lei do Compensação



 Quem ajuda os outros é ajudado, talvez amanhã, talvez daqui a mil anos, 
mas será ajudado. A natureza precisa saldar a dívida. 
É uma lei matemática e toda a vida é matemática.
 G. L. Gurdjieff

 A Lei da Compensação é a lei que nos ajuda a compreender a abundância e a lidar com questões financeiras. A Lei da Compensação é a Lei de Causa e Efeito aplicada às bênçãos que nos são concedidas.
 Enquanto a Lei de Causa e Efeito trata basicamente de acontecimentos, a Lei da Compensação trata dos ganhos materiais e espirituais que temos na vida. É na manifestação dessa lei que vemos os efeitos visíveis de nossos atos, em forma de dádivas, dinheiro, heranças, amizades e bênçãos.
 Muitos de nós,  não recebem essas bênçãos por causa das crenças conscientes e subconscientes que dirigem os acontecimentos da vida de cada um.
 Para atingir a mestria em relação a essa lei e receber a abundância, é preciso interromper a consciência de pobreza que vem do condicionamento desta vida e de programações de vidas passadas.
 É preciso abandonar as gravações dessas experiências e começar a ver o mundo como um lugar de abundância, onde há o bastante para todos.
 É necessário superar a programação do passado, que era alimentada por afirmações como:
- O dinheiro é a raiz de todos os males.
- Os ricos não podem ser espirituais.
- Ser espiritual significa renunciar ao dinheiro e às coisas da vida que nos dão prazer e conforto.
 Para interromper a consciência de pobreza, é preciso reprogramar a maneira de pensar, para que a mente consciente e a subconsciente não sabotem o que nos é devido. Neste caso, as afirmações são uma ajuda valiosa.
 Algumas pessoas são bem-sucedidas na vida porque fazem mais pelos outros e porque têm uma atitude que favorece o sucesso. Quem quer mais da vida deve dar mais e ter sempre as emoções, as palavras e os pensamentos corretos a esse respeito.
 A aplicação dessa lei nem sempre significa que você vai receber exatamente o que deu. Às vezes, você dá de uma forma (como dinheiro) e recebe a compensação de outra forma, como um belo presente ou um almoço pago por um amigo.
 Além disso, a lei é ampliada pela Lei do Retorno Décuplo. O que você dá, volta em formas que têm dez vezes o valor de sua dádiva.
 Há casos de acordos que modificam o uso dessa lei. Se você acha que deu mais do que recebeu, é possível que esteja pagando dívidas kármicas ou usando a lei como um plano de poupança.
 Neste caso, é possível que tenha feito um acordo no sentido de receber bem depois — até mesmo em outra vida. Talvez você esteja começando um plano de poupança de karma bom que vai lhe valer no futuro.
 Nunca perca a esperança em relação a essa lei, independentemente de como se sente. Mantenha a fé e saiba que ela é justa e verdadeira.
Não confunda a aplicação desta lei com os Testes de Iniciação. Às vezes, o que nos acontece parece ser uma punição, mas na realidade não é. Trata-se de um teste para fortalecer alguma fraqueza interior. O discernimento nos ensina a diferença entre essas duas coisas.
Observe: às vezes, o que parece ser o oposto de uma recompensa acaba se revelando como um incrível benefício, depois que a pessoa passa no teste e se torna melhor com a experiência. Paciência é a chave. Espere, e as dádivas serão reveladas.
A Lei da Compensação é uma extensão da Lei de Causa e Efeito, na medida em que reflete as “recompensas justas” ou “punições” que as pessoas recebem pelas sementes que semearam.
É uma lei precisa, com as próprias variações, que atua para dar a cada um mais do que se pode imaginar Isso ocorre quando a alma se alinha com o Eu Superior a serviço dos outros.
A Lei da Compensação envolve os atos de dar e receber É a lei que garante que cada vontade seja atendida por Deus.
 É a manifestação da Ordem Divina em todas as coisas e a lei que concede liberdade às mentes que trabalham para dissolver a consciência de pobreza e as necessidades insaciáveis.
 A lei é perfeita em seu desígnio. Diz, basicamente, que para tudo o que se dá haverá um retorno. Mas há uma particularidade dessa lei que nem todo mundo conhece.
 Essa particularidade é a Lei do Retorno Décuplo, segundo a qual, quando uma pessoa aprende a dar de coração, o universo retribui com uma dádiva dez vezes maior Isso apóia a premissa de que “é melhor dar do que receber”.
 Eu transmito este conhecimento de coração, Meus Caros. E é de coração que pergunto: “O que mais posso oferecer a vocês neste momento?”
 Feito isso, como minha atitude, minha motivação e meu coração estão alinhados com a verdade, revelo a vocês agora que serei recompensado dez vezes por esse oferecimento.
 Geralmente, a Lei do Retorno Décuplo só começa a funcionar quando a pessoa libera medos que enviam mensagens do tipo “o que tem não vai dar”. Outra condição que facilita a atualização dessa lei é a sintonia do campo áurico com as vibrações superiores de Luz.
Atingir uma freqüência mais alta na Luz eleva automaticamente o corpo, a mente e o Espírito a uma dimensão superior liberando assim a antiga programação que aprisiona a pessoa.
Não dá para separar as leis de sua influência num universo de Unidade, em que tudo é Um. Assim, é bom enfatizar que a compensação é também o reflexo do pensamento multidimensional de cada um. É o que diz o Mais Radiante, ao explicar que o homem se transforma naquilo que pensa.
Essa norma afirma que o que é colhido é ajusta consequência de tudo que é semeado. A Lei da compensação garante que tudo é justo e está em alinhamento com o Divino, pois as leis não têm preconceitos, tratando de maneira imparcial e indiferente todas as almas.
Cada alma é o próprio juiz no plano terreno, pois o livre-arbítrio estabelece as dádivas que serão concedidas a cada uma.
Outro fator que entra em justa compensação é o cumprimento de promessas e contratos feitos entre as vidas. Cada alma que vem à Terra recebeu uma missão de Deus, mesmo que não saiba disso.
Os contratos são firmados no etérico e revistos periodicamente em estados de sonho, estabelecendo padrões e medidas de desempenho para a pessoa encarnada. Quando as promessas são cumpridas, a alma é recompensada dez vezes. É essa a marca dos que possuem o “Toque de Midas”.
Quando a palavra não é honrada, a frequência vibracional tende a diminuir favorecendo os chamados “desapontamentos” e “frustrações”, que não são prontamente entendidos no plano da Terra.
Quando se entra em contato com a complexidade de todas as realidades dimensionais e frequências vibracionais que impactam a alma, é possível perceber que o alinhamento com a Luz do Eu Superior é a única maneira de sair da sujeição.
Tudo deve estar na verdade e na vibração mais alta para controlar o destino individual. A ligação com o Eu Superior e com a vontade de Deus garante paz, harmonia e uma vida realizada.
O livre-arbítrio é a dádiva de Deus à humanidade. Permite que todos escolham as próprias recompensas, com base na aplicação da integridade. A integridade é a chave que concede às almas que fazem a jornada espiritual as maiores dádivas e recompensas, tanto espirituais quanto materiais.
Quando a alma se sente incapaz de modificar os acontecimentos, evocar a Lei da Perpétua Transmutação de Energia Radiante (em cooperação com o Eu Superior) é a maneira de sanar a situação. Aplique essa lei e aguarde o retorno. Sua aplicação cria Ordem Divina, e a compensação que dai vem ultrapassa a compreensão.
Falando em compensação, outro aspecto importante dessa lei é o pagamento a si mesmo. Geralmente as pessoas dão aos outros e não a si mesmas,  o que demonstra falta de amor por si mesmas e cria um desequilíbrio nos campos que sustentam o fluxo natural de energia.
Todos devem aprender PRIMEIRO a se amar e desse estado mental todo o resto flui. Quanto mais você amar a si mesmo, mais amor terá para dar aos outros: será como uma taça sempre cheia. A taça que transborda é a taça do amor divino que se derrama no universo, tocando as vestes de todos os outros.
Quem não trata a si mesmo com a mesma benevolência concedida aos outros, vai criar um ciclo de privação. Para manter constante o fluxo de energia, são necessários atitudes, palavras, ações e pensamentos positivos.
 Os bloqueios criam iniquidades, embora da perspectiva universal as iniqüidades não sejam reais: são meras percepções. Todavia, tudo deve ser mantido em alinhamento com a harmonia e o amor e isso inclui o amor ao eu, contido no interior de cada um.
Compensar demais os outros é outro obstáculo ao delicado funcionamento desta lei. A psique humana é esperta e às vezes faz com que a pessoa acredite que quem dá mais tem mais valor Assim, dar passa a ser uma coisa boa e nobre na medida em que corrobora o autovalor.
Como já foi dito, dar, dar de coração, É uma coisa nobre e é A ação que garante a liberdade. Mas quando alguém dá pelo motivo errado, para compensar a falta de amor por exemplo, então as energias ficam bloqueadas. Para manter a energia equilibrada é preciso dar proporcionalmente a si mesmo e aos outros.
Equilíbrio! Equilíbrio! Equilíbrio! Esse é o único acesso para a mestria.  Se é o equilíbrio é mantido em todos os momentos, juntamente com a verdade e a integridade, então a Lei da Compensação será realizada.
Em honra do Deus interior Eu, El Morya, termino esta transmissão para o Divino. Vão em paz.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Deus-Natureza = Homem-Mulher




Deus casou-se com a Natureza e deu nascimento ao homem. O homem casou-se com a mulher e deu nascimento a Deus. A Natureza é o templo de Deus. A mulher é o sacrário que santifica esse templo.

Quem adora Deus na mulher não precisa ir a nenhum templo. Para descobrir os mistérios da Divindade é preciso penetrar, no coração da mulher porque, quando Deus emanou de Si a Natureza habitou em seu coração. Quem não ama a mulher não sabe amar a Deus. Deus quer o que a mulher quer.

Aquele que não mistura seu elemento com o da mulher nada pode criar de bom para si, nem para os demais. O homem é mente que pensa; a mulher, intuição que inspira.

Pensar é ter cérebro, intuir é ter coração; o cérebro trabalha, o coração adivinha.

O homem-Deus lança seus raios à semelhança de Júpiter. Minerva-mulher derrama a sabedoria.

Ele é a força e o poder, ela, o conselho e a previsão. A Força vence, a Sabedoria convence.

Ele franze o cenho e desencadeia a tempestade; ela sorri bondosamente e apazigua a tormenta.

Ele destrói com vingança, ela perdoa com clemência.

O homem é o Fogo Divino, a mulher é quem mantém e manterá nele esse fogo sagrado.

Os deuses falam pela boca da mulher e despertam no duro coração do homem os mais ternos sentimentos.

O império do homem é o despotismo, o da mulher é a doçura. O despotismo endurece o coração, a doçura abranda-o. Ele ordena, ela suplica. Ele é o tirano, ela o freio que lhe modera os impulsos.

O erro do homem é suavizado pelo pranto da mulher. Não há furor que se atenue ante a lágrima da mulher amada.

As gotas de orvalho dão nova vida às pétalas murchas das rosas; as lágrimas da mulher ressuscitam as qualidades mortas no coração do homem. Sorri o sol e dissipam-se as trevas do mundo; sorri a mulher e dissipam-se os íntimos sofrimentos de seu amado.

Se és homem deves divinizar-te por meio da mulher. Se és Deus deves humanizar- te por meio dela. Ela é o caminho de ida e volta. O homem diviniza-se na mulher; ela manifesta a divindade dele.

Em meio às suas tribulações, o homem tende a procurar a mulher como confidente e esta, mercê de seu poder espiritual, converter-se-á em sua melhor conselheira e enfermeira. Suas palavras são fonte de alívio, suas mãos manancial de saúde e de seu encantador sorriso emana a coragem.

A influência mental da mulher é invisível, porém necessária para a conservação da vida do homem, tal como o elemento feminino no reino vegetal, a fim de assegurar a reprodução das plantas.

O homem é o Rei da Criação, a mulher o mais sublime dos ideais. Como cérebro, o homem, à semelhança de um dínamo, fabrica força; a mulher, como coração, produz Amor. A força mata, o Amor ressuscita.

A palavra oriunda do cérebro fere; a do coração cura. O coração da mulher é a fonte da sabedoria e se tornará gênio aquele que beber de suas águas. O cérebro do homem pode dar origem ao gênio mas este não poderá voar, a não ser com as asas do anjo-mulher.

A força física do homem oculta a sua debilidade interna, a debilidade física da mulher serve de véu para esconder sua força ingente e intima. Todas as dúvidas e sofrimentos fogem ante a presença da mulher amada. Estás aflito? Recorre à mulher, que é o consolo dos aflitos.

Estás doente? A mulher é a saúde dos enfermos. És pecador? A mulher é o refúgio dos pecadores. És impuro? Lava-te nas lágrimas da mulher e te tornarás puro.

A mulher é a divina arte que nada imita mas explica a Divindade com símbolos. A mulher representa a mais elevada beleza de Deus. O amor a manifesta, o desejo mata-a. A mulher é o mais formoso pensamento do Absoluto que deve ser captado pela inteligência e não pelos olhos.

A mulher é a lei da Beleza e a lei deve ser obedecida, não infringida. A mulher é a religião da Natureza, cuja moral deve ser sentida e não murmurada. Deus é uma palavra misteriosa e a mulher seu significado.

Para conhecer a Deus é preciso conhecer-se a si mesmo. Para estudar sua Natureza é preciso estudar a mulher. O Absoluto só se manifesta através da Natureza. O homem só se manifesta através da mulher.

O homem precisa da mulher para sua liberdade. A mulher é o ponto de apoio sobre o qual o homem pode levantar o mundo. O homem em Deus é a Justiça; a mulher n'Ele é a misericórdia.

A mulher é a Árvore da Ciência do Bem e do Mal cujos frutos causam a morte ao libertino e vida aos parcimoniosos e prudentes. Ninguém se atreve a divulgar este segredo porque dele emana a morte.

Muitas vezes, porém, a ignorância é pior que a morte. Pode ser que o conhecimento conduza à loucura, na Sabedoria, produz o gênio. Existem cores e sons, o Amor é o segredo que os combina. Quem não sabe combiná-los é um morto-vivo e quem os combina ignorantemente estoura sua retorta.

Jorge Adoum (Mago Jefa)

domingo, 9 de dezembro de 2012

A Estrela Sirius



Sirius, uma das mais maravilhosas estrelas de nosso firmamento, possui sua aparente grande magnitude por causa do simples fato de que ela está a somente 8,7 anos luz da Terra. Ela emite 23 vezes mais luz do que o Sol e é 1,8 vezes maior do que ele. 
Comparada com outras estrelas como Rigel ou Beltegeuse, (da constelação de Orion) Sirius, no entanto, é relativamente pequena.
Porém a história desta luminosa estrela é bastante singular. No antigo Egito, a estrela Sirius era alvo de uma particular veneração e era representada pela Deusa Sothis, ou Isis Sotis, e pelo Deus Hermes Thot. Seu aparecimento no céu coincidia com o momento da cheia do rio Nilo ( aproximadamente 3.000 anos A.C.), no auge do verão, cheia que vinha trazer prosperidade e fertilidade às terras inundadas. Na realidade esta cheia coincide com o auge do verão no hemisfério norte e até hoje, quando um dia está demasiadamente quente, é usada a expressão "Está um calor de cão". Na antiga Roma, cachorros eram sacrificados em nome dela. O nome "canicula" para indicar um período de grande calor também tem esta derivação.
Sirius faz parte da Constelação de Canis Major (O Grande Cão) e faz par com a Constelação de Canis Minor (O Pequeno Cão). Os dois cães pertencem e servem o caçador celeste Orion.
Os astrônomos nos tempo antigos (1.500 A.C.) descreviam Sirius como sendo de luz avermelhada, uma luz mais vermelha do que aquela do planeta Marte. Atualmente a sua luz é absolutamente branca, como pode ser observado a olho nu no hemisfério Norte ao se olhar o céu num determinado período do ano.
Como pode uma estrela mudar a sua cor num período de somente 1,500 anos? Esta questão não encontrou uma resposta convincente até agora. O estudo das estrelas fixas é ainda uma grande charada para os astrônomos. Pois, apesar das estrelas passarem indubitavelmente através de diferente estágios, as mudanças de cor claramente visíveis de vermelho para branco, segundo as teorias recentes, precisam de centenas de milhares de anos para serem efetuadas, e não somente 1 milênio e meio.
Talvez a mudança misteriosa da cor de Sirius tenha algo a ver com a estrela companheira de Sirius, já que ela é uma estrela binária. No início de 1844 o astrônomo alemão Friederich Bessel notou que Sirius não se movia no céu de uma forma reta, como as outras estrelas fixas, mas sim seguia um caminho serpenteado. Bessel concluiu que Sirius teria uma companheira invisível cujos efeitos gravitacionais provocavam este comportamento. Foi somente em 1862 que esta companheira, chamada de Sirius B, foi realmente descoberta através de um telescópio e apareceu como um pequeno ponto de luz perto da luminosa Sirius A.
Na realidade, a descoberta desta segunda estrela, chamada também de Pup Star, apresenta um quebra cabeça para os astrônomos. Com base nos movimentos destas estrelas binárias, eles calcularam que Sirius A deveria ser 2,36 vezes e Sirius B 0,98 mais pesadas do que o Sol. No entanto, como a luz de Sirius B aparecia muito mais fraca que sua irmã maior (apesar de sua superfície ser extremamente quente), ela deveria ser muito menor, isto é, ela teria somente aproximadamente 18.000 milhas (30.000 km) ou aproximadamente duas vezes o diâmetro da Terra. Esta grande quantidade de matéria concentrada num espaço tão pequeno significa que a sua densidade seria muito maior do que se pudesse imaginar. Um centímetro cúbico de matéria feita com Sirius B pesaria mais de 150 Kg! Por isto Sirius B se tornou o primeiro exemplo de um novo tipo de estrela que seria mais tarde descoberta: as estrelas anãs brancas.
As características das anãs brancas são: tamanho extremamente pequeno (a menor conhecida até agora tem somente a metade do tamanho de nossa Lua), a temperatura de superfície extremamente alta, e a incrível concentração da matéria do que são compostas.

Sirius é a primeira estrela conhecida com absoluta certeza pelos hieróglifos egípcios, (e as vezes representada por um cão), e aparece nos monumentos e templos ao longo do Rio Nilo. Entre estes existem os Templos da Deusa Hathor, ou Isis Hator, que eram erguidos com orientação para a estrela Sirius. Os Egipcios acreditavam que Sirius detinha o destino de nosso planeta. É para lá que iam as almas dos Faraós e sacerdotes após a morte para "receberem instruções" e ganhar conhecimento. Alguns historiadores pensam que à partir desta estrela chegaram ao Egito os Deuses que ensinaram toda a sua sabedoria a este povo da antiguidade.
Uma antiga representação egípcia mostra a deusa Isis com a estrela Sirius, sobre sua cabeça e segurando o cetro wadj e o ank (da dilatação e da espiritualidade da vida), precedida por Orion, que segura o cetro uas (do fluxo da seiva) , enquanto olha para trás, para Isis, e apresenta a vida com a sua mão esquerda. Atrás de Isis estão representados Júpiter, Saturno e Marte. Todos estão numa barca que desce o rio Nilo, na direção do Oriente para o Ocidente.
O que aparece na figura, é que Isis retira o seu poder de Sirius (que está representada ao lado de outra pequena estrela, indicando que os Egipcios sabiam que esta estrela tinha uma companheira menor!) e que ela a transmite a Orion que por sua vez o transmite aos "filhos do Sol".
Sirius era também atribuída ao Deus Thoth, ou Hermes do Egipcios ou Mercúrio dos Romanos. Mas eu acredito que Mercúrio ou Hermes, eram simplesmente a ‘oitava inferior" do Deus Thoth, o Três Vezes Grande Hermes Trismegisto dos Egipcios, que sim seria representado pelo planeta Urano, que rege, entre outras coisas, a Astrologia.
Segundo os teólogos de Hermopolis, Thoth, ou Tehuti como o chamavam os antigos Egipcios, era o verdadeiro Demiurgo universal, o Ibis divino que chocou o ovo da humanidade na Hermopolis Magna. Este trabalho de criação foi fruto somente do "som de sua voz" (lembra o versículo da Biblia: Em princípio era o verbo...’). Os livros das piramides referem-se a ele como o filho mais velho de Rá, filho de Geb e Nut, ou irmão de Isis, apesar de que outros textos o descrevem como vizir de Osiris e de sua familha, e escriba do Faraó. Tehuti, ou Hermes, curou o filho de Osiris, Horus, somente com o seu sagrado alento, e era detentor de um conhecimento universal. Ele ensinava as ciências, a aritmética, a geometria, a música, a astronomia, as artes mágicas, a medicina, a cirurgia, etc., e nós encontramos tudo isto descrito e documentado nos monumentos e textos que chegaram até nós. Ele era venerado pelos Egípcios como um Deus auto-gerado e auto-produzido, isto é: ele era UM.
Ele efetuou os cálculos concernentes o estabelecimento do céu, das estrelas e da terra e ele era o coração de Rá (o Sol no Zenit) e seu mestre, seja no conceito físico que moral. Ele tinha o dom da "divina palavra".
Os escritores clássicos se referem a Thoth como sendo um estrangeiro que chegou ao Egito durante a Era Zodiacal de Câncer. Isto sugere que ele tenha sido um antepassado da família de Osíris e pode ter sido o primeiro habitante de Atlântida a trazer seu conhecimento ao Egito.
Hermes, o Três Vezes Grande, é considerado o patrono da Astrologia e os seus Princípios Herméticos, contidos nas Tábuas de Esmeraldas, e descritos no livro "O Caibalion" são a base de toda a interpretação astrológica séria.

Graziella Marraccini
Astróloga, Taróloga e Cabalista


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

CONHECE-TE A TI PRÓPRIO E SERÁS IMORTAL ...




“Alguns séculos antes de Cristo, vivia em Atenas, o grande filósofo Sócrates.
A sua filosofia não era uma teoria especulativa, mas a própria vida que ele vivia.
Aos setenta e tantos anos foi Sócrates condenado à morte, embora inocente.

Enquanto aguardava no cárcere o dia da execução, seus amigos e discípulos moviam
céus e terra para o preservar da morte.

O filósofo, porém não moveu um dedo para esse fim; com perfeita tranqüilidade e paz de espírito aguardou o dia em que ia beber o veneno mortífero.

Na véspera da execução, conseguiram seus amigos subornar o carcereiro, que abriu a porta da prisão.

Críton, o mais ardente dos discípulos de Sócrates, entrou na cadeia e disse ao mestre:

- Foge depressa, Sócrates!
- Fugir, por que? - perguntou o preso.
- Ora, não sabes que amanhã te vão matar?
- Matar-me? A mim? Ninguém me pode matar!
- Sim, amanhã terás de beber a taça de cicuta mortal - insistiu Críton.
- Vamos, mestre, foge depressa para escapares à morte!

- Meu caro amigo Críton - respondeu o condenado - que mau filósofo és tu! Pensar que um pouco de veneno possa dar cabo de mim ...

Depois puxando com os dedos a pele da mão, Sócrates perguntou:

- Críton, achas que isto aqui é Sócrates?
E, batendo com o punho no osso do crânio, acrescentou:
- Achas que isto aqui é Sócrates? ... Pois é isto que eles vão matar, este invólucro material; mas não a mim. EU SOU A MINHA ALMA. Ninguém pode matar Sócrates! ...

E ficou sentado na cadeia aberta, enquanto Críton se retirava, chorando, sem compreender o que ele considerava teimosia ou estranho idealismo do mestre.

No dia seguinte, quando o sentenciado já bebera o veneno mortal e seu corpo ia perdendo aos poucos a sensibilidade, Críton perguntou-lhe, entre soluços:

- Sócrates, onde queres que te enterremos?

Ao que o filósofo, semi consciente, murmurou:

- Já te disse, amigo, ninguém pode enterrar Sócrates ... Quanto a esse invólucro, enterrai-o onde quiserdes. Não sou eu... EU SOU MINHA ALMA...

E assim expirou esse homem, que tinha descoberto o segredo da FELICIDADE, que nem a morte lhe pôde roubar.

CONHECIA-SE A SI MESMO, O SEU VERDADEIRO EU DIVINO. ETERNO. IMORTAL..."
Assim somos todos nós seres IMORTAIS, pois somos
ALMA,
LUZ,
DIVINOS,
ETERNOS...
Nós só morremos, quando somos simplesmente ESQUECIDOS...

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Maria Madalena




Lendas sobre cavaleiros templários, antigas vertentes do cristianismo e a vida de Maria Madalena acham-se entrelaçadas no sul da França em regiões como Provença e Camargue. Esses lugares tornaram-se destinos de peregrinação em áreas de fascinante beleza e mistério. Alguns deles foram citados no O Código Da Vinci, livro de Dan Brown, mas outros são ainda pouco conhecidos, como a própria gruta onde teria vivido Maria Madalena, zelosamente guardada por um mosteiro de frades dominicanos (a santa é a padroeira da ordem). Muitas pessoas, depois de subir a montanha por trilhas estreitas, rios transparentes e florestas de faias e carvalhos, caem de joelhos diante da energia amorosa da gruta, chamada Sainte-Baume. “Seja pela fé dos peregrinos que passaram por ali durante 20 séculos ou porque Maria Madalena realmente meditou e orou naquele lugar, o fato é que ali há toda uma atmosfera de amor e recolhimento que preenche o coração”, afirma a jornalista francesa Frédèrique Jourdaa, que escreveu um livro sobre os passos da apóstola de Cristo pelo sul da França (Sur les Pas de Marie Madeleine). Muitos livros foram publicados sobre Maria Madalena nestes últimos anos. A razão desse súbito interesse seria a revelação de sua real história, contada em obras pioneiras como O Código Da Vinci e o Santo Graal e a Linhagem Sagrada. Segundo a maioria dos autores dessa corrente, Maria Madalena nunca teria sido prostituta, e sim uma apóstola muito influente de Cristo, pregadora e líder de uma das primeiras comunidades cristãs.

Mas, se essa história aconteceu realmente, por que ela teria sido encoberta? Existem várias respostas, de acordo com esses pesquisadores. Uma delas afirma que Maria Madalena teve tanta influência nas primeiras comunidades cristãs que seu poder começou a ser visto como ameaça por alguns apóstolos. Durante sua vida, Jesus deu grande espaço às mulheres, que, na Palestina de sua época, eram tidas como seres inferiores. Muitos de seus seguidores eram senhoras maravilhadas com seus ensinamentos de amor e igualdade. Esse grupo feminino sustentava Jesus e seus apóstolos fornecendo recursos para sua alimentação e abrigo. Suas integrantes, Maria Madalena entre elas, eram muito respeitadas. Diz a tradição que a santa era considerada o Apóstolo dos Apóstolos, tal sua influência. Até hoje, esse título é conferido a ela pela Igreja Católica Ortodoxa. Porém, depois da morte de Jesus, os grupos ligados às comunidades dos apóstolos Pedro e Paulo voltaram a seguir novamente os padrões patriarcais tradicionais judaicos e viam reticentes essa influência feminina. “As primeiras comunidades cristãs eram bastantes diferentes umas das outras. Havia diversos cristianismos que competiam entre si”, diz o pesquisador Juan Arias, autor do livro Maria Madalena, o Último Tabu do Cristianismo.

Além disso, segundo os evangelhos apócrifos encontrados em Nag Hammadi, no Egito, o cristianismo de Maria Madalena poderia ter tido uma notável influência gnóstica, corrente de pensamento místico pré-cristão nascida no Egito (em Alexandria). Segundo os gnósticos, Madalena e Jesus viveram o mistério da união sagrada (hieros gamos, em grego) não só integrando internamente seus lados feminino e masculino como unindo-se como casal.

Fonte: Revista Bons Fluidos 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

AS TRÊS FACES DE AFRODITE




O nascimento de Afrodite:

A primeira versão é segundo Hesíodo – poeta grego da idade arcaica, que escreveu “A gênese dos deuses” e “Os trabalhos e os dias” – para quem Afrodite teria nascido do falo de Urano, extirpado por seu filho Cronos.

Cronos, o filho mais novo de Gaia ou Geia e Urano (Terra e Céu), cortou os genitais do pai porque ele aprisionara seus irmãos nos confins da Terra, no Tártaro.

O falo de Urano foi jogado no mar e das espumas desse nasceu Afrodite. Essa versão explica a origem do nome de Afrodite, “nascida da espuma”.

Logo após seu nascimento, a Deusa nadou até chegar na ilha de Citera. Por isso também é conhecida pelo nome de Citeréia. Segundo a lenda, por onde Afrodite passava, a relva se renovava, as flores nasciam, ela trazia o amor maior, o amor que tudo fertiliza, que embeleza.

Vale, portanto, a associação da Deusa do amor com a primavera, pois está intimamente ligada à vida que se renova, às flores, aos nascimentos. Para corroborar essa associação, encontramos uma outra denominação para a Deusa, Antheia, a Deusa das Flores.

Depois de Citera, Afrodite foi para Chipre, onde foi recebida pelas Horas, guardiãs da porta do céu (o Olimpo) e filhas de Têmis, Deusa da Justiça. Nessa ocasião, Afrodite foi vestida por elas e, em seguida, levada à presença dos Deuses. Encantou a todos, claro!

É dessa versão do nascimento de Afrodite que nasce a chamada Afrodite Urânia, doadora do amor universal, da qual falaremos mais além.

A segunda versão de seu nascimento é encontrada, entre outras fontes, em Homero, poeta grego que viveu por volta de 850 a.C em Jônia, antigo distrito grego onde hoje situa-se a Turquia.

Segundo essa segunda versão do nascimento de Afrodite, descrita também por Homero, a Deusa teria nascido de Zeus e Dione. Porém, me parece que nessa versão encontramos uma forma de restringir a amplitude e força da Deusa.

Entre as discrepâncias encontradas nessa versão, a que mais me chamou a atenção foi o fato de Afrodite ser também conhecida pelo nome de Dione, que é a forma feminina de Zeus, conhecida como Deusa das águas, das fontes, do carvalho e dos oráculos, sendo essa última característica de Afrodite, pouco mencionada.

A terceira versão do nascimento de Afrodite é pouco conhecida. O que sabemos é que Afrodite teria nascido de um caramujo e desembarcado de uma concha na ilha de Citera.

Em Cnido – costa da Ásia maior – o caramujo é considerado uma criatura sagrada da Deusa.

Outra ligação de Afrodite com o caramujo está na lenda de que Afrodite, antes do Olimpo, viveu no mar, na companhia de um caramujo de extrema beleza chamado Nérites, filho de Nereu, uma das facetas da triplicidade da divindade do mar conhecida como “O Velho do Mar”.
Pouco se sabe dessa terceira versão do nascimento da Deusa, mas é inegável a relação de Afrodite com o caramujo.

Essas três versões da origem de Afrodite nos falam de seu nascimento na água. Afrodite nasce na água, ou da água do mar, o por nós conhecido útero primordial. Nós, seres humanos, também nascemos na água. Talvez nosso passado intra-uterino faça com que tenhamos tanto amor por essa Deusa maravilhosa, e talvez seja também esse nosso passado intra-uterino que nos dê a sensação de retorno às nossas origens quando mergulhamos no mar.

Outro ponto interessante sobre a força de Afrodite é que Ela é o amor que tudo gera.

Nós também somos, ou temos, esse amor que nasceu nas águas. A água é símbolo do nosso inconsciente, do nosso lado feminino, da fertilidade, da emoção.

O oceano primordial de onde creem alguns termos nos originado me lembra muito o nascimento de Afrodite e sua relação com a humanidade.

Quem sabe Afrodite não seja a expressão humana dessa vida, pois tudo que ela toca se torna fértil, pulsante e vivo. Quem sabe Afrodite não seja essa própria força geradora da vida.
Afrodite e a humanidade, que relação impressionante. Mesmo entre os que dizem não cultuar a Deusa, nutre por Ela uma estranha ligação.

Como Deusa do Amor Maior, da beleza e da vida Afrodite também pode ser cruel, destruidora, como veremos. Nesse ponto reside a estreita conexão de Afrodite com a humanidade. Temos em nós esses dois pólos, essas duas versões de nós mesmos.

A bem da verdade, não seria correto dizer “dois pólos de Afrodite”. Poucos conhecem a versão tríplice da Deusa do Amor. Porém, noto que, cada vez que pesquiso sobre aspectos de determinada divindade, sempre encontro essa característica tríplice que, pasmem, também não pára no número três. Mas isso é assunto para outro texto.

Hoje o que conhecemos de Afrodite é reduzido ao quesito amor. Porém, Afrodite se mostra muito além do que se é possível escrever sobre a Deusa.

Afrodite não é somente a Deusa do amor e da beleza. A primeira face de Afrodite, em sua triplicidade, é Afrodite Urânia, distribuidora do amor universal, a doce, a bela, aquela que une os pares com amor, que dá cor e beleza ao mundo. É a Deusa do céu, das estrelas, do amor celestial. Sempre que penso nesse aspecto de Afrodite, me lembro de Inanna, a Deusa dos Céus, como provedora, amorosa.
A segunda face é Afrodite Pandemos, que está intimamente ligada a questões carnais, sexuais, físicas, materiais. O amor sensual é domínio dessa faceta da Deusa, é Ela quem nos oferece os prazeres do corpo, que desperta o desejo, que nos faz querer a beleza para conquistar.

O terceiro aspecto é o menos conhecido, Afrodite Apostrófia, que significa “aquela que se afasta”. Esse é o aspecto destruidor da Deusa, o aspecto mais difícil e menos explorado.
É como se quisessem deixar à mostra somente o lado que convém. Vemos muito disso ao estudar essa Deusa.

Afrodite Apostrófia é que deturpa, a que escraviza e a que traz a mazelas, as desgraças. Penso muito nas modelos anoréxicas e bulímicas quando ouço o nome Afrodite Apostrófia.
Como dissemos, em verdade, não se trata de apenas três faces. O culto de Afrodite e suas faces vão variando conforme a época, o local e a ideologia do povo.

Temos, por exemplo, Afrodite Eleêmon, cultuada em Chipre como “A Misericordiosa”, cuja imagem se assemelha muito com a da Virgem Maria, porém, sem o aspecto da castidade.
Afrodite Pasifessa, “A que brilha longe”, conhecida como a Deusa lunar que rege os mistérios do inconsciente.

Afrodite Zeríntia, que muito se assemelha a Hécate. Afrodite Zeríntia é uma face da Deusa que está além do Olimpo, cujos domínios são além da Terra e do céu, assim como Hécate.
Para os atenienses, Afrodite Zeríntia era a mais velha das moiras.

Afrodite Genetílis, outra faceta da Deusa. Ficou conhecida como Vênus Genetrix, pelos latinos, a Deusa dos partos.

Temos também conhecimento de um outro aspecto da Deusa, Afrodite Hetaira, que era venerada pelas cortesãs.

Diferentes das prostitutas pobres e não cidadãs, as hetairas eram treinadas desde cedo nas artes do sexo.

Aquele que comprava uma hetaira pagava uma soma muito alta. Tratava-se de um investimento. Muitos pagavam fortunas pelos favores sexuais das hetairas, e investiam também nos dotes artísticos delas.

É fato histórico que algumas hetairas acabaram comprando sua liberdade, tornando-se grandes e conhecidas mulheres.

Em Esparta, Afrodite era adorada como Enóplio, portando armas, e Afrodite Morfo, a acorrentada. Era chamada de “a de corpo bem feito” ou “a de várias formas”.

Afrodite Ambológera era adorada também em Esparta como aquela que adia a velhice, trazendo vigor físico.

Temos também a Afrodite Negra, ou Melena/ Melênis, dominadora dos mistérios da morte e destruição, aspecto relacionado com as Erínias.

Aliás, os aspectos negros de Afrodite são os que menos conhecemos. Podemos citar Afrodite Andrófono, a matadora de homens; Afrodite Anósia, a que peca, e Afrodite Tamborico, a cavadora de túmulos.

Existe também a ligação de Afrodite com Perséfone. Afrodite Persefessa era invocada como Rainha do submundo.

Interessante notar que Eurínome, a Deusa primordial dos pelasgos, também tinha relação com o mar, era a Deusa dos prazeres, governou antes do patriarcado olimpiano e foi rebaixada, deixada de lado.

Como podemos ver, Afrodite é muito mais complexa do que lemos por aí. Não daria para explanar toda a complexidade da Deusa nesse trabalho.

Afrodite não se resume ao amor físico, nem ao amor universal, nem ao sexo, nem à beleza. Ela rege tudo isso e muito mais. Afrodite é o amor entre seres e intra seres, é o amor que cria, mas é também o amor que ceifa.

Afrodite está presente no sexo, no prazer, Ela é o desejo, a vontade entre dois seres. É Ela quem faz com que duas pessoas se desejem e desse desejo mútuo, dessa explosão de energia entre dois corpos, duas mentes e dois espíritos possa ser criado um outro ser, pois Afrodite é doadora da vida também.
Afrodite é a própria beleza da Terra, não diz respeito somente a corpos jovens e esbeltos. Para Afrodite a beleza plástica não vale nada. Afrodite quer a beleza da mente, do corpo e do espírito.
De nada adiantará explorarmos as novidades cosméticas se não explorarmos nossa beleza real, aquela que é dada por Afrodite a todos, sem exceção.

Afrodite abençoou a todos com a beleza, é uma sabedoria que poucos compreendem.

Creio que Afrodite perguntaria às pessoas:

De que adianta a sua beleza, sua perfeição se você vive destrói o seu planeta?


De que adianta a forma física perfeita se é vazio por dentro?

Como pode você desejar a beleza constantemente na sua vida e degradar a sua casa?

Afrodite é doadora da beleza, do viço, porém, Afrodite também deseja que cada um de nós leve a beleza para a vida daqueles que nos cercam.

O que acontece com pessoas bonitas, jovens, que exercem sua sexualidade desmedida?

O que acontece com pessoas que em nome do amor aprisionam outro ser?

O que acontecem com pessoas que buscam a beleza vazia?

Solidão.

Solidão no sentido mais amplo.

Afrodite vai embora e leva consigo a real beleza, o sexo pleno, o amor verdadeiro.

É nessa hora que podemos conhecer a face da qual poucos falam, Afrodite Apostrófia, aquela que se afasta.

Por: Lua Serena.


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Deusa Mãe


 Segundo muitas crenças, a Deusa Mãe é o nível superior, tudo vem dela desde os homens até os outros deuses. Daí o ditado da Wicca que diz que “Todas as deusas são uma Deusa e todos os deuses são um Deus. A Deusa Mãe é a geratriz de Todo o Universo e de tudo o que ele contém, daí a frase: Tudo vem da Deusa e tudo para ela retorna.

Porque dessa Deusa ser supervalorizada pelos homens? Pois na maioria das crenças, ela é vista como a “Mãe Natureza” ou “Mãe Terra”, onde é um ser sagrado e que para recompesá-la como agradecimento, a fauna e flora são muito bem tratadas. Além da Terra, outro símbolo muito importante da Deusa é a Lua, onde se manifesta de três maneiras, na forma de Deusa Tríplice, sendo a Lua Cheia associada ao seu aspecto de Deusa Mãe.

Baseado no culto da deusa-mãe era mais que óbvio que o movimento feminista se aproxima da doutrina, o que aconteceu no final dos anos 60, à medida que as ativistas se foram apercebendo das novas propostas de valores sociais que se opunham ao caráter masculino das restantes religiões, onde Deus, os Papas, pastores e a maioria dos santos, profetas e iluminados são homens.

As religiões que se seguiram ao Paganismo apresentam, todas, um caráter masculino em que o homem é mesmo indiciado a exercer opressão sobre o que o rodeia, como se lê na Bíblia: “Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra” (Gênesis, 1:28).

Por seu lado, o paganismo, centrado na Natureza, valoriza os ciclos e a geração da vida. Sugere uma aproximação do matriarcalismo das primeiras sociedades humanas. A observação dos ritmos e da fecundidade da terra inspira respeito e propõe uma relação de cumplicidade entre masculino e feminino, simbolizada pela relação entre Deusa e Deus.


A deusa Durga é considerada como a deusa mãe suprema por alguns hindus.
O objetivo da identidade pagã é libertar homens e mulheres dos seus papéis rígidos e estereotipados para que possam viver em comunhão entre si e com o Universo.

O Paganismo é representado pela deusa Sheila-na-gig, deusa da fertilidade na mitologia britânico-celta, que tinha genitais proeminentes, representando a vida nascida da fêmea. Com o advento do Cristianismo, passou a ser descrita como um demônio feminino, e era retratada na parte externa das igrejas inglesas como símbolo do Mal. Algumas outras faces da Deusa são Lilith, Ísis, Deméter e Hécate.

A Deusa é também representada nos aspectos de Donzela, Mãe e Anciã, simbolizados nas fases crescente, cheia e minguante da Lua e o seu consorte é o Sol.

O Feminino Divino foi a imagem sagrada que manteve a humanidade ligada à Natureza e tornou-se sinônimo de fertilidade, sabedoria, harmonia, justiça e beleza. Durante o Neolítico e o Paleolítico, a humanidade viveu em harmonia mágica com o ciclo da vida, mas com o desenvolvimento da civilização, a Natureza passou a ser imaginada como uma força indomada a ser subjugada e controlada.

Foi nesse processo de separação que a unidade da vida se tornou dualidade, Espírito e Natureza, Mente e Matéria, Deus e Deusa. Deus foi identificado com o espírito, a luz, a mente criativa e o bem. À Deusa, foram associados a Natureza, a escuridão, o caos e o mal, associada à mulher pela ligação com os seus ciclos e pelo instinto.

As religiões foram retirando de si mesmas a dimensão feminina e para a doutrina Wicca, este fator veio provocar os problemas de medo, ansiedade, ódio devido à falta da imagem da Mãe.


Adaptado de: Blog Lua Mística



quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Revolução Farroupilha



A Revolução Farroupilha, do Rio Grande do Sul, iniciada em 1835, é lembrada, em muitas Lojas Maçônicas.
Vem à memória, especialmente a figura do Irmão Giuseppe Garibaldi e sua amada esposa e Irmã Anita Garibaldi, considerados dos mais populares heróis do mundo. O conceito é alicerçado nos seus ideais maçônicos e na trajetória de luta pela liberdade. Ferrenho defensor de idéias liberais, anticlerical ficou conhecido como "O Herói de Dois Mundos".
Na vida profana foi um político revolucionário nascido, em 1807, em Nice (que à época pertencia à Itália, até o ano de 1860, quando passou para a França definitivamente).
Entrando para a marinha da Sardenha, aderiu, em 1833 ao movimento "Jovem Itália", de Mazzini de idéias republicanas. Envolveu-se em uma conspiração frustrada de ataque à Gênova que, descoberta (1834), obrigou-o a fugir para o Brasil e, aqui passou a lutar ao lado dos Farroupilhas em conjunto com grupo de italianos. Entre estes - cerca de 50 - havia carbonários, membros de uma sociedade secreta, segundo alguns, derivada da maçonaria, formada para lutar contra o domínio napoleônico.
Garibaldi Viveu 14 anos na América do Sul
Em 1836 recebeu um comando do general Bento Gonçalves, e participou de ataque a Laguna, em Santa Catarina, onde conheceu Ana Maria Ribeiro da Silva, em 1839 que passou à história como a celebre Anita Garibaldi com quem fugiu para Montevidéu em 1840 e que iria acompanhá-lo por toda a sua vida.
Giuseppe Garibaldi, quando Soberano Comendador Grão Mestre da Maçonaria em Palermo, a 25 de maio de 1864, decidiu fundar Lojas Femininas, na prática Mistas, já que irmãos participavam normalmente de seus trabalhos. Iniciou sua esposa e companheira, a brasileira Anita Garibaldi. Em seus Placets, constam Iniciações de sua filha Teresita e de Luigia Candia, esposa do Irmão do Grau 33 Paulo de Michelis. Em 1881, Garibaldi reuniu os Ritos de Memphis e Misraim e se tornou o Grande Hierofante de ambos. Após a morte de Garibaldi, em 1882, os Ritos entraram em um período "obscuro" até que, em 1890, várias lojas de ambos os Ritos foram reunidas e surgiu o Rito de Memphis - Misraim. Em 1900, para a liderança do Memphis - Misraim foi indicado o italiano Ferdinando Francesco degli Oddi que foi substituído, em 1902, pelo inglês John Yarker. O Rito chegou aos 97 graus.


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sobre "Espiritualidade"...



Há muitos e muitos anos atrás - na verdade, há tanto tempo, quase um ontem longínquo - a Terra estava em trevas e o homem tentava em vão buscar a luz. Alguns a haviam encontrado e decidiram mostrar aos outros seu reflexo e, por isso, foram ansiosamente procurados. Entre estes, estava um que havia estado na cidade da luz por algum tempo e conseguiu absorver um pouco do seu brilho. Imediatamente homens e mulheres, vindos do país da escuridão, foram procurá-lo. Andaram milhares de milhas por terem ouvido falar dessa luz; e quando ele soube que um grande grupo se dirigia para a sua casa, começou a trabalhar e preparou-se para dar-lhes o melhor que pudesse. Fincou estacas ao redor de sua casa e colocou luzes sobre elas para que os visitantes não se machucassem na escuridão. Ele e seus familiares proveram as suas necessidades e ele ensinou-lhes o melhor que sabia.
Entretanto, alguns visitantes começaram a murmurar. Esperavam encontrá-lo num pedestal radiante de luz celestial. Imaginavam-se venerando seu santuário; mas, em vez da luz espiritual que esperavam, apanharam-no no momento em que estendia fios com lâmpadas elétricas para iluminar o local. Nem mesmo usava um turbante ou um manto, porque a ordem à qual pertencia, tinha como uma de suas regras fundamentais que seus membros deveriam usar as vestes do país onde vivessem. 20
Então, os visitantes chegaram à conclusão de que haviam sido enganados, logrados, e que ele não tinha nenhuma luz. A seguir, eles o apedrejaram e também aos seus familiares; tê-lo-iam matado se não fosse por medo da lei que imperava nessa região e que requeria olho por olho, dente por dente. Voltaram, então, para o país das trevas, e sempre que viam uma alma dirigindo-se para a luz, levantavam os braços e aconselhavam: "Não vás para lá; essa não é a luz verdadeira, é como uma lanterna de bruxa que vai levar-te para o mau caminho. Sabemos que não há espiritualidade naquilo". Muitos acreditaram neles e repetia-se nessa ocasião o que foi dito muito tempo antes, e que estava escrito num dos velhos livros: "É esta a condenação: que a luz tenha vindo ao mundo, mas que os homens tenham preferido as trevas à luz".
Como era nesse ontem distante, assim é ainda hoje. Os homens correm de cá para lá procurando a luz. Muitas vezes, como Sir Launfal, viajam para os confins da Terra desperdiçando toda sua vida à procura de uma coisa que chamam "Espiritualidade", mas só encontram desapontamentos atrás de desapontamentos. Sir Launfal passou toda sua vida em vã busca, longe do seu lar, e finalmente encontrou o Santo Graal exatamente às portas do seu próprio castelo. Portanto, qualquer um que honestamente esteja em busca da espiritualidade, com certeza deverá encontrá-la em seu próprio coração. O único perigo é que, como o grupo de viajantes mencionado, ele possa perdê-la por não saber reconhecê-la. Ninguém poderá reconhecer a verdadeira espiritualidade nos outros, enquanto não a tiver desenvolvido em si mesmo.
Portanto, será interessante tentar estabelecer definitivamente: "O que é Espiritualidade?" para termos uma indicação pela qual possamos identificar esta grande característica de Cristo. Para consegui-lo, devemos abandonar nossas idéias preconcebidas ou do contrário falharemos. A idéia mais comumente aceita é que a espiritualidade se manifesta pela prece e pela meditação; mas, se observarmos a vida de nosso Salvador, veremos que não foi uma vida ociosa. Ele não foi um recluso, Ele não Se afastou nem Se escondeu do mundo. Ele andava entre as pessoas, Ele proveu-lhes as necessidades diárias; Ele alimentou-as quando foi necessário; Ele curou-as quando teve a oportunidade e também as ensinou. Portanto, Ele era, no verdadeiro sentido da palavra, um SERVIDOR DA HUMANIDADE.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A Sabedoria do Silêncio Interno



Pense no que vai dizer antes de abrir a boca.
Seja breve e preciso, já que cada vez que deixa sair uma palavra, deixa sair uma parte do seu Chi (energia).
Assim, aprenderá a desenvolver a arte de falar sem perder energia.
Nunca faça promessas que não possa cumprir.
Não se queixe, nem utilize palavras que projetem imagens negativas, porque se reproduzirá ao seu redor tudo o que tenha fabricado com as suas palavras carregadas de Chi.
Se não tem nada de bom, verdadeiro e útil a dizer, é melhor não dizer nada.
Aprenda a ser como um espelho: observe e reflita a energia.
O Universo é o melhor exemplo de um espelho que a natureza nos deu, porque aceita, sem condições, os nossos pensamentos, emoções, palavras e ações, e envia-nos o reflexo da nossa própria energia através das diferentes circunstâncias que se apresentam nas nossas vidas.
Se, se identifica com o êxito, terá êxito.
Se, se identifica com o fracasso, terá fracasso.
Assim, podemos observar que as circunstâncias que vivemos são simplesmente manifestações externas do conteúdo da nossa conversa interna.
Aprenda a ser como o universo, escutando e refletindo a energia sem emoções densas e sem preconceitos.
Porque, sendo como um espelho, com o poder mental tranquilo e em silêncio, sem lhe dar oportunidade de se impor com as suas opiniões pessoais, e evitando reações emocionais excessivas, tem oportunidade de uma comunicação sincera e fluida.
Não se dê demasiada importância, e seja humilde, pois quanto mais se mostra superior, inteligente e prepotente, mais se torna prisioneiro da sua própria imagem e vive num mundo de tensão e ilusões.
Seja discreto, preserve a sua vida íntima.
Desta forma libertar-se-á da opinião dos outros e terá uma vida tranquila e benevolente, invisível, misteriosa, indefinível, insondável como o TAO.
Não entre em competição com os demais, a terra que nos nutre dá-nos o necessário.
Ajude o próximo a perceber as suas próprias virtudes e qualidades, a brilhar.
O espírito competitivo faz com que o ego cresça e, inevitavelmente, crie conflitos.
Tenha confiança em si mesmo.
Preserve a sua paz interior, evitando entrar na provação e nas trapaças dos outros.
Não se comprometa facilmente, agindo de maneira precipitada, sem ter consciência profunda da situação.

Tenha um momento de silêncio interno para considerar tudo que se apresenta e só então tome uma decisão.
Assim desenvolverá a confiança em si mesmo e a Sabedoria.
Se realmente há algo que não sabe, ou para que não tenha resposta, aceite o fato.
Não saber é muito incomodo para o ego, porque ele gosta de saber tudo, ter sempre razão e dar a sua opinião muito pessoal. Mas, na realidade, o ego nada sabe, simplesmente faz acreditar que sabe. Evite julgar ou criticar.
O TAO é imparcial nos seus juízos: não critica ninguém, tem uma compaixão infinita e não conhece a dualidade.
Cada vez que julga alguém, a única coisa que faz é expressar a sua opinião pessoal, e isso é uma perda de energia, é puro ruído.
Julgar é uma maneira de esconder as nossas próprias fraquezas.
O Sábio tolera tudo sem dizer uma palavra.
Tudo o que o incomoda nos outros é uma projeção do que não venceu em si mesmo.
Deixe que cada um resolva os seus problemas e concentre a sua energia na sua própria vida.
Ocupe-se de si mesmo, não se defenda.
Quando tenta defender-se, está a dar demasiada importância às palavras dos outros, a dar mais força à agressão deles.
Se aceita não se defender, mostra que as opiniões dos demais não o afetam, que são simplesmente opiniões, e que não necessita de os convencer para ser feliz.
O seu silêncio interno torna-o impassível.
Faça uso regular do silêncio para educar o seu ego, que tem o mau costume de falar o tempo todo.
Pratique a arte de não falar.
Tome algumas horas para se abster de falar.
Este é um exercício excelente para conhecer e aprender o universo do TAO ilimitado, em vez de tentar explicar o que é o TAO.
Progressivamente desenvolverá a arte de falar sem falar, e a sua verdadeira natureza interna substituirá a sua personalidade artificial, deixando aparecer a luz do seu coração e o poder da sabedoria do silêncio.
Graças a essa força, atrairá para si tudo o que necessita para a sua própria realização e completa libertação.
Porém, tem que ter cuidado para que o ego não se infiltre… O Poder permanece quando o ego se mantém tranquilo e em silêncio.
Se o ego se impõe e abusa desse Poder, este converter-se-á num veneno, que o envenenará rapidamente.
Fique em silêncio, cultive o seu próprio poder interno.
Respeite a vida de tudo o que existe no mundo.
Não force, manipule ou controle o próximo.
Converta-se no seu próprio Mestre e deixe os demais serem o que têm a capacidade de ser.
Por outras palavras, viva seguindo a via sagrada do TAO.

terça-feira, 24 de julho de 2012

A BORBOLETA, SÍMBOLO DA ALMA



A vida da borboleta ilustra o ciclo da reencarnação humana

A vida só pode ser compreendida quando a vemos como um processo que inclui morte e renascimento, vigília e sonho.

O corpo humano abriga uma alma que também é mortal, embora seja sutil e só morra algum tempo depois do corpo. Mas a alma contém em si um Espírito que não morre e que “renascerá” uma e outra vez. Ao contrário do corpo físico, a alma-espírito  pode voar como se tivesse asas.

Chuang,  um antigo sábio chinês, confessou:

“Certa vez, eu, Chuang Chou, sonhei que era uma borboleta, a voar para lá e para cá;  borboleta para todos os fins e em todos os sentidos. Tinha consciência apenas de minha felicidade como borboleta, sem saber que era Chou. Logo despertei, e ali me achava, de novo e verdadeiramente eu mesmo.  Agora, não sei se eu era antes um homem a sonhar que era uma borboleta, ou se sou agora uma borboleta a sonhar que sou homem.” [1]

No Oriente e no Ocidente, a borboleta é um antigo símbolo da alma humana. Alguns indivíduos ficam em dúvida: eles não sabem se são seres físicos que, enquanto dormem, fluem como almas, ou se são almas, capazes de voar, que, durante o estado de vigília, têm a ilusão de pensar que são seres físicos.

 A imagem do espírito-alma como borboleta não é uma exclusividade da China.  Na Grécia antiga, Psiquê, a alma, era descrita como uma borboleta que escapava do corpo com a morte.[2] 

A filosofia esotérica ensina que a alma mortal (Kama-Manas) contém em si o Espírito imortal (Atma-Buddhi),  que seguirá a jornada mesmo quando ela morrer,  e que, muito mais  tarde, viverá uma nova encarnação.  A vida da borboleta, em suas várias etapas, reflete o processo do corpo-alma-espírito.

 O autor Henry Thomas escreveu:

“A reencarnação ocorre com mais clareza no caso das lagartas. E que gloriosa reencarnação! As lagartas parecem morrer, e depois subitamente renascem como belas mariposas e borboletas. O que realmente ocorre é o seguinte. A lagarta, desde que nasce, só faz uma coisa,  e a faz bem. Come.  E como come! Uma lagarta come muitas vezes mais que o seu próprio peso  durante um dia. Come tanto que sua pele não suporta mais. Nós, humanos, nunca somos perturbados por este tipo de dificuldade, porque nossa pele se expande à  medida que nosso corpo cresce.  A pele da lagarta, porém, permanece inelástica, enquanto o corpo engorda. Por isso, deve-se dizer literalmente que a lagarta come até rebentar, isto é, ela rompe a pele e sai fora  dela.  Enquanto isso, uma pele nova e mais larga cresceu por baixo da velha. Em breve, porém, a mesma dificuldade ocorre de novo, e outra mudança se opera, até que a lagarta tenha mudado de pele cerca de cinco vezes. Neste ponto a lagarta encolhe-se, enruga-se e parece estar pronta para morrer. E  então ocorre o milagre. A pele racha pela última vez, mas por baixo dessa pele não encontramos mais outra pele de lagarta, e sim uma criatura de aspecto estranho, que não tem boca, nem pés, nem olhos. Essa existência cataléptica, em estado de crisálida, pode durar somente dez dias, ou pode durar do outono de um ano até o verão seguinte.”

Este é o período que simboliza o repouso entre uma vida e outra, entre uma dimensão e outra.

 “Quando a época de renascer chega afinal, o estupendo processo se realiza quase que subitamente. A pele da crisálida rasga-se e uma criatura, úmida e frágil, esforça-se por obter ar livre, procurando um lugar ao sol, onde possa ficar pendurada pelos pés.  Agita e desdobra suas asas enlameadas e injeta-lhes sangue. Depois de uma hora ou mais, as asas gradualmente secam e tornam-se menos enrugadas.  E então, quase num abrir de olhos, o inseto já está completamente limpo e você poderá ver diante de si uma esplêndida borboleta. Poderá ter asas azuis do tom mais puro, ou flamantes asas vermelhas, ou combinações inumeráveis de cores, tintas e matizes. A lagarta rastejante e feia renasceu, na forma de uma  das mais belas criaturas de Deus: a alada flor dos ares.” [3]

A teosofia explica que Deus monoteísta é uma invenção humana que só existe nas igrejas e na imaginação do público leigo. O que há de fato é uma imensa pluralidade de inteligências divinas, e uma Lei Universal Impessoal e eterna, a lei do Equilíbrio e da Justiça.

De que modo a borboleta é um símbolo da reencarnação humana?

A sucessiva troca de peles da lagarta corresponde à troca da infância pela condição de adulto jovem, pela meia idade, pela velhice, e pela velhice extrema.

A ponte ou escada que liga a alma imortal à alma mortal, e que une os estados de sonho, sono e vigília, é chamada em teosofia de Antahkarana.

Graças a ela, podemos desenvolver gradualmente uma consciência da continuidade de todos os estados mentais ao longo das 24 horas do dia, e ao longo de várias vidas.

Esta ponte entre  mundos também é chamada de “Escada de Jacó”, na imagem simbólica de Gênesis, 28: 10-13. Ela possibilita compreender o processo do renascimento, porque um dia de 24 horas inclui uma pequena reencarnação: a cada manhã, voltamos renovados. 

 Carlos Cardoso Aveline

NOTAS:

[1] Chuang-tzu, citado por Lin Yutang em sua obra “A Importância de Compreender”, Círculo do Livro S.A., SP, 458 pp., ver p. 95.

[2] “Dicionário de Mitologia Grega”, Ruth Guimarães, Cultrix, 318 pp., item “Psiquê”,  p. 267.

[3] “As Maravilhas do Conhecimento Humano”, Henry Thomas, vol. II, Edição da Livraria do Globo, Porto Alegre, 1941, 400 pp., ver pp. 312-313.

terça-feira, 17 de julho de 2012

A Sabedoria que já Vive em Nós




Nenhum destes pontos é uma aspiração espiritual; são fatos da vida quotidiana, ao nível das suas células.

1- Objetivo mais elevado:

Cada célula do seu corpo aceita trabalhar para o bem-estar do todo; o seu bem-estar individual surge em segundo lugar. Se necessário, morre para proteger o corpo e muitas vezes assim é - o tempo de vida de qualquer célula é uma fração do nosso próprio tempo de vida. As células da pele morrem aos milhares, a cada hora, o mesmo acontecendo com as células imunológicas que combatem os micróbios invasores. O egoísmo não constitui uma opção, mesmo que se trate da própria sobrevivência de uma célula.

2- Comunhão:

Uma célula mantém-se em contato com todas as outras células. As moléculas mensageiras acorrem a toda a parte para comunicar aos recantos mais afastados do corpo qualquer desejo ou intenção, por mais tênue que seja. Retrair-se e recusar-se a comunicar não constituem opções.

3- Consciência: 

As células adaptam-se, momento a momento. Mantém-se flexíveis para poderem responder a situações imediatas. Ficar preso a hábitos rígidos não constitui uma opção.

4- Aceitação: 

As células reconhecem-se umas as outras como igualmente importantes. Cada função do corpo é interdependente de todas as outras. Desempenhá-la sozinho não constitui opção.

5- Criatividade: 

Embora cada célula tenha um conjunto de funções únicas (as células do fígado, por exemplo, podem desempenhar cinqüenta tarefas diferentes), estas conjugam-se de formas criativas. Uma pessoa pode digerir alimentos que nunca comeu antes, ter pensamentos que nunca lhe ocorreram, dançar de uma forma que nunca antes se viu. Agarrar-se a um velho comportamento não constitui opção.

6- Ser: 

As células obedecem ao ciclo universal de repouso e atividade. Embora este ciclo se expresse de muitas formas, como as flutuações dos níveis hormonais, da pressão arterial e dos ritmos digestivos, a expressão mais óbvia é o sono. Por que razão precisamos dormir continuamente e ser um mistério para a medicina e, no entanto, surge a disfunção total se não gozarmos dos seus benefícios. No silêncio da inatividade, o futuro do corpo está em incubação. Ser obsessivamente ativo ou agressivo não constitui uma opção.

7- Eficiência: 

As células funcionam com o mínimo gasto possível de energia. Por norma, uma célula armazena apenas três segundos de alimento e oxigênio dentro da sua membrana celular. Confia plenamente em que tomarão conta dela. Um consumo excessivo de alimentos, ar ou água não constitui uma opção.

8- Ligação: 

Devido à sua herança genética comum, as células sabem que são fundamentalmente iguais. O fato das células do fígado serem diferentes das do coração e das células musculares serem diferentes das cerebrais, não nega a sua identidade comum e esta é imutável. Em laboratório, uma célula muscular pode ser transformada geneticamente numa célula cardíaca recorrendo à sua fonte comum. As células saudáveis permanecem ligadas à sua fonte independentemente do número de vezes que se dividam. Para elas, ser um proscrito não constitui uma opção.

9- Dar: 

A atividade primária das células é dar, o que mantém a integridade de todas as outras células. Um empenhamento total em dar torna automático o receber - e a outra metade do ciclo natural. O açambarcamento não constitui uma opção.

10- Imortalidade:

As células reproduzem-se para transmitirem os seus conhecimentos, experiência e talentos, não escondendo nada dos seus descendentes. É um tipo de imortalidade prática, submetendo-se à morte, no plano físico, mas derrotando-a, no plano não físico. O fosso entre as gerações não constitui uma opção.

Quando olho para tudo o que as minhas células aceitaram, será que não se trata de um pacto espiritual, em todos os sentidos da expressão? A primeira qualidade, procurar um objetivo mais elevado, é a mesma que as qualidades espirituais de renúncia e altruísmo.

Dar é o mesmo que devolver a Deus o que é de Deus. Imortalidade é o mesmo que a crença na vida depois da morte.

Todavia, os rótulos adaptados pela mente não constituem uma preocupação do meu corpo.

Para o meu corpo, estas qualidades são pura e simplesmente o modo como funciona a vida. São o resultado da expressão da inteligência cósmica, ao longo de bilhões de anos, como biologia. O mistério da vida foi paciente e cuidadoso no processo de permitir que emergisse todo o seu potencial. Mesmo agora, o acordo tácito que mantém o meu corpo coeso produz a sensação de um segredo porque, segundo todas as aparências, esse acordo não existe.

Mais de duzentos e cinqüenta tipos de células desempenham as suas funções diárias: as cinqüenta funções que uma célula hepática desempenha são totalmente únicas, não se sobrepondo às funções das células musculares, renais, cardíacas ou cerebrais - todavia, seria catastrófico se uma só dessas funções estivesse comprometida.

O mistério da vida encontrou uma forma de se expressar perfeitamente através de mim.


Fonte: O livro dos Segredos, Deepak Chopra, 2005 - www.chopra.com 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Nosso lado sombra, a bruxa interior


Todo ser humano possui seu lado sombra, aquele que contém nossos defeitos, vícios e maus costumes. Sempre tentamos escondê-lo, principalmente quando nos convém. É o nosso lado mais sombrio, e que vem à tona quando menos queremos que isso aconteça. É o nosso falso “eu” que nos transmite sempre um poder falso – na mulher, chamamos isso de nossa “bruxa interior”. (Homem também tem isso! rsrs...)
A “bruxa” é algo que criamos para camuflar nossos medos, pois não temos confiança nas nossas qualidades, dons e potencialidades. Ela é a defesa contra nossas inseguranças. Chamamos por ela quando nos sentimos impotentes, quando queremos manipular e controlar para conseguir o que desejamos dos outros. Ela ajuda a disfarçar nossos medos quando precisamos de atenção e reconhecimento. Aí, ela se torna eficaz e poderosa, mas ela é algo falso, e usando-a ficamos presas nos nossos “eus”.
Quando nos sentimos dispostas a adentrar nossa floresta escura da inconsciência, deparamo-nos com o nosso feminino negativo. Normalmente, temos medo de penetrar essa floresta ameaçadora, escura e misteriosa, mas, enquanto não fizermos isso, o poder da bruxa continuará incontestado.
Existe uma variedade enorme de facetas dessa bruxa dentro de nós, habitando a “floresta escura do nosso inconsciente”. Podemos dar muitos nomes para elas:

A vítima, a mártir abnegada.
É aquela que tem orgulho em dar-se para os outros. Nega a si mesmo em favor do marido, dos filhos, e dos amigos. Ela se “sacrifica” para ver os outros bem. Está sempre ocupada e nunca tem tempo para ela. Faz questão de que os outros a vejam sempre ocupada. É uma maneira de fazer com que os outros a amem e sejam gratos.
Por trás do sofrimento está escondida a crença de que ela não merece amor e carinho. Para não ser rejeitada, controla e manipula, e exerce, assim, seu poder.

* A dócil invisível.
Luta para se tornar invisível. É reservada, calada e doce, concorda com tudo. Abre mão de sua criatividade e maneira de pensar para não perder a aprovação e aceitação dos outros.
Por trás dessa atitude se esconde uma raiva imensa. É aquela que, quando criança, foi ensinada a ser boazinha e a não expressar seus sentimentos.

* A toda poderosa
Não gosta de ser questionada. Seus padrões de certo e errado são rígidos. Sua presença faz os outros se sentirem medrosos, acovardados e pequenos. Nunca reconhece seus erros, quando erra faz de tudo para ocultar e se justificar, pois não pode arriscar sua infalibilidade.
Por trás desta atitude mora um orgulho incomensurável. Geralmente mostra grande aversão pelo seu companheiro e adora diminuí-lo, deixá-lo inerte, conseguindo, com isso, sentir-se poderosa.

* A boca-dura
Reage a qualquer provocação. É aquela que não leva desaforo para casa. Grita, discute, xinga e diz palavrões. Seu verbo é pesado, gritante e irritadiço. São mulheres que não aprenderam a lidar com os problemas à medida que surgiam, esquivavam-se e, agora sua raiva reprimida rompe a barreira e a energia do vulcão aparece. Por isso são irônicas, azedas e destilam uma crítica mordaz a todo o momento.

* A sereia provocadora
Seu único objetivo é conquistar os homens, não por amor, mas pelo desejo de adquirir poder. Ela usa todo seu charme feminino para atrair os homens, chamar a atenção deles para garantir sua própria sexualidade e, assim, sentir-se importante aos olhos das outras mulheres... Ela dá seu corpo, mas segura seu “eu” interior, tem medo da intimidade verdadeira, só lhe atrai a conquista e a competição com as outras mulheres.
No fundo, existe escondido um sentimento de desforra, ocasionado por traumas em relação aos homens no passado.

* A realizadora competente
É a mulher que se identifica com o aspecto de poder do masculino. É uma grande realizadora, e competente em qualquer área. Julga-se tão boa ou melhor que qualquer homem. Normalmente são mulheres que tiveram pais irresponsáveis ou ausentes emocionalmente.
Elas possuem uma enorme couraça mas, se alguém encontrar a maneira de furar este bloqueio e chegar até ela, poderá conseguir que ela lide com as questões emocionais, que são muito difíceis para ela.

*** A caça dotes
Títulos, sobrenomes importantes, cartões de créditos, é uma mulher voltada para o que pode conseguir. Dinheiro, status, são as coisas que ela mais quer.
Seu lema é sempre “o que eu posso ganhar com isso?”, ou “qual a vantagem que vou ter?”. São mulheres que não sabem o que é o verdadeiro amor, que estabelecem os bens materiais como substituto para o amor.

* No mundo da lua
“Eu não consigo!”, ou “não entendi”, são as palavras chaves desse tipo de mulher. Normalmente são desligadas, desorganizadas, inconstantes e desorientadas.Têm uma crença que devem esconder a inteligência e que não é bom ser brilhante. Este é um disfarce para não ser ameaçadora para os homens, pois o desamparo pode lhe trazer vantagens. Desfiam frases como: “Não entendo manuais de instruções”, “é muito confuso e complicado para mim...” “Eu não consigo entender...” ... “ Computador ?.....Credo não é coisa para mim...”.
Existem homens que gostam de se sentir úteis e solicitados e a eles agrada este tipo de mulher.

* A mística iluminada
Ela freqüenta seminários, já se submeteu a terapias, vidas passadas, Rolf, Reiki, já renasceu. Passou por várias Iniciações. Viajou para Índia, Machu Picchu, Tibet e outros lugares sagrados. Toma Florais de Bach, faz Do In, Yoga, Tai chi. Tratamentos Aura-Soma, Morte e Renascimento e outras técnicas. Cita nomes de gurus, mestres e autores de livros. Ela já sabe tudo e já fez tudo... Tudo, exceto MUDAR.

Poderíamos citar ainda as bruxas mal-humoradas, as ranzinzas, as que usam máscaras de boazinhas mas são umas feras, as que se acham o centro do universo e acreditam que tudo deve girar ao seu redor. As românticas platônicas (aquelas que esperam por seu príncipe encantado montado num cavalo branco, que venha salvá-las) e também as que não gostam de ser mulheres.
Com qual dessas bruxas nos identificamos? É bom sermos sinceras conosco mesmas. Então, que ótimo, vamos a caça dela, depois do reconhecimento!!! É neste momento que começa nosso processo de transformação.
Existem formas melhores de se conseguir o amor e a atenção que merecemos do que usar a Bruxa para manobrar, controlar. Pois toda máscara acaba caindo e revelando quem realmente somos. Ela, a bruxa, é o aspecto negativo do feminino. Nós a usamos quando não sabemos como nos comunicar e expressar o que estamos sentindo. Ela está ligada a uma sensação de impotência. Pensamos que usar a energia da Bruxa nos dará poder.
Esse aspecto do feminino negativo é personificado na imagem da deusa da lua negra, que possui várias representações em várias culturas. Quando a lua faz o caminho para as sombras, leva-nos a penetrar no reino de Hécate e Lilith, no nosso aspecto oculto e sombrio. Todas as mulheres são mágicas. A magia nos dá a capacidade de criar e transformar nossas experiências de vida. Temos que praticar nossa magia conscientemente. Com a nossa magia viemos trazer ao mundo encanto, beleza e amor.
Ao mergulharmos nessa magia poderemos exorcizar nossa Bruxa, nosso lado sombrio e escuro, manipulador e astuto, e, assim, fazer da nossa experiência como mulheres, nesta existência, uma dança maravilhosa.

Bruxas deveriam ser todas maravilhosas! E são! Depende de cada uma de nós.
É uma questão de escolha. Assumamos os nossos papéis, os nossos poderes... SEM MÁSCARAS. Se tem pressa, está difícil, eu vos digo. TUDO É EDIFICAÇÃO E LEVA TEMPO. Os resultados dos nossos esforços valem a pena! Então... permita-se e
SEJA FELIZ!

Pax & Lux

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Nascimento de Palas Athena (Minerva)


Narra o mito que a Sabedoria e a Justiça, personificadas pela deusa grega Athena, é fruto de Métis (a astúcia, a inteligência) com o poderoso Zeus, ordenador do Cosmos.
Após ter sido proferido pelo oráculo que, se Zeus tivesse uma filha, ela se tornaria ainda mais poderosa que ele, Zeus tratou de engolir Métis para impedir o nascimento. Assim, Athena é gerada na cabeça do soberano do Olimpo (por isso, a deusa é associada ao lógos).
Findado o período de gestação, o supremo deus começou a sentir terríveis dores de cabeça, pois enquanto a Justiça não nasce, elas são inevitáveis.
Desesperado e no limite, Zeus ordena ao ferreiro divino Hefestos (Vulcano) que lhe abra a cabeça. Mesmo a contragosto, com técnica e precisão, desferra-lhe o machado de ouro certeiro e todos se surpreendem ao verem surgir, imponente e armada, pronta para a guerra, a deusa Palas Athena.
Palas significa "a donzela", pois a poderosa filha pede ao pai para manter-se sempre virgem e, desta forma, impor-se com a autoridade de quem não se deixa seduzir ou corromper.
Sua principal característica física é o porte altivo. Invocando a proteção de Athena sobre todo e qualquer embate, tem-se a vitória como certa, uma vez que Palas Athena é sempre acompanhada por Niké (a vitória).

A Espada de Athena: Arma para fazer valer a Justiça
Com a espada de ouro em punho ou lança resplandescente (numa imagem mais arcáica), que fora presente do deus da techné Hefestos, Athena já nasce fortemente armada, pronta para a guerra. Mas o combate da deusa grega é diferente da guerra do bélico deus Ares.
Na mitologia grega, Ares, é o cruel deus da guerra, da carnificina. Individualista, não titubeia em impor sua caprichosa vontade a quem quer que seja. Enaltecido pelos Romanos, impulsivo, Ares é um deus de caráter epimetéico: primeiro age, depois pensa.
Pensar é atividade da mente, do elemento Ar, este sim, distingüe os homens das bestas. Daí a prudente razoabilidade de Athena ser tão necessária à manutenção da ordem (Cosmos) e à evolução do espírito humano.
De gosto pelo desafio da conquista, Ares é acompanhado de Éris (a Discórdia), que com seu archote em chamas acende o furor no coração dos soldados e seus filhos, Deimos (terror) e Phóbos (medo), também servidores fiéis desse funesto deus.
O espetáculo hediondo da carnificina causa horror a deusa Athena. Os gregos sempre preferiram a sábia, justa guerreira Palas Athena, filha da razão do soberano do Olimpo. Athena é também patrona da guerra, mas trata-se do combate feito com inteligência e astúcia, motivado por um ideal honroso, guerra somente enquanto último recurso, quando torna-se insuficiente a lúcida resolução diplomática e pacífica de qualquer polêmica. Uma batalha também pode ser encarada como última e importante argumentação na defesa da justiça quando todas as outras falharam.
Sempre às turras com seu inimigo Ares, pois nem sempre encontram-se do mesmo lado na batalha, Palas (a donzela) será a única mulher a imiscuir-se aos homens, sendo sempre respeitada por eles. Antes do começo da batalha, eles sentem sua presença inspiradora e com isso anseiam mostrar seu heroísmo. “Sacudindo a terrível égide, a deusa brada e corre veloz entre as fileiras convocadas à batalha. Um momento atrás, esses homens haviam aplaudido com júbilo a idéia de voltar para sua pátria; agora a esquecem por completo: o espírito da deusa faz agitar todos os corações com ardor bélico”.
Renomados heróis como Tideu, Hércules, Ulisses e Aquiles dobram-se aos seus sábios conselhos.
Quanto ao herói Tideu, Athena foi sua fiel companheira de batalha, até quis torná-lo imortal. Aproximou-se do herói ferido de morte trazendo na mão a bebida da imortalidade. Mas ele estava a ponto de fender violentamente o crânio do adversário morto para sugar-lhe o cérebro. Horrorizada, a deusa retrocedeu e o protegido para quem ela cogitava o mais elevado destino mergulhou na morte comum, pois tinha desonrado a si mesmo.
“Athena seria mulher porque os orgulhosos heróis que se deixaram conduzir por ela não se submeteriam tão facilmente a um varão, mesmo que fosse um deus”.
Quando em fúria cega Aquiles está prestes a liquidar Agamêmnon, Athena toca seu ombro e o aconselha a dominar-se, contentando-se em ofender o Atrida somente com palavras. O herói prontamente guarda a espada já desembainhada.
Refletindo sobre a máxima de Heráclito: “A Guerra é Pai de todas as coisas”, é pela espada de Athena que se impõe a Justiça.
Cabeça da Medusa incrustada como efígie na Égide de Athena

Athena carrega, no peitoral de sua armadura a cabeça de Medusa, a rainha das Górgonas.

As Górgonas são três irmãs (Medusa, a dominadora; Euríale, a errante e Esteno, a violenta) que simbolizam os inimigos interiores que temos de evitar. São deformações monstruosas da psique nascidas do desvirtuar de três pulsões humanas: sociabilidade (Esteno), sexualidade (Euríale) e espiritualidade (Medusa). Como a perversão espiritual prevalece sobre as outras, Medusa é conhecida como rainha das Górgonas.
A perversão da pulsão espiritual, por excelência, é a vaidade (imaginação exaltada em relação a si mesma) que é simbolizada pela serpente. Em Medusa, inúmeras serpentes coroam sua cabeça.
No frontispício do templo de Apollo (irmão de Athena), deus da harmonia, lêem-se as palavras que resumem toda a verdade oculta dos mitos: “conhece-te a ti mesmo”. A única condição do conhecimento de si mesmo é a confissão das intenções ocultas, que, por serem culpáveis, são habitualmente maquiadas pela vaidade (por uma justiça falsa, pois sem mérito, infundada). A inscrição reveladora significa, portanto: desmascara tua falsa razão, ou, o que dá no mesmo, aniquila tua vaidade. Faz-se necessário a clarividência em relação a si mesmo, o inverso do ofuscamento vaidoso e petrificante.
Ver Medusa significa: reconhecer a vaidade culposa, perceber a nu suas falsas razões, suas intenções ocultas, o que ninguém consegue confessar a si mesmo, da qual ninguém suporta a visão.
A cabeça da Medusa foi presente do herói Perseu, a quem a deusa Athena auxiliou em combate emprestando-o seu escudo, para que não a encarasse de frente e ficasse estagnado. O escudo reluzente de Athena, ao refletir a imagem verídica das coisas e dos seres, permite conhecer a si mesmo: é o espelho da verdade. Neste escudo, o homem se vê tal como é, e não como gosta de imaginar ser.
Athena é a deusa da combatividade espiritual (as três manifestações da elevação espiritual são a verdade, a beleza e a bondade). A sapiência, o amor pela verdade é a condição para ascender ao conhecimento de si e, em conseqüência, para adentrar na harmonia (Apollo).
Para derrotar a Medusa, foi necessário que o herói a surpreendesse enquanto dormia pois o homem somente é lúcido e apto ao combate espiritual quando a exaltação de sua vaidade não está desperta. Arma muito cobiçada, mesmo morta, a cabeça da Medusa continuou mantendo seu poder de petrificar quem a encarasse de frente.
Contra a culpabilidade advinda da exaltação vaidosa dos desejos, não há senão um único meio de salvaguarda: realizar a justa medida, a harmonia.
A deusa, símbolo da combatividade que inspira o amor à verdade, convida os mortais a reconhecerem-se em Medusa, incitando-os à luta contra a mentira essencial, a mentira subconscientemente desejada, o recalcamento, as falsas razões. A cabeça cortada prova que a Medusa não é invencível.
Antes de merecer o apoio de Athena, todo mortal deve encarar o símbolo da decadência espiritual (a vaidade). Somente assim têm-se certeza de que sua reivindicação não oculta outra intenção, ou seja, não é capricho, teimosia. Ante a imagem da Medusa, quem busca a deusa clamando por justiça tem somente duas possibilidades: contar com sua proteção (vitória certa), se já passou pela prova da Medusa, ou imobilizar-se no pânico e petrificar-se.

Coruja de Minerva
As aves, por serem consideradas os seres mais próximos dos deuses, foram, conforme suas características e atribuições, associadas a eles. A soberana águia acompanhava o poderoso Zeus, o imponente pavão, sua consorte e protetora dos amores legítimos: a deusa Hera. À atenta coruja coube a companhia da sábia Athena.
Vemos a imagem da coruja, símbolo de uma vigilância constantemente alerta, nas mais antigas moedas atenienses. A coruja, em grego gláuks “brilhante, cintilante”, enxerga nas trevas. Um dos epítetos de Athena é “a de olhos gláucos” (esverdeados).
Em latim é Noctua, “ave da noite”. Noturna, relacionada com a lua, a coruja incorpora o oposto solar. Observem que Atena é irmã de Apollo (Sol). É símbolo da reflexão, do conhecimento racional aliado ao intuitivo que permite dominar as trevas. Apesar de haver uma forte associação desta ave à escuridão e a sentimentos tenebrosos, o que é natural a um ser noturno, o fato de ela ter sido (devido a suas específicas características) atribuída à deusa Athena também a tornou símbolo do conhecimento e da sabedoria para muitos povos.
A coruja é uma excelente conhecedora dos segredos da noite. Enquanto os homens dormem, ela fica acordada, de olhos arregalados, banhada pelos raios da sua inspiradora Lua. Vigiando os cemitérios ou atenta aos cochichos no breu, essa ambaixadora das trevas sabe tudo o que se passa, tendo-se tornado em muitas culturas uma profunda e poderosa conhecedora do oculto.
Havia uma antiga tradição segundo a qual quem como carne de coruja participa de seus poderes divinatórios, de seus dons de previsão e presciência. A coruja tornou-se assim atributo tradicional dos mânteis, daqueles que praticam a mântica, a arte do divinatio, da adivinhação, simbolizando-lhes o dom da clarividência.
Eis a ave da deusa da Sabedoria e da Justiça: atenta coruja, cujo pescoço gira 360º, possuidora de olhos luminosos que, como Zeus, enxergam “O todo”. Devido a todos esses atributos, a Coruja simboliza também a Filosofia, os Professores e nossa proposta de Conhecimentos Sem Fronteiras: integrar todas as formas de conhecimento com o olhar para O Todo.
Na introdução de sua obra Filosofia do Direito, o Filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1830), escreve o seguinte.
Quando a filosofia pinta cinza sobre o grisalho,
uma forma de vida já envelheceu e, com o cinza
sobre cinza não se pode rejuvenescer, apenas reconhecer; 
A coruja de Minerva alça seu vôo
somente com o início do crepúsculo.

Mito da deusa grega da Sabedoria e da Justiça
Luciene Félix
Professora de Filosofia e Mitologia Greco-Romana da ESDC - mitologia@esdc.com.br