sexta-feira, 8 de março de 2013

Você precisa de uma identidade?


Nosso sentimento de posse e apego é obra do ego.
É só o nosso ego que se apega a ideias, a expectativas, ao sentimento de ter direito, e ao que consideramos nossa identidade.
Precisamos entender que tudo que temos nesta vida é emprestado: nosso corpo, nossas posses materiais, as pessoas que fazem parte da nossa vida, nossas realizações, nossos talentos — tudo.
O que você está lendo não é conteúdo meu, não é o meu livro.
Nada do que consideramos nosso nos pertence de verdade.
Simplesmente recebemos a custódia, obtivemos esses dons e desafios para podermos tomar ciência do que seria a nossa própria perfeição.
O ego nos manda tomar posse de uma identidade específica que pode adquirir um poder enorme, ou poder nenhum, mas os dois casos são ilusão.
E essa ilusão é a origem de toda dor em nossa vida.
Muitos já ouviram falar no magnata da aviação Howard Hughes.
O patrimônio líquido de Hughes era estimado no valor estarrecedor de $43,4 bilhões. No entanto, ele desenvolveu um medo obsessivo de pessoas e de germes, que, em meados da década de 1950, começou a afetar severamente sua vida.
Em 1966 ele se mudou para Las Vegas, Nevada, onde se entrincheirou num hotel. Quando o hotel ameaçou despejá-lo, ele o comprou, e durante os anos seguintes, poucas pessoas viram Hughes, que se tornou tão recluso que raramente colocava o pé fora da sua suíte.
Em 1976 Hughes morreu a bordo de um avião indo de Acapulco a Houston.
Ele tinha se tornado tão eremita ao final da vida que o Departamento do Tesouro precisou usar suas impressões digitais para confirmar seu falecimento.
Todos nós somos mais do que o eu unidimensional que nosso ego projeta, mas podemos ficar tão apegados a uma identidade que nos esquecemos de como viver sem o personagem.
Quem é Michael Jordan a não ser um jogador de basquete?
Quando sua carreira no basquete terminar, ele deixará de existir? Claro que não. Ele é um pai, um marido, e um ser humano levando a vida.
Ao nos apegarmos a um único aspecto de nós mesmos, limitamos nosso potencial para a verdadeira plenitude como um ser completo.
Se optamos por nos apegar a uma identidade e a tornamos o centro do nosso ser, só nos restam dor e vazio quando um aspecto nosso nos é tirado.
A natureza do ego é se prender ao que é temporário.
Se optamos por abrir mão disso, não somente nos libertamos de uma grande fonte de dor, mas também estaremos abertos para a dádiva da nova etapa da vida que o Universo nos aponta.
Aliás, a identidade à qual nos apegamos nem sempre é positiva; alguns se prendem a identidades negativas.
Quem pensa que somos donos de nosso sucesso e fracasso é o ego, mas na verdade ambos são mera oportunidade.
É o que fazemos com ela que importa.
Gostamos de colocar os outros (e a nós mesmos) em categorias limitantes para fins de identificação, mas a vida das pessoas não se encaixa em compartimentos.
Não há limites para o que somos capazes de fazer ou vir a ser, desde que estejamos focados em algo exterior a nós mesmos.
A eleição presidencial dos Estados Unidos no ano 2000 foi uma disputa entre George W. Bush, o candidato republicano, e Al Gore, o candidato democrata.
Como sabemos, George W. Bush se tornou presidente.
Al Gore ganhou aquela eleição, mas George Bush assumiu o poder porque jogou com o sistema.
Aquela eleição foi tirada de Gore, alguns dizem roubada, com o testemunho do mundo inteiro. No entanto, desde a eleição, Al Gore ganhou popularidade e estatura, além do Prêmio Nobel da Paz.
Al Gore pode ter perdido a presidência, mas obteve em troca a dádiva de encontrar sua voz verdadeira, seu propósito verdadeiro, em vez de ter que sustentar o personagem incorreto exigido pelo jogo político.
Depois de tudo isso, quem é mais influente hoje, George Bush ou Al Gore?
Se Al Gore tivesse ficado preso à sua identidade de "candidato derrotado à presidência", que oportunidade ele teria perdido!
Sinto que a pancada no ego que ele tomou na frente do povo americano desalojou o apego que ele tinha a essa identidade e deu espaço para seu comprometimento desapegado ao meio ambiente— que o conduziu à produção de Uma Verdade Inconveniente, a um Prêmio Nobel da Paz e a uma maior conscientização internacional para os perigos que nosso planeta enfrenta.
Precisamos atingir um ponto em que até se todas as dádivas que temos de empréstimo fossem repentinamente tomadas de nós, mesmo assim nos sentiríamos completos.
Precisamos aceitar e dar valor a quem somos quando nossas identidades nos são arrancadas por completo.
Mesmo nessa situação, descobriremos que há sempre algum bem que podemos fazer no mundo se nos dedicarmos a ele.
A posse também tende a aparecer nos relacionamentos.
Achamos que por amarmos alguém — nossos filhos, por exemplo — isso significa que somos seus donos, e que a vida deles nos pertence.
Existe uma diferença marcante, porém, entre se importar com alguém e ser dono dessa pessoa.
Cuidar de nossos filhos é nossa responsabilidade, mas ser dono deles é uma ilusão criada pelo ego e que só causará dor e sofrimento a eles — e a nós.
O sentimento de posse aparece quando ajudamos alguém e depois nos sentimos com direito a uma parte do seu sucesso.
Um amigo meu é personal trainer.
Recentemente ele me contou que seu trabalho estava indo mal.
Aborrecido com a forma como as coisas caminhavam, ele explicou que já tinha sido treinador de um empresário com patrimônio de mais de 100 milhões de dólares. Esse cliente costumava elogiar seu trabalho como personal trainer e dizer que seu sucesso era, em parte, devido ao alívio do estresse e à boa forma que ele o ajudou a alcançar. Embora esse cliente não estivesse mais malhando com ele, meu amigo de alguma forma se sentiu no direito de participar do sucesso do seu cliente.
Perguntei a meu amigo: "Quando foi a última vez que vocês trabalharam juntos?"
"Há 10 anos", ele respondeu. "E ele continua sendo milionário?", perguntei.
"Sim. Agora tem $200 milhões!", disse.
Rindo, eu disse: "Parece que ele se deu ainda melhor sem você! Por que você ainda acha que o sucesso dele tem alguma coisa a ver com você? Abandone esse sentimento, e seu trabalho voltará a prosperar."
Vendo quanto meu amigo ficou desalentado, tentei explicar o que estava acontecendo.
O sentimento de posse pode nos levar a sentir que temos direitos, e, se não o identificamos, isso pode nos levar à autodestruição.
O fato é que coisas verdadeiramente grandes só acontecem quando não temos apego a resultados.
Infelizmente, o ego sente ter direito à gratificação.
É assim que o ego nos aprisiona num sentimento equivocado de nosso próprio valor — exagerado ou subestimado.
Imagine que a importância do trabalho de sua vida só seja reconhecida mil anos após sua morte. Se assim fosse, você continuaria a trabalhar?
Continuaria se sentindo realizado por seu trabalho?
Jesus só teve 12 discípulos próximos, durante a vida. Apesar de mais de um bilhão de pessoas praticarem o cristianismo hoje, Jesus nunca viu esse sucesso.
Sir Isaac Newton escreveu mais sobre misticismo do que sobre ciência, mas sua família manteve esses escritos ocultos depois do seu falecimento em 1727.
Só muitos séculos depois esses profundos escritos espirituais e metafísicos foram descobertos por seus descendentes.
Estudiosos que analisaram as obras concordam que Newton era uma pessoa profundamente espiritualizada, e que seus estudos científicos podem ter sido menos importantes para ele do que a compreensão do mundo não físico ao seu redor.

O objetivo é Mudança
O objetivo de tudo isto — o motivo pelo qual estamos aqui, pelo qual o mundo está aqui, e pelo qual temos o sistema e os líderes políticos que temos— é alcançar mudança.
Esse é o objetivo da vida.
Sendo assim, por que a mudança parece ser tão difícil?
Porque o ego entra no caminho.
Noventa e cinco por cento do combustível e da energia necessários para lançar um foguete são gastos na decolagem.
Os 5% restantes são usados no prosseguimento da missão.
O processo de mudança acontece da mesma maneira.
Noventa e cinco por cento da energia são necessários somente para vencer o ego. Essa é a parte mais difícil.
O ego tentará detê-lo antes mesmo de você começar. Ele não quer que você mude. Mas, uma vez tendo superado esse primeiro obstáculo, a mudança começa a criar seu próprio momentum.
Hoje pode ser que você não consiga ver nenhum resultado com sua decisão de mudar, mas à medida que você passa da primeira marcha para a segunda, e chega à marcha acelerada, a mudança ganha velocidade.
Conta-se história de um homem que precisava de mil dólares para pagar o casamento da filha. Assustado com a possibilidade de levantar uma quantia tão grande em tão pouco tempo, ele procurou a ajuda de um sábio.
O sábio o aconselhou a visitar o homem mais rico da cidade e pedir o dinheiro a ele.
Acontece que o magnata era conhecido por ser excepcionalmente pão-duro.
Apesar de ao longo dos anos muitas pessoas terem lhe pedido empréstimo, nunca tinha dado dinheiro a ninguém.
Seguindo o conselho do sábio, o homem foi visitar o avarento.
Pediu os mil dólares, mas ele negou.
Entretanto, quando o homem estava indo embora, o avarento lhe ofereceu uma moedinha.
Ofendido com o valor do presente oferecido, o pedinte simplesmente virou as costas e foi embora.
Desorientado, foi de volta ao sábio e contou o que tinha acontecido.
O sábio mandou que ele voltasse e aceitasse a moeda. "Mas isso não adiantará nada no montante que preciso conseguir para o casamento, que é esta semanal", o homem exclamou.
"Confie em mim e faça o que digo", respondeu o sábio.
O homem voltou, e mais uma vez o avarento ofereceu uma moeda, que dessa vez foi aceita.
Então, quando se preparava para ir embora, o avarento lhe ofereceu uma moeda maior. O homem aceitou novamente, e se preparou para ir embora.
E, então, o avarento lhe ofereceu um dólar. Depois vinte, e depois cem.
Não demorou muito para o homem conseguir os mil que precisava.
Exultante, correu para contar a boa notícia ao sábio, e para fazer uma pergunta: "Como você sabia que o avarento iria me ajudar? Ele nunca deu dinheiro para ninguém!"
O sábio explicou que durante toda sua vida o avarento tinha desejado ser generoso. No entanto, ele não sabia como compartilhar.
Ele só conseguia abrir mão de uma moedinha, e toda vez que ele a oferecia, ninguém aceitava.
Quando esse homem aceitou sua moedinha, o avarento se sentiu tão bem com o ato de dar que quis oferecer mais. E quanto mais dava, mais queria dar.
Isso acontece com todo o mundo.
Uma vez abertos para a mudança, o primeiro ato cria um apetite ainda maior para mudar. Começamos a querer cada vez mais crescimento em nossas vidas, e esse desejo é encorajado por uma crescente certeza de que realmente é possível mudar.
Rav Brandwein explicou a diferença entre os que fazem a transformação e os que não a fazem: os que mudam sabem logo de início que irão mudar; os que não o fazem não têm esta convicção. Precisamos saber que existe um processo, e precisamos confiar nele.
O fato de uma fruta não estar madura agora não quer dizer que ela nunca ficará doce. Precisamos aceitar a jornada e não permitir que o ego nos aprisione com seu desejo de resultados imediatos, ou nos prenda em uma sensação inflexível de nossa identidade.
Quando surge uma situação em que seu ego leva um golpe, por mais difícil que isso seja — pode acreditar, mesmo sendo a coisa mais difícil do mundo — simplesmente aceite. Abaixe a cabeça e aceite: como homem, como mulher, como AI Gore, ou como Aristóteles.
Zusha foi um dos maiores sábios de todos os tempos.
Ele viveu há cerca de 250 anos, e frequentemente viajava de cidade em cidade dando aulas e ajudando as pessoas em seus problemas.
Ele via isso como sua missão na vida.
Num dos vilarejos aonde Zusha chegou estavam dando uma grande festa. Movido pela curiosidade, aproximou-se para ver o que estava acontecendo. Observou que as pessoas lá dentro não estavam dançando nem celebrando. Estavam quase todas sentadas e desanimadas, conversando em voz baixa. Confuso, ele perguntou a um passante: "Por que estão todos tão tristes?" E ouviu: "Bem, ia haver um grande casamento hoje. Infelizmente, a família perdeu todo o dinheiro que tinha guardado para ele e não poderão mais pagar a festa."
Zusha perguntou: "Você sabe quanto dinheiro eles perderam?" E ficou sabendo a quantia exata.
No dia seguinte bem cedo, Zusha voltou à aldeia exclamando: "Encontrei o dinheiro que estava perdido!" E entregou à família um maço de notas. Surpresos, começaram a contar e descobriram que milagrosamente era a quantia exata que eles tinham juntado para o casamento. Assim que começaram a agradecer a Zusha a sua generosidade, ele os deteve e disse: "Esperem um momento. Segurem seus agradecimentos. Fui eu quem achei o dinheiro, e podia ter ficado com ele para mim, mas não fiz isso. Vocês não acham que mereço uma recompensa?"
Ele insistiu que não iria embora do vilarejo enquanto não recebesse uma recompensa por ter recuperado o dinheiro.
Os aldeões ficaram estupefatos.
Estavam prontos para transformar Zusha num herói, para descobrir em seguida que ele era tão ganancioso como qualquer outra pessoa, se não ainda mais.
O povo da cidade ficou furioso, e alguns começaram a sugerir que Zusha tinha furtado o dinheiro para pedir a recompensa. Algumas horas depois Zusha foi expulso da cidade por seu comportamento vergonhoso.
Voltando para casa ele foi ao seu mestre, que já sabia das notícias.
O mestre de Zusha disse: "Acho que você não encontrou o dinheiro. Sabendo o tipo de pessoa que você é, aposto que na verdade você deu para a família o seu próprio dinheiro. Mas que história foi essa de exigir recompensa?"
Zusha respondeu: "Sabe, na hora em que eu estava para dar meu próprio dinheiro para os noivos, eu disse a mim mesmo: Zusha, quantas pessoas no mundo fariam o que você está para fazer? Ninguém. Comecei a me sentir tão bem comigo mesmo que entendi que era meu ego vindo à tona. Tive que rapidamente conceber um plano para dar ao casal o dinheiro sem alimentar meu ego. Decidi que ser expulso da cidade por minha ganância seria suficientemente humilhante para impedir meu ego de entrar em cena."
A missão de encontrar e destruir nosso ego nos levará à grandeza.
É um dos riscos mais ousados que podemos correr. É o que nos tira da nossa zona de conforto para que possamos realmente fazer alguma diferença neste mundo. Quando superamos nosso ego conseguimos ver as verdadeiras soluções, porque passamos a estar abertos para ver o que não sabemos.
Isso nos dá força para fazer perguntas, e para não aceitar as coisas como elas aparentam ser.
Temos que cavar mais fundo para encontrar respostas não convencionais que possam nos impulsionar para um futuro melhor.
Quantos políticos pensam que por eles terem formulado uma política ou plano merecem mais poder ou maiores louvores?
Como se viu com a história de Al Gore, na verdade não são nossos sucessos que importam; é o que fazemos com nossos fracassos que nos tornam — e tornam nosso trabalho — grandes neste mundo.
A humilhação na verdade é uma das maneiras mais rápidas de atingir o ego.
O desejo de se sentir elogiado e reconhecido é um sinal revelador de que o ego está prosperando. Mas se um número suficiente de pessoas conseguir começar a enxergar plenamente seu ego e destruí-lo, atingiremos uma massa crítica, e o mundo mudará.

Como explicou o Baal Shem Tov, tudo que vemos nos outros na verdade é um reflexo do nosso próprio ego. Quando vemos em outra pessoa alguma coisa que particularmente nos incomoda, o que estamos vendo na verdade é nosso próprio ego. E mais, vemos aquilo naquele momento por ser o momento ideal para nocautear o ego.
Durante o processo de escrever estes textos, estou trabalhando em minhas próprias mudanças e desafios. Não foi coincidência eu ter tido três grandes discussões com algumas das pessoas mais importantes da minha vida enquanto redigia este capítulo. Estou grato a essas pessoas queridas, principalmente à minha mãe, a quem devo o maior agradecimento, porque elas me mostraram onde está meu ego.


As Vestais



As Virgens Vestais eram as sacerdotisas que cultuavam a deusa romana Vesta.
Há muitas versões que argumentam sobre o surgimento das Virgens Vestais na Roma Antiga, inclusive, que se baseiam em contos de antigos historiadores romanos. Porém os mitólogos alertam que o culto à deusa Vesta, a deusa do fogo, era algo da mais alta antiguidade. Já os gregos a celebravam em seus rituais e os coríntios possuíam um templo para tal deusa. O culto em Roma começou muito cedo também. Foi o segundo rei de Roma, Numa Pompílio, que ordenou a construção de um templo dedicado à deusa Vesta. Durante mil anos, aproximadamente, o culto se renovou em Roma, até que o imperador Graciano iniciou uma série de hostilidades e seu sucessor, Teodósio I, proibiu definitivamente o culto. Em 394, o fogo de Vesta se apagou e a reverência à Deusa Vesta foi se apagando da memória de seus devotos.

Durante o período de atividade do templo, o fogo simbólico da deusa Vesta era controlado por mulheres. Mas não qualquer mulher, havia um processo seletivo rigoroso para escolher as dignas de tal ofício. As principais exigências eram que não tivessem qualquer defeito físico ou mental e que fossem virgens. Essas chamadas Virgens Vestais não poderiam também ser filhas de um flâmine, um áugure, um encarregado dos Livros Sibilinos ou um sacerdote de Marte, assim como não poderiam ser noivas de um pontifex maximus ou ter uma irmã já exercendo o sacerdócio. Inicialmente, as Virgens Vestais eram apenas de origem patrícia, mas Augusto abriu a possibilidade também às plebeias.

As Virgens Vestais passavam por um ritual de iniciação e, em seguida, eram confiadas ao Colégio Pontífice. Suas atividades duravam trinta anos, os quais eram rigorosamente detalhados. Nos primeiros dez anos, as Virgens Vestais aprendiam as obrigações do culto à Vesta, nos próximos dez anos elas desenvolviam as atividades de sacerdotisa e, nos últimos dez anos, ensinavam os afazeres às novas sacerdotisas. Só após os trinta anos de sacerdócio que as Virgens Vestais tinham permissão para casar, entretanto, a maioria delas escolhia pela continuidade do sacerdócio.

A principal atividade das Virgens Vestais era manter o fogo sagrado sempre aceso no Templo de Vesta em Roma. Além disso, eram responsáveis por preparar a mola salsa e os muries, os quais faziam parte dos ritos religiosos romanos e eram produzidos utilizando o fogo sagrado. O vestuário das Virgens Vestais destacava a importância da castidade.

As Virgens Vestais possuíam um status diferenciado na sociedade romana. Como membros cidadãs, tinham um status jurídico particular e dotado de uma série de privilégios. A liberdade que gozavam as Virgens Vestais constando em lei era uma característica da sociedade romana que atingia só às sacerdotisas, excluindo as mulheres comuns de Roma. Como o Templo de Vesta e as sacerdotisas não podiam ser violadas, eram protetoras de objetos sagrados, tratados solenes e testamentos até de imperadores.

MITOS SAGRADOS




Na mitologia egípcia, Isis e Osíris representavam os mais antigos soberanos do delta do Nilo em tempos imemoriais. Em seu reinado, o Egito floresce, porque as duas divindades civilizaram essa terra e sua gente, aí introduzindo a agricultura, artes, ofícios, templos e a correta veneração dos deuses. Osíris, todavia, possuía um rival e inimigo: seu irmão gêmeo Set ou Typhon, que em grego significa “insolência” ou “orgulho”. Set queria governar o país e estava constantemente conspirando contra a família real. Durante uma viagem de Osíris, quando Isis governava sozinha, Set tramou, com 72 conspiradores, a morte do Rei. Vale ressaltar aqui a alusão solar, pois se trata de uma divisão típica do zodíaco. Set havia, secretamente, medido o corpo de Osíris e construído uma arca especial capaz de conter o Rei. Assim, no retorno de Osíris, convidou-o, juntamente com os conspiradores, para uma festa de boas-vindas. Isis alertou o marido para não ir, mas Osíris disse-lhe nada temer da parte de seu frágil irmão.
Na festa, a arca foi admirada por todos os convidados, e Set prometeu dá-la de presente à pessoa cujo corpo nela se encaixasse. Um após outro, os convivas tentaram, mas tinham todos tamanhos errados. Finalmente, Osíris entrou na arca e Set e os conspiradores fecharam a tampa, pregaram-na e selaram-na com chumbo derretido, atirando o esquife ao Nilo.
Na crença egípcia, o corpo tinha de ser enterrado com os ritos fúnebres corretos, para que a alma não vagasse eternamente pela terra. Isis, tomada de dor, pôs-se a procurar o corpo do esposo, subindo e descendo o Nilo, e perguntando a quem encontrava se havia divisado a arca. Finalmente, algumas crianças contaram que haviam visto o esquife na cabeceira do rio, flutuando em direção ao mar e parando no litoral de Biblos, na Síria, preso aos ramos de uma tamareira. O rei de Biblos, todavia, derrubou a árvore, sem perceber o ataúde de Osíris preso ao tronco, transformando-a num pilar para o teto de seu palácio. Persistente, Isis navegou até Biblos e, valendo-se de ardis, tornou-se aia na casa real, servindo à rainha Astarte, mesmo nome da deusa da fertilidade adorada em Tiro, Sidon e Canaã. Através de sua amizade com jovem rainha, Ísis persuadiu o rei a cortar a árvore, libertando o corpo de Osíris, levando então o corpo de seu marido de volta ao Egito, onde o pilar da tamareira tornou-se um objeto de culto. Uma vez no Egito, Ísis deixa a arca num local seguro. Set, entretanto, soube de seu retorno e, durante uma caçada, descobriu o esconderijo da arca. Tomado pelo ódio, ele desmembra o corpo de Osíris, espalhando os 14 pedaços por todo o Egito.
Quando Ísis foi informada desse novo ultraje, percorreu todo o país e, sempre que encontrava uma parte do corpo, erigia um santuário para marcar o lugar. Cada um destes sítios sagrados situava-se numa elevação. O local do sepultamento foi marcado com uma árvore, para significar que Osíris se ergueria de entre os mortos. A décima quarta parte do corpo de Osíris, – o seu pênis, – jamais foi encontrada, por haver sido engolida por um peixe. Ísis faz, então, uma réplica em ouro do pênis do esposo e o enterra em Mendes, sede de um Templo dedicado ao culto do deus bode, daí a expressão “Bode de Mendes”. Osíris tornou-se o foco do culto da ressurreição no Egito dinástico, e seus adoradores acreditavam que, pela prática de seus ritos, conquistariam a vida eterna após a morte.

domingo, 3 de março de 2013

Lemniscata, O "oito deitado", O Símbolo do Infinito



 A imagem é conhecida desde a Antiguidade, o nome não. Lemniscata é o famoso "oito deitado", tido como um símbolo do infinito. A razão de essa curva geométrica especial assumir tal significado é seu traço, contínuo, uma forma sem começo nem fim.
Adotada por diversas linhas espirituais, ela simboliza, para os rosa-cruzes, a evolução quando observada de dois lados: o fisico e o espiritual. Um dos anéis de lemniscata é a jornada do nascimento à morte, o outro da morte ao novo nascimento. O ponto central é considerado o portal entre os dois mundos. Essa figura aparece em antigos desenhos celtas e no caduceu (cetro) de Hermes, o deus grego da comunicação (que leva as mensagens dos mortais para os deuses). Na antroposofia (filosofia espiritual sistematizada pelo austriáco Rudolf Steiner no século 19), a lemniscata ocupa um papel central porque representa o equilíbrio dinâmico, perfeito e rítmico do corpo. A forma geométrica da lemniscata é a base de muitos processos antroposóficos: desde a dinamização de medicamentos até a criação de estruturas arquitetônicas, movimentos da euritmia, desenhos da terapia artística,etc.
 "Infinito (do latim infinítu) é um adjetivo que denota algo que não tem início nem fim, ou não tem limites, ou que é inumerável. É também um nome que representa o que não tem limites. Usado em sentido figurado pode significar Deus, o Absoluto ou o Eterno.

                                                   
É um conceito usado em vários campos, como a matemática, filosofia e a teologia. É representado com o símbolo ∞, e na matemática é uma noção quase-numérica usada em proposições. Distingue-se entre infinito potencial e infinito atual.
O infinito pode ser visto de muitas perspetivas. A intuição percebe-o como uma espécie de "número" maior do que qualquer outro. Para algumas tribos primitivas é algo maior que três, representando "muitos", algo incontável. Para um fotógrafo o infinito começa a dez metros da lente, ao passo que para um cosmólogo pode não ser suficiente para conter o universo. Para um filósofo é algo que tem a ver com a eternidade e a divindade. Mas é na matemática que o conceito tem as suas raízes mais profundas, sendo a disciplina que mais contributos deu para a sua compreensão." 


 No tarô, a lemniscata aparece em algumas cartas, por exemplo: ela flutua acima das cabeças do Mago (carta 1) e no personagem que força a abertura da boca do Leão na carta 11, a Força. Há tarôs sem o símbolo sobre os dois personagens, mas, nos chapéus que usam, as abas formam lemniscatas. No livro Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô (Edições Paulinas), lê-se que a lemniscata simboliza o ritmo, a respiração e a circulação (o desenho tem claramente dois ciclos). Ela é então o símbolo do ritmo eterno, ou da eternidade do ritmo, e sinaliza, no Tarô, o conhecimento desse segredo.

 Traçar a lemniscata no ar com varetas de incenso é indicado para harmonizar a energia de pessoas e ambientes.
A lemniscata é conhecida por quase todo mundo como sendo o símbolo do Infinito, aquele 8 deitado que aprendemos nas aulas de matemática.. Mas seu significado é muito mais amplo e muito mais antigo...



Um elo aliado ao outro formando um seguimento eterno, está ligado ao número 8, pois seu significado espiritual: vai ao céu e volta à Terra numa constante.

Não tem princípio nem fim...

Símbolo de perpetuação da espécie...

                                       

Representa o tempo (o eterno agora), o movimento da luz que percorre o caminho do masculino, do feminino e a linha do tempo na sua subida em direção ao ponto mais alto, à iluminação que, finalmente atingida, espalha sobre o Todo a luz do Amor, da Verdade e da Sabedoria.

Dourado: representa a Trindade, a Vontade Divina, o Corpo - Mente - Espírito, a Compaixão - Simplicidade - Humildade.∞

No interior podemos ver o mundo (ou o Universo), representado pelo símbolo dourado do infinito.∞
A lemniscata é uma figura geométrica em forma de hélice que é o sinal matemático do "infinito". Simbolicamente a lemniscata representa o equilíbrio dinâmico e rítmico entre dois polos opostos. Foi largamente usada nos desenhos celtas e insistentemente reproduzida em seus intrincados desenhos de formas. A lemniscata, principalmente em suas representações celtas, nos remete diretamente ao "Ouroborus", símbolo antiqüíssimo, resgatado pela tradição alquímica, onde se vê uma serpente que morde o próprio rabo e dovora-se a si mesma.

O Ouroborus é também representação simbólica do Infinito e do equilíbrio dinâmico universal. 

 Carl Gustav Jung, refere-se a este símbolo como o "Mysterium Conjuctionis" (Mistério da Conjunção), resultado do "Hieroghamos" (Casamento Sagrado), equilíbrio do Masculino e do Feminino Universais, essência fundamental da mente humana e, em uma visão mais ampla, da existência humana em si.

Ainda podemos observar a lemniscata nas curvas do Caduceus (o cetro da dupla serpente), símbolo da Medicina e manisfestação de Hermes; nos meridianos do fluir da Energia Vital descritos pelas medicinas tradicionais hindu e chinesa e pela Acupuntura. A lemniscata repete-se no próprio movimento das galáxias, das estrelas e dos planetas, na Astronomia e na Astrofísica. A lemniscata está presente na dupla hélice do DNA presente em todos os seres vivos deste planeta.

 Ainda verificamos a formação de lemniscatas nos movimentos pendulares observados na Física; na báscula do andar humano; no crescimento dos vegetais e na disposição de suas flores e folhas; nos movimentos de regência da musical; no movimento do Tao; em emblemas e símbolos de famílias tradicionais japonesas, em mandalas de diversas origens e épocas e, de forma abstrata, nos ciclos da Natureza e no equilíbrio psíquico entre o Pensar e o Querer, dando origem ao Sentir.
 A lemniscata tem significado milenar, representando o equilíbrio dinâmico, perfeito e ritmico entre os polos opostos constitucionais do corpo humano: o polo metabólico e o polo neuro-sensorial. O polo metabólico (abdome) é quente, úmido, expansivo e inconsciente. O polo neuro-sensorial (cabeça, sistema nervoso central e órgãos do sentido) é frio, seco, contraído e consciente. Do equilíbrio deste dipolo, surge a vida humana em sua manifestação mais primordial: o ritmo. A lemniscata representa então o sistema rítmico (coração, pulmões e musculatura do tórax) que proporciona os sinais vitais mais básicos, equilíbrio físico e psíquico e harmoniza as essências opostas que nos compõem.
Fazem parte ainda deste equilíbrio dinâmico rítmico, além do ritmo cardíaco e do ritmo respiratório, ciclos como o dormir e acordar (ritmo circadiano), a tendência à vitalidade (anabolismo) na infância e a tendência à esclerose (catabolismo) na velhice (ciclo biográfico) e, em última análise, o ciclo da vida e da morte (ciclo encarnatório). Assim, toda vez que inspiramos, que nosso coração entra em diástole, que acordamos pela manhã ou que usamos nossa função orgânica anabólica, confirmamos nosso nascimento. Analogamente, toda vez que expiramos, que nosso coração entra em sístole, que vamos dormir à noite ou que usamos nossa função catabólica, antecipamos nossa morte.
                                                        
Significado Geral: Símbolo da eternidade, da continuidade, do eterno retorno.

Etimologia: Na linguagem copta e no idioma hebreu, ouro: significa Rei, e ob: significa serpente. Sendo que tais expressões são uma interpretação relativamente moderna, não sendo possível analisar uma etimologia mais precisa quanto à exata do termo.

Descrição: Contem os animais míticos do, o Dragão ou a Serpente, num movimento circular engolindo o próprio rabo, dando a ideia de que se alimentam através de si próprios. Aparece somente com uma cor, ou o mais comum; contendo duas cores, representando a união das polaridades, feminino e masculino, claro e escuro, divino e profano e etc.


Tempo e Espaço: Os achados mais antigos deste símbolo possuem indicam mais de 3.000 anos. Foram encontrados em diferentes locais e datas com diferentes povos, dentre eles: Egípcios (Representando a Ressurreição de Rá como o Sol), entre Chineses, Nórdicos (Jormungand), Fenícios, Hindus, Gregos e outros.

Alquimia e Ocultismo: Tal símbolo é largamente utilizado, vindo seguido, na maioria dos livros, da expressão “Hen to Pan” que pode significar “o Um, o Todo” ou "Tudo é um, um é tudo". Marcando desta forma o significado de ressurreição, transmutação ígnea onde o adepto morre e renasce iniciado.

 Tradições (neo)Pagãs: Simboliza o eterno retorno da alma na roda das existências. Na pode ser utilizado para representar a roda do ano, o eterno retorno do Deus Sol, que pode ser comparado a Serpente - ser ligado ao submundo tal como o Deus, que se sacrifica e renasce constantemente num ciclo eterno.

Comparativos: Como Símbolo pré-cristão, a Serpente do Ourobos representa Sabedoria, a capacidade de enxergar e entender o universo, para a visão Cristã a Serpente é vista de forma maléfica e ligada ao inferno. O Círculo pode representar a roda do Sol, o universo e a continuidade para os pagãos e pode representar o limite entre os mundos para os Cristãos.

Albert Pike, em seu livro, Morals and Dogma explica: "A serpente, enrolada em um ovo, era um símbolo comum para os egípcios, os druidas e os indianos. É uma referência à criação do universo".

 Simbolicamente a lemniscata representa o equilíbrio dinâmico e rítmico entre dois polos opostos. O símbolo da lemniscata nos remete diretamente ao Arcano Maior do Tarot de número 14: "A Temperança", onde vemos uma mulher que mistura e equilibra, através de sucessivas misturas, dois jarros que contém água: um com água fria, outro com água quente. Conforme as sucessivas passagens de fluidos de um jarro a outro, e deste de volta ao primeiro, se processam, obtém-se o elemento morno (temperado). Esta carta corresponde à letra hebraica "Nun" na Cabalah.